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ENEM 2020 : Língua Portuguesa
Os cuidados com o corpo vão se tornando uma exigência na modernidade e implicam a convergência de uma série de elementos: as tecnologias, para tanto, vão se desenvolvendo de maneira acelerada; o mercado dos produtos e serviços voltados para o corpo vai se expandindo; a higiene que fundamentava esses cuidados vai sendo substituída pelos prazeres do “corpo”, implicação lógica do processo de secularização, no qual há a identificação da personalidade dos indivíduos com sua aparência. Por todas essas circunstâncias, o cuidado com o corpo transforma-se numa ditadura do corpo, um corpo que corresponda à expectativa desse tempo, um corpo que seja trabalhado arduamente e do qual os vestígios de naturalidade sejam eliminados.

SILVA, A. M. Corpo, ciência e mercado: reflexões acerca da gestação de um novo arquétipo da felicidade. Campinas: Autores Associados; Florianópolis: UFSC, 2001.

O fenômeno social identificado, em relação à presença do corpo na sociedade, indica que

as tecnologias, o mercado dos produtos e serviços e a higiene criaram uma ditadura do corpo.

os cuidados com o corpo na modernidade reforçam a naturalidade da personalidade do indivíduo.

a expansão das tecnologias de cuidado reduz o impacto desempenhado pelos padrões estéticos na construção da imagem corporal.
o enfraquecimento atual dos padrões de beleza favorece o crescimento do mercado de produtos e serviços voltados aos cuidados estéticos.
os padrões estéticos desempenham uma importante função social à medida que induzem à melhoria dos indicadores de saúde na população.
ENEM 2020 : Língua Portuguesa

Estudo da FGV mostra que robôs infestam debate político no Brasil


Um estudo divulgado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas afirma que perfis automatizados em redes sociais já são usados em larga escala no debate político no Brasil — e não para aprimorá-lo. Segundo a pesquisa, esses robôs “se converteram em uma potencial ferramenta para a manipulação de debates nas redes sociais”.


“Nas discussões políticas, os robôs têm sido usados por todo o espectro partidário não apenas para conquistar seguidores, mas também para conduzir ataques a opositores e forjar discussões artificiais. Eles manipulam debates, criam e disseminam notícias falsas e influenciam a opinião pública, postando e replicando mensagens em larga escala. O estudo demonstra de forma clara o potencial danoso dessa prática para a disputa política e o debate público”, diz o diretor da FGV/DAPP, Marco Aurélio Ruediger.


O estudo conclui que os robôs buscam imitar o comportamento humano e se passar como tal, de maneira a interferir em debates espontâneos e criar discussões forjadas. “Com esse tipo de manipulação, os robôs criam a falsa sensação de amplo apoio político a certa proposta, ideia ou figura pública.”


Para a FGV, a participação ostensiva de robôs no ambiente virtual tornou urgente a necessidade de identificar suas atividades e, consequentemente, diferenciar quais debates são legítimos e quais são forjados


GROSSMANN, L. O. Disponível em: www.convergenciadigital.com.br. Acesso em: 25 ago. 2017.


O texto descreve características de uma tecnologia de informação e comunicação contemporânea, que têm se mostrado difíceis de identificar por causa da utilização de

linguagens comuns.

diferentes redes sociais.

informações falsas.

opiniões políticas.

figuras públicas.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa - Produção de Textos — Introdução

Dias depois da morte de D. Mariquinha, Seu Lula, todo de luto, reuniu os negros no pátio da casa-grande e falou para eles. A voz não era mais aquela voz mansa de outros tempos. Agora Seu Lula era o dono de tudo. O feitor, o negro Deodato, recebera as suas instruções aos gritos. Seu Lula não queria vadiação naquele engenho. Agora, todas as tardes, os negros teriam que rezar as ave-marias. Negro não podia mais andar de reza para S. Cosme e S. Damião. Aquilo era feitiçaria. [...]


E o feitor Deodato, com a proteção do senhor, começou a tratar a escravatura como um carrasco. O chicote cantava no lombo dos negros, sem piedade. Todos os dias chegavam negros chorando aos pés de D. Amélia, pedindo valia, proteção contra o chicote do Deodato. A fama da maldade do feitor espalhara-se pela várzea. O senhor de engenho do Santa Fé tinha um escravo que matava negro na peia. [...] E o Santa Fé foi ficando assim o engenho sinistro da várzea.


RÊGO, J. L. Fogo morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.


A condição dos trabalhadores escravizados do Santa Fé torna-se exponencialmente aflitiva após a morte da senhora do engenho. Nessa passagem, o sofrimento a que se submetem é intensificado pela reação à

mania do novo senhor de se dirigir a eles aos gritos.

saudade do afeto antes dispensado por D. Mariquinha.

privação sumária de suas crenças e práticas ritualísticas.

inércia moral de D. Amélia ante as imposições do marido.

reputação do Santa Fé de lugar funesto a seus moradores

ENEM 2020 : Língua Portuguesa


Disponível em: www.comunicaquemuda.com.br. Acesso em: 9 dez. 2017.


A fim de contribuir para a diminuição do número de acidentes de trânsito, essa campanha

proíbe o uso de remédios para evitar o sono na direção.

dá dicas aos motoristas sobre diminuição do cansaço físico.

apresenta a capotagem como consequência da direção perigosa.

atribui ao motorista a responsabilidade pela segurança no trânsito.

conscientiza o motorista sobre a necessidade de controle da velocidade nas estradas.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa - Variação Linguística
O gramático tem uma percepção muito estrita da língua. Ele se vê como alguém que tem de defender a língua da mudança. O problema é que eles, ao se esforçarem para que as pessoas obedeçam às normas da língua, não viram que estavam dando um cala-boca no cidadão brasileiro. Como se dissessem: “Tem de falar e escrever de acordo com as regras. Não fale errado!”. E as pessoas, com medo de não conseguir, falam e escrevem pouco. O dono da língua é o falante, não o gramático. Aprendemos com o falante a língua como ele fala e procuramos saber por que está falando de um jeito ou de outro. Dizer que está falando errado não é uma atitude científica, de descoberta. A linguística substituiu o cala-boca ao prazer da descoberta científica. Foi só com a linguística que se ampliou o olhar e se passou a considerar que qualquer assunto é digno de estudo.

Entrevista de Ataliba de Castilho. Pesquisa Fapesp, n. 259, set. 2017 (adaptado).

Com base na tese defendida na conclusão do texto, infere-se a intenção do autor de

atribuir à gramática os desvios do português brasileiro.

defender uma atitude política diante das regras da língua.

contrapor o trabalho do linguista às prescrições gramaticais.

contribuir para reverter a escassez de produções textuais no país.

isentar o falante da responsabilidade de seguir as normas linguísticas.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa


DOEDERLEIN, J. O livro dos ressignificados. São Paulo: Parábola, 2017.


Nessa simulação de verbete de dicionário, não há a predominância da função metalinguística da linguagem, como seria de se esperar. Identificam-se elementos que subvertem o gênero por meio da incorporação marcante de características da função

conativa, como em “(valeu, galera)!”.

referencial, como em “é festejar o próprio ser.”

poética, como em “é a felicidade fazendo visita.”

emotiva, como em “é quando eu esqueço o que não importa.”

fática, como em “é o dia que recebo o maior número de ligações no meu celular.”

ENEM 2020 : Língua Portuguesa


Disponível em: www.folhavitoria.com.br. Acesso em: 11 dez. 2017.


O uso inusitado do jogo de caça-palavras nessa publicidade de um mercado hortifrúti leva à

alusão a hábitos alimentares saudáveis.

inclusão de carne em uma dieta alternativa.

construção de uma lista de compras lúdica.

ênfase na carne para uma alimentação balanceada.

quebra de expectativa em relação aos itens de um hortifrúti.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa

TEXTO I


A planta de Belo Horizonte


   Foi muito grande o contraste entre a nova capital e as antigas vilas coloniais mineiras, nascidas das necessidades das populações do século XVIII, que se desenvolveram sem nenhum planejamento. A futura capital seria inovadora, moderna e progressista. Assim, o projeto urbanístico que o engenheiro paraense Aarão Reis elaborou para Belo Horizonte causou curiosidade e entusiasmo. 


   É digno de atenção observar os nomes que foram dados às ruas de Belo Horizonte: estados brasileiros, tribos indígenas, rios etc. Mencioná-los era uma verdadeira aula de estudos sociais. Era, inclusive, uma forma de ensinar a população, ainda carente de ensino formal. 


