Estoicismo

Pedro Menezes
Pedro Menezes
Professor de Filosofia

O Estoicismo ou Escola Estoica é uma doutrina filosófica fundamentada nas leis da natureza, que surgiu na Grécia no século IV a.C. (por volta do ano 300), durante o período denominado helenístico (III e II a.C.).

Foi fundada pelo filósofo grego Zênon de Cítio (333 a.C.- 263 a.C.), e vigorou durante séculos (até III d. C.) tanto na Grécia, quanto em Roma. O termo “Estoicismo” surge da palavra grega “stoá”, que significa pórtico, locais de ensinamentos filosóficos.

Para os estoicos, a perfeição humana estava fundamentada na ideia de que os seres humanos estão ligados à natureza. Assim, devem negar seus desejos para a realização de uma vontade guiada pela razão em conformidade com essa natureza.

Ou seja, uma corrente filosófica donde a "virtude" depende da vontade subordinada à razão, sendo considerada a base para se atingir a felicidade.

Além disso, a escola estoica influenciou o desenvolvimento do Cristianismo a partir do conceito de providência. Para ambos, há uma raão universal divina que regula tudo o que existe.

A aceitação dessa providência, para os estoicos, fica a cargo da vontade orientada pela razão e a união do indivíduo com a natureza. Já para a doutrina cristã, dependia a abdicação do pecado e de uma vida devotada à fé e a ligação do indivíduo com Deus.

Fases do Estoicismo

O estoicismo está dividido em três períodos, a saber:

  • Estoicismo Antigo (stoá antiga): período mais focado na doutrina ética. Os maiores representantes do período foram os filósofos Zênon de Cítio, Cleantes de Assos e Crisipo de Soli.
  • Estoicismo Helenístico Romano (stoá média): período mais eclético, donde se destacaram os filósofos Panécio de Rodes, Posidônio de Apameia e Cícero.
  • Estoicismo Imperial Romano (stoá nova): de cunho mais religioso, sendo seus principais representantes os filósofos Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio.

Os Principais Filósofos Estoicos

Os principais representantes do estoicismo foram:

Cleantes de Assos (330 a. C.-230 a. C.)

Discípulo do fundador da escola estoica Zênon, Cleantes nasceu em Assos, atual Turquia, sendo sua principal obra “Hino a Zeus”. Importante no desenvolvimento do estoicismo e da introdução do conceito de materialismo na escola.

Crisipo de Solis (280 a.C.-208 a.C.)

Um dos maiores representantes do estoicismo, esse filósofo grego, nascido em Solis, foi discípulo de Cleante de Assos e teve um papel importante na disseminação e sistematização dos conceitos estoicos.

Panécio de Rodes (185 a.C.-109 a.C.)

Filósofo grego nascido em Rodes, teve importante papel na difusão do Estoicismo entre os romanos, durante o tempo em que morou em Roma. Foi considerado um dos maiores representantes da fase médio estoica, sendo sua obra principal intitulada “Sobre os Deveres”.

Posidónio de Apameia (135 a.C.-51 a.C.)

Filósofo, historiador astrônomo e geólogo grego nascido na cidade de Apameia, Posidónio estudou em Atenas, local onde começa a se influenciar pelos ideais estoicos, sendo mais tarde embaixador em Roma. Seu pensamento foi baseado no racionalismo e no empirismo.

Epiteto (55-135)

Filósofo grego nascido na cidade de Hierapólis, atual Turquia. Viveu grande parte de sua vida como um escravo romano e de sua obra destacam-se: “Manual de Epicteto” e “Discursos”, editadas por seu discípulo Arriano de Nicomedia (86-175).

Sêneca (4 a.C-65)

Filósofo, orador, poeta e político, Lúcio Aneu Sêneca nasceu na cidade de Córdoba, atual Espanha, sendo considerado um dos mais importantes intelectuais do Império Romano.

Importante representante da terceira fase estoica (nova), Sêneca focou nos conceitos sobre ética, física e lógica para o desenvolvimento da Escola Estoica. De sua obra destacam-se os Diálogos, Cartas e Tragédias.

Sêneca teve Nero, o imperador romano, como seu pupilo e foi o principal concelheiro do Império Romano.

Marco Aurélio (121-180)

Imperador e filósofo romano, nascido em Roma foi um dos representantes da terceira fase estoica (Imperial Romana). Seus estudos estiveram baseados principalmente nos temas religiosos, em detrimento dos temas científicos.

Diferença entre Estoicismo e Epicurismo

Quando tratamos de observar essas duas correntes filosóficas, fica claro que elas se diferem em alguns aspectos. O Estoicismo, baseado numa ética rigorosa de acordo com a leis da natureza, assegurava que o universo era governado por uma razão universal divina (Logos Divino).

Dessa forma, para os estoicos, a felicidade era encontrada na dominação do homem ante suas paixões (considerada um vício da alma) em detrimento da razão.

Os estoicos cultivavam a perfeição moral e intelectual inspirada no conceito de “Apathea”, que significa a indiferença em relação a tudo que é externo ao ser.

Por sua vez, o Epicurismo, fundado pelo filósofo grego Epicuro (341 a.C.-270 a.C.) possui uma vertente relacionada ao Hedonismo, portanto à busca dos prazeres terrenos, desde a amizade, o amor, o sexo e os bens materiais.

Para os epicuristas, diferente dos estoicos, os homens eram movidos por interesses individuais e o dever de cada um estava em buscar nos prazeres a felicidade.

Para os estoicos, a alma deveria ser cultivada, enquanto os epicuristas não acreditavam na reencarnação. Por fim, para os estoicos a virtude representava o único bem do homem, o mais importante, enquanto o epicurismo estava apoiado nos prazeres.

Outros textos que podem ajudar:

Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).