Guerra do Paraguai

Juliana Bezerra

A Guerra do Paraguai foi um conflito armado ocorrido entre os anos de 1864 e 1870.

Os países envolvidos foram Brasil, Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança para combater o Paraguai.

O combate ocorreu porque o Paraguai pretendia anexar territórios do Brasil e da Argentina. Igualmente, estava em jogo o controle pela Bacia do Prata.

A Guerra do Paraguai terminaria com a vitória da Tríplice Aliança.

Causas da Guerra do Paraguai

Expansão paraguaia

A Guerra do Paraguai aconteceu devido ao desejo do ditador Solano López criar o "Grande Paraguai". Para isso, ele pretendia anexar áreas do Brasil e da Argentina que o permitissem possuir uma saída para o mar.

Navegação na Bacia do Prata

Por sua parte, o Brasil pedia a livre navegação nos rios que cortavam o Paraguai, pois era a única maneira de se chegar a Cuiabá (MT).

Situação no Uruguai

Igualmente, a situação interna do Uruguai sempre foi do interesse dos três países, pois estava situado em um ponto estratégico, a beira do Rio da Prata.

Brasil e Argentina apoiavam os colorados, enquanto Solano López, era partidário dos seus adversários, os blancos.

O Paraguai antes da Guerra

Antes da guerra, o Paraguai era um país agrário, mas passou a desenvolver a indústria bélica, devido aos planos de expansão de Solano López.

Desde sua independência, em 1811, o Paraguai procurou se isolar dos conflitos regionais como a Guerra da Cisplatina, em 1825-1827.

Ao assumir a presidência, em 1862, o ditador Solano López (1827-1870) continuou a política econômica nacionalista de seus antecessores. No entanto, passou a apoiar grupos na Argentina e no Uruguai que coincidissem com seus interesses.

Um desses grupos eram os blancos, no Uruguai, que poderiam permitir o uso do porto de Montevidéu pelos paraguaios. Já na Argentina, Solano López se aliou aos federