Festa do Divino

Juliana Bezerra

A Festa do Divino é uma celebração de origem católica realizada no dia de Pentecostes.

Apesar de suas raízes religiosas, vários elementos populares foram incorporados à festa como a figura do Imperador, o levantamento do mastro e queima de fogos de artifícios. Em Pirenópolis (GO) há a encenação da luta entre cristãos e mouros.

No Brasil, o festejo chegou com os portugueses e pode ser encontrado em várias cidades como Mogi das Cruzes (SP), Paraty (RJ) e no estado de Rondônia.

Origem da Festa do Divino Espírito Santo

Procissão da Festa do Divino Espírito Santo
Aspecto da procissão ao Espírito Santo realizada em Paraty (RJ)

O Espírito Santo é uma das três pessoas reveladas por Jesus Cristo e teria vindo dos céus sobre os Apóstolos e a Virgem Maria cinquenta dias após a Páscoa. Por isso, a festa litúrgica é chamada de Pentecostes e observada pela Igreja Católica desde sua origem.

Em Portugal, a rainha Isabel (1285-1325) foi a responsável pelo impulso dado à celebração. A soberana tornou-se protetora da Irmandade do Espírito Santo e se envolveu na construção da igreja do mesmo nome na cidade de Alenquer.

Assim, a rainha promovia as procissões e festejos no dia de Pentecostes. Do continente, a solenidade se deslocou ao arquipélago dos Açores. Mais tarde, quando os portugueses chegaram para colonizar os territórios na América que seriam o Brasil, trouxeram esta festa.

Festa do Divino Espírito Santo no Brasil

Festa do Divino Imperador
O Imperador desfila após a sua eleição pelas ruas de Pirenópolis/GO

A festa do Divino começa no dia de Pentecostes quando é escolhido um Imperador que será o responsável pela condução da celebração. Em algumas regiões do Brasil a eleição é feita por sorteio, enquanto em outras o bispo aponta a pessoa encarregada.

Igualmente são escolhidos auxiliares que ajudarão o Imperador a fazer a festa. Ao longo de todo o ano, são realizadas cantorias e novenas cujo objetivo é arrecadar fundos para custear as cerimônias.

Oficialmente, no entanto, a festa ao Divino Espírito Santo se inicia com a novena ao Espírito Santo, nove dias antes do Domingo de Pentecostes. Igualmente, a Bandeira do Divino - um pavilhão vermelho com a pomba branca ao centro - é carregada por músicos e rezadeiras que visitam a casa dos devotos para cantar e rezar.

Este ritual também é observado em várias festas do Brasil como a Folia de Reis.

A fim de agradecer as orações é costume que o anfitrião sirva um lanche aos visitantes e faça uma oferenda conforme suas possibilidades econômicas.

Na véspera do Domingo de Pentecostes é realizada uma grande procissão e a ascensão do mastro com a Bandeira do Divino. Em muitas cidades, esta cerimônia é marcada com queima de fogos de artifícios.

Festa do Divino Pai

Outra festa com nome semelhante é a Festa do Divino Pai que ocorre na cidade de Trindade, no estado de Goiás, todo primeiro domingo do mês de julho. Neste dia, a Igreja Católica celebra a festa da Santíssima Trindade.

A celebração é marcada por uma romaria que chega a reunir mais de três milhões de fiéis em torno da Basílica do Divino Pai.

Sua origem se remonta a 1840 quando uma família de lavradores encontrou uma medalha com a imagem da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora.

Bandeira do Divino

Um dos principais símbolos da festa, a bandeira, inspirou o compositor Ivan Lins a escrever uma das suas mais belas canções.

Tanto a letra como a melodia bebem das tradições da moda de viola e resumem o ambiente desta celebração.

Os devotos do Divino
Vão abrir sua morada
Pra bandeira do menino
Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai
Os devotos do Divino
Vão abrir sua morada
Pra bandeira do menino
Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai

Deus nos salve esse devoto
Pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede,
Dando pão a quem tem fome, ai, ai
Deus nos salve esse devoto
Pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede,
Dando pão a quem tem fome, ai, ai

A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta,
Que essa casa seja santa, ai, ai
A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta,
Que essa casa seja santa, ai, ai

Que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
Que o homem seja livre,
Que a justiça sobreviva, ai, ai
Que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
Que o homem seja livre,
Que a justiça sobreviva, ai, ai

Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela guia
A bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai, ai
Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela guia
A bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai, ai

No estandarte vai escrito
Que ele voltará de novo
Que o rei será bendito
Ele nascerá do povo, ai, ai
No estandarte vai escrito
Que ele voltará de novo
Que o rei será bendito
Ele nascerá do povo, ai, ai

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.