Disponível em: www.descubraminas.com.br. Acesso em: 9 dez. 2017 (adaptado). 


TEXTO II


Ruas da cidade


                                            Guaicurus, Caetés, Goitacazes

                                            Tupinambás, Aimorés

                                            Todos no chão


                                            Guajajaras, Tamoios, Tapuias

                                            Todos Timbiras, Tupis

                                            Todos no chão


                                             A parede das ruas não devolveu

                                             Os abismos que se rolou

                                             Horizonte perdido no meio da selva

                                             Cresceu o arraial, arraial


                                             Passa bonde, passa boiada

                                             Passa trator, avião

                                             Ruas e reis


                                             Guajajaras, Tamoios,

                                             Tapuias Tupinambás, Aimorés

                                             Todos no chão


                                              A cidade plantou no coração

                                             Tantos nomes de quem morreu

                                              Horizonte perdido no meio da selva

                                              Cresceu o arraial, arraial


                                               A parede das ruas não devolveu

                                               Os abismos que se rolou

                                               Horizonte perdido no meio da selva


BORGES, L.; BORGES, M. In: NASCIMENTO, M. Clube da esquina 2. Rio de Janeiro: EMI, 1978 (fragmento).


Os textos abordam a preservação da memória e da identidade nacional, presente na nomeação das ruas belorizontinas. Quais versos do Texto II contestam o projeto arquitetônico descrito no Texto I?

“Guaicurus, Caetés, Goitacazes” / “Tupinambás, Aimorés”.

“A parede das ruas não devolveu” / “Os abismos que se rolou”.

“Passa bonde, passa boiada” / “Passa trator, avião” / “Ruas e reis”.

“A cidade plantou no coração” / “Tantos nomes de quem morreu”.

“Horizonte perdido no meio da selva” / “Cresceu o arraial, arraial”.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa - Semântica

                                 Leia a posteridade, ó pátrio Rio,

                                 Em meus versos teu nome celebrado,

                                 Por que vejas uma hora despertado

                                 O sono vil do esquecimento frio:


                                 Não vês nas tuas margens o sombrio,

                                 Fresco assento de um álamo copado;

                                 Não vês ninfa cantar, pastar o gado

                                 Na tarde clara do calmoso estio.


                                 Turvo banhando as pálidas areias

                                 Nas porções do riquíssimo tesouro

                                 O vasto campo da ambição recreias.


                                 Que de seus raios o planeta louro

                                 Enriquecendo o influxo em tuas veias,

                                 Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.


COSTA, C. M. Obras poéticas de Glauceste Satúrnio. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 out. 2015.


A concepção árcade de Cláudio Manuel da Costa registra sinais de seu contexto histórico, refletidos no soneto por um eu lírico que

busca o seu reconhecimento literário entre as gerações futuras.

contempla com sentimento de cumplicidade a natureza e o pastoreio.

lamenta os efeitos produzidos pelos atos de cobiça e pela indiferença.

encontra na simplicidade das imagens a expressão do equilíbrio e da razão.

recorre a elementos mitológicos da cultura clássica como símbolos da terra.

ENEM 2020 : Língua Portuguesa

Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano; um fim de semana em família em lugar daquele trabalho extra que está me matando e ainda por cima detesto.


Não sei se sou otimista demais, ou fora da realidade. Mas, à medida que fui gostando mais do meu jeans, camiseta e mocassins, me agitando menos, querendo ter menos, fui ficando mais tranquila e mais divertida. Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior.


Nunca fui modelo de nada, graças a Deus. Mas amadurecer me obrigou a fazer muita faxina nos armários da alma e na bolsa também. Resistir a certas tentações é burrice; mas fugir de outras pode ser crescimento, e muito mais alegria.


LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2011.


Nesse texto, há duas ocorrências de dois-pontos. Na primeira, eles anunciam uma enumeração das negociações que podemos fazer conosco. Na segunda, eles introduzem uma

opinião sobre o uso de jeans, camiseta e mocassins.

explicação sobre a simbologia de sapatos e roupas.

conclusão acerca da oposição entre otimismo e realidade.

comparação entre ostentação e conforto em termos de vestuário.

retomada da ideia de negociação discutida no primeiro parágrafo.

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