Cinismo

Pedro Menezes

O Cinismo é uma corrente filosófica que pregava o total desprezo pelos bens materiais e o prazer.

Para os cínicos, a filosofia moral não poderia estar separada do modo de vida dos filósofos. Eles deveriam ser exemplos daquilo que afirmam.

O termo Cinismo tem origem no grego kynismós, que significa "como um cão" e reflete a forma de vida dos adeptos dessa filosofia.

Os filósofos cínicos eram identificados por possuírem apenas um manto dobrado como vestimenta, um bastão para auxiliar nas caminhadas e uma sacola para carregar algum donativo.

Desde então, o significado de cínico é atribuído às pessoas que não possuem apego às convenções sociais e se sentem superiores por isso.

Cinismo e a Filosofia

A corrente filosófica do Cinismo teve origem com um dos discípulos de Sócrates, Antístenes (445-365 a.C.). A partir dos ensinamentos de Sócrates, Antístenes assumiu que a virtude é o que fundamenta a existência humana, e não o prazer.

Sendo assim, o filósofo dedicou sua vida a demonstrar que o valor da existência humana não pode ser medido através da propriedade, mas do desenvolvimento pleno de sua humanidade. Para ele, a busca pelo prazer afasta os indivíduos da verdadeira felicidade.

Antístenes inaugurou o pensamento cínico que buscava a coerência entre o pensamento e a ação. Daí, a necessidade de uma vida ascética, sem luxo nem bens.

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Filósofos Cínicos

Os cínicos foram conhecidos como aqueles que vivem como cães ou como os filósofos "caninos". Eram reconhecidos por sua falta de apego material, por sua falta de pudor, por sua fidelidade à filosofia e seu comportamento feroz com aqueles de quem não gostam.

1. Antístenes (445-365 a.C)

Antístenes foi o fundador do pensamento cínico. Suas obras tinham como tema central a ética, a natureza e a lógica.

A escola cínica se diferencia de outras escolas da filosofia grega por não possuir um ambiente de aulas onde mestres e discípulos transmitem o conhecimento. Ela se dá pela imitação de uns pelos outros e pela adesão ao estilo de vida cínico.

Não havia entre os cínicos qualquer texto ou estrutura organizacional que os identificassem como uma escola de pensamento. Havia apenas um modo de vida exemplar.

A riqueza e a pobreza das pessoas encontram-se não em seus bens imóveis, mas em seus corações.

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2. Diógenes (412-323 a.C.)

Diógenes de Sinope foi discípulo de Antístenes e o mais conhecido entre os cínicos. A filosofia e o modo de vida de Diógenes era admirado por diversas pessoas na Grécia antiga, dentre elas, o Imperador Alexandre, o Grande.

Diógenes por repudiar o prazer e os bens, vivia uma vida de total negação de posses. Sobreviveu durante muito tempo em função da ofertas de alimentos, muito parecido com o modo de vida de um mendigo.

A sabedoria serve de freio à juventude, de consolação à velhice, de riqueza aos pobres e de ornamento aos ricos.

3. Crates de Tebas (365-285 a.C.)

Crates foi discípulo de Diógenes, possuía uma deficiência física que o fazia mancar de uma perna.

Era conhecido como "o abridor de portas" por visitar seu amigos sem ser anunciado. Entrava na casa das famílias e costumava a ajudar a resolver as desavenças familiares.

Oriundo de uma família rica, abdicou de seus bens para se dedicar ao Cinismo. Era casado com uma outra filósofa cínica, Hipárquia.

4. Hipárquia de Maroneia (350-310 a.C.)

Hipárquia também se dedicou à vida ascética do Cinismo. Propunha o valor de uma vida moral. É a única filósofa cínica conhecida do período.

Durante sua vida, sofreu com o preconceito do povo grego, que considerava a vida cínica inaceitável para uma mulher.

Junto com seu irmão, o filósofo cínico Metrocles, formava a um grupo de filósofos cínicos da época.

5. Metrocles de Maroneia (sec.IV - sec. III a.C.)

Irmão de Hipárquia, Metrocles foi um filósofo que inaugurou uma atividade que se tornou frequente entre os filósofos cínicos: as anedotas sobre a vida de Diógenes.

Conta-se que Metrocles ao ver Diógenes sendo espancado por alguns jovens, escreveu o nome dos agressores em uma tábua e pendurou em seu pescoço para expô-los ao escárnio enquanto caminhava pelas ruas de Atenas.

6. Mônimo de Siracusa (sec. IV a.C)

Mônimo, nascido em 399 a.C., foi escravo de um cambista grego, quando teve contato com Diógenes e sua filosofia, fingiu-se de louco e atirou as moedas de seu dono pelas ruas.

Depois disso, foi descartado por seu senhor e passou a viver uma vida cínica, seguindo seu mestre, Diógenes.

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).