Fênix

Juliana Bezerra

A Fênix é uma ave mitológica que representa os ciclos da vida, o recomeço e a esperança num futuro melhor.

De origem egípcia, o mito está presente em várias culturas como a grega, romana, árabe e chinesa.

Lenda da Fênix

O mito da fênix
A Fênix prepara seu ninho, morre queimada e renasce das cinzas

A Fênix era uma bela ave que possuía uma força extraordinária e podia viver quinhentos anos. Suas penas seriam vermelhas, enquanto o bico, a cauda e as garras seriam douradas.

Suas lágrimas podiam curar qualquer doença, possuía um lindo canto e ao final da vida entoava uma melodia triste.

Após isto, queimava-se, voltava a ressurgir e as cinzas que sobravam deste processo tinham a propriedade de ressuscitar os mortos.

Segundo algumas versões, a Fênix colocava um ovo e o chocava por três dias ao fim dos quais se produzia o incêndio. Outros afirmam que do fogo aparecia diretamente outra ave fênix.

Significado da Fênix

A Fênix é uma ave que simboliza o renascimento, o triunfo da vida sobre a morte, o eterno recomeçar, porém sem perder a essência ao se tratar sempre da mesma criatura.

Desta maneira, simboliza a vida e seus ciclos, a esperança, o fato de que é preciso dar a volta por cima nas situações adversas.

Fênix e a Mitologia

Muitas culturas possuem o mito de uma criatura voadora dotada de poderes mágicos. Podemos citar o dragão voador presente na cultura de vários países asiáticos ou Quetzalcóatl, a serpente emplumada da civilização asteca.

Os cristãos também utilizam o pelicano como metáfora do renascimento e do sacrifício. Afinal, esta ave, quando não tem alimentos para dar aos seus filhotes, fere-se no peito para nutri-los com sua própria carne e sangue.

Desta maneira, vemos que as aves eram usadas para explicar e simbolizar características da natureza humana em distintas sociedades.

Vejamos alguns exemplos:

Egito

No Egito, havia um pássaro chamado Bennu (ou Benu), que simbolizava a alma de Rá, Deus do Sol e possuía um templo em Heliópolis.

Provavelmente, Bennu deu origem à Fênix no Ocidente, onde chegou através dos escritos do historiador grego Heródoto (484 a.C.- 425 a.C.) sobre suas viagens ao reino do Egito.

Especialistas acreditam que se aparentava à extinta garça de Heron (Ardea bennuides).

Ave fenix antigo Egito
Benu, cujo nome significa "aquele que volta", fazia parte da mitologia egípcia

Roma

Foram os escritores Tácito, Ovídio e Plínio, o Velho, que descreveram a Fênix como uma ave que era capaz de ressurgir das cinzas e cuja versão foi levada ao mundo ocidental.

China

Os chineses também possuem o mito da ave alada, denominada Fenghuang e que seria semelhante a uma águia.

No entanto, a “fênix chinesa” não tem qualquer ligação com o mito ocidental. Apenas indica a boa sorte e lealdade das pessoas e a virtude de um governo.

Pérsia

Em 1177, o poeta sufi Farīd ad-Dīn ʿAṭṭār (1142-1221) escreveu a obra “A Conferência dos Pássaros” onde conta a saga de trinta aves que voam juntas em busca do rei Simorgh.

Dentre elas, está a Fênix, exemplo a seguir de todos que temem a morte, pois ela sabe exatamente o dia do seu falecimento e se prepara para isso.

Curiosidades

  • Apesar de a Fênix ser do gênero feminino em português, em outros idiomas, como o espanhol e o francês, é identificada como sendo pertencente ao gênero masculino.
  • O mito da Fênix ganhou novo fôlego no século XXI ao aparecer na saga de Harry Potter, em videogames e séries televisivas.
  • Fênix é também o nome de uma constelação.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.