Moda de Viola: origem e características da música regional

Juliana Bezerra

A moda de viola surgiu no interior do Brasil e faz parte do universo da música sertaneja.

Inicialmente era um gênero específico dentro dos muitos ritmos que existiam no sertão brasileiro.

No entanto, com o advento do rádio e da ampliação do mercado consumidor, o nome "moda de viola" acabou batizando o jeito peculiar de cantar em dupla acompanhado da viola caipira, a fim de diferenciá-lo de outros gêneros musicais.

Origem da Moda de Viola

Violeiro Almeida Júnior
O Violeiro, de Almeida Júnior (1899)

A viola foi trazida à América Portuguesa (o território que mais tarde seria o Brasil) pelos portugueses. Foram os padres da Companhia de Jesus, também conhecidos como jesuítas, que a espalharam pelo território.

Os religiosos a utilizavam para a catequese dos indígenas e para acompanhar os ofícios religiosos. No sertão brasileiro, recebeu o nome de viola caipira, viola cabocla ou viola brasileira.

Com o tempo, a viola foi sendo levada pelos tropeiros e bandeirantes em suas viagens, seja buscando ouro e indígenas, seja conduzindo o gado.

Por sua parte, a “moda” portuguesa era uma canção aristocrática cantada na corte. Através de versos, o intérprete exaltava a beleza do amor ou os feitos heroicos.

Ao chegar à colônia, como é natural, a música adaptou-se às temáticas nativas. Saem os grandes guerreiros e entram os boiadores e pescadores, que passavam por verdadeiras aventuras para sobreviver.

Igualmente, as modas de viola falam de temas religiosos. Uma das festas mais populares do país, a Folia de Reis, é uma celebração onde grupos de músicos, entre eles vários violeiros, levam a imagem do Divino Espírito Santo às casas.

Modas de Viola Caipira

A moda de viola é um gênero musical que até hoje conquista fãs. Aqui estão as dez modas de viola mais importantes:

  1. A morte do Carreiro, Carreiro e Carreirinho
  2. Rei do Gado, Tião Carreiro
  3. Nelore Valente, Antônio Carlos da Silva e Sulino
  4. Moça Boiadeira, Raul Torres e Florêncio
  5. Boi Soberano, Carreirinho, Isaltino de Paula e Pedro Oliveira
  6. Sapato 42, João Mulato e Douradinho
  7. Festa da Bicharada, Raul Torres
  8. Minha vida, Tião Carreiro
  9. Bombardeio, Zé Carreiro e Carreirinho
  10. Catimbau, Tião Carreiro e Pardinho

Modão de Viola

Nos anos 80, a moda de viola foi influenciada pelo pop com o acréscimo de instrumentos e novas batidas.

Já no século XXI, com a incorporação da música country americana, o gênero da moda de viola conheceu uma renovação. Assim, surgiu o termo "modão" para designar os grandes sucessos executados por artistas mediáticos.

Igualmente, com o crescimento da vertente evangélica surgiu a "moda de viola gospel" na qual as letras falam de temas religiosos.

Ritmo da Moda de Viola

Como não há uma regra fixa, podemos dizer que, de modo geral, o violeiro introduz os acordes e o violão entra, geralmente, no segundo compasso. No terceiro, ambos se põe a cantar.

Há uma infinidade de ritmos dentro da moda de viola. Além disso, temos que levar em conta a diversidade regional brasileira que faz com que cada canto do Brasil tenha, praticamente, sua variante desse gênero.

Encontramos a guarânia, a catira, o rasqueado, o cururu, a modinha, e mais tarde, a polca, a valsa e a ranchera.

Saiba como Tocar Moda de Viola

Viola ou Violão?

Apesar de serem parecidos e indispensáveis para as modas de viola, a viola e o violão guardam importantes diferenças.

A viola possui 10 cordas, dispostas em 5 pares, enquanto o violão possui seis cordas simples.

Igualmente, o tamanho é distinto. O violão profissional pode alcançar de 96,5 a 101,6 centímetros e a viola é menor.

No entanto, todas essas diferenças tornam-se complementos quando escutamos uma boa dupla ou um bom conjunto entoando canções sertanejas de raiz.

Curiosidade sobre o Violão

Somente no Brasil chama-se o violão por esse nome, pois em vários países lusófonos, inclusive Portugal, denomina-se guitarra.

Uma das teorias mais aceitas é a de que a viola já era largamente utilizada no país antes da chegada do violão. Este, por ser maior, recebeu o sufixo –ão, para designar que era uma “viola grande”.

Não deixe de conferir os textos abaixo para saber mais:

Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.