Formação do Povo Brasileiro: história e miscigenação

Juliana Bezerra

O povo brasileiro é resultado da miscigenação de vários povos.

Os indígenas, os portugueses e os africanos são os principais grupos.

No entanto, há vários imigrantes europeus e asiáticos que vieram para o Brasil, especialmente a partir do século XIX, que também formaram o povo brasileiro.

Os Indígenas e a formação do Brasil

O território que se tornaria o Brasil registra a presença de humanos há 12 mil anos.

Os indígenas ocupavam toda superfície, especialmente o litoral. Não devemos pensar que se tratavam de um único povo, mas sim de várias tribos indígenas, cada uma com sua língua e costumes.

A etnia mais numerosa eram a dos tupis-guaranis, e foram com eles que os portugueses travaram contato.

Os tupis conheciam a natureza, tinham nomeado os montes, praias e rios, sabiam quais as ervas eram nocivas ou não. Tudo isso foi ensinado aos portugueses.

Um dos exemplos mais claros da permanência da cultura indígena no Brasil pode-se comprovar através dos nomes próprios, como Itapoã, Piratininga, Pará, etc.

Na culinária, destaca-se o uso intensivo da mandioca, planta que havia sido domesticada pelos indígenas e que é item obrigatório em vários pratos brasileiros.

Indígenas
A cultura indígena sobrevive no Brasil através da arte

Os Europeus e a origem do povo brasileiro

Portugueses

O primeiro grupo europeu a aportar no Brasil foram os portugueses. Estes realizaram as viagens marítimas com vários objetivos: queriam metais preciosos, terras, expandir o cristianismo e glória nas batalhas. Motivos não faltaram para cruzar o “Mar Oceano”.

Os portugueses introduziram novos conceitos de sociedade, economia e religião, muito diferentes aos costumes indígenas. Um dos exemplos é a economia: ao invés de plantar para subsistência, agora era preciso cultivar produtos em grande escala que pudessem ser vendidos no mercado europeu.

Também trouxeram sua religião e a impuseram aos indígenas. Através da crença, vieram as festas, o idioma (latim e o português) e uma nova filosofia de vida. Ao invés de vários deuses, agora, adorava-se somente uma divindade, havia um livro para seguir e uma hierarquia de sacerdotes.

Além da religião, o português passou a ser o idioma do novo território, assim como a organização política e a economia capitalista.

Holandeses

Igualmente, durante o período colonial, temos que considerar a influência dos holandeses, especialmente em Pernambuco.

A chegada dos holandeses significou a vinda de uma nova religião, o calvinismo. No princípio, este gerou vários conflitos de ordem religiosa com episódios de destruição de templos católicos.

Os holandeses, também chamados de batavos, permaneceram vinte e quatro anos até serem expulsos por uma armada luso-espanhola.

Os Africanos na formação do Brasil

Os africanos foram trazidos para serem escravos nas Américas.

No entanto, cada indivíduo trouxe seu idioma, sua fé e suas habilidades. Desta maneira, este saber foi se disseminando tanto nas fazendas onde trabalhavam como nos quilombos, que eram espaços de liberdade.

Apesar de toda brutalidade da escravidão no Brasil, os africanos introduziram alimentos, como o feijão e o quiabo. Na música, sua influência daria a cadência e o ritmo sincopado próprio da música popular brasileira.

Igualmente, na dança, verificamos que o jeito de mover a cintura foi herdada dos africanos, o que originou uma infinidade de bailes como o maxixe e o samba.

Os africanos, como os povos iorubás e jejes, trouxeram a religião e seus orixás, que foram misturados com a crença cristã. Isto deu origem aos terreiros de Candomblé e, posteriormente, à Umbanda no Brasil.

Além disso, várias palavras africanas foram incorporadas ao português brasileiro, como quilombo, marimbondo, moleque, farofa, cochichar, quitute, etc.

Influência africana no Brasil
Festas como o maracatu são de influência africana

Imigrantes Europeus no Brasil nos séc. XIX e XX

Durante o século XIX, após vinda da corte portuguesa, os portos brasileiros foram abertos para o comércio com outras nações. Igualmente, pessoas de qualquer nacionalidade que desejavam fazer uma vida melhor, puderam se estabelecer no Brasil.

Desta maneira, levas de italianos, alemães, suíços, poloneses, espanhóis e árabes de diversas procedências vieram ao Brasil.

Cada uma dessas ondas de imigrantes acrescentou sua cultura e seus costumes ao Brasil. Assim, temos uma série de pratos, como o quibe e a esfirra, de origem árabe; bem como a introdução das massas e almôndegas pelos italianos, por exemplo.

Por sua parte, no começo do século XX a imigração japonesa foi estimulada pelos governos de ambos os países. Como consequência, o Brasil tem a maior população de descendentes de japoneses no mundo.

Mestiçagem no Brasil

A união entre os diferentes biotipos humanos acabou gerando indivíduos que não eram completamente indígenas, brancos ou negros, no que se refere ao aspecto genético.

Este fenômeno é chamado de miscigenação ou mestiçagem e está muito presente na sociedade brasileira.

Como esta era uma sociedade que se pautava sobretudo pela cor da pele, os novos tons ganharam nomes específicos.

Vejamos alguns deles:

Nome Origem
Mameluco, caboclo, caiçara mestiço de branco com índio (a coloração da pele acobreada lembrava os mamelucos egípcios)
Curiboca filho de índio com mameluco
Mulato filho de negro com branco
Pardo filho de mulato com branco
Cafuzo filho de negro com índio
Cabra filho de negro com mulato
Crioulo filho de pais negros, nascidos no Brasil

Desta maneira, percebemos que o povo brasileiro tornou-se uma grande mistura, tanto cultural e religiosa, como genética.

Este fenômeno foi estudado por vários autores, dentre os quais:

  1. Gilberto Freyre, em sua obra Casa-grande e Senzala;
  2. Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra Raízes do Brasil;
  3. Darcy Ribeiro, em sua obra Formação do Povo Brasileiro;
  4. Oliveira Viana, em sua obra Populações Meridionais do Brasil;
  5. Euclides da Cunha, , em sua obra Os Sertões;
  6. Paulo Prado, , em sua obra Retrato do Brasil;
  7. Florestan Fernandes, , em sua obra Corpo e Alma do Brasil.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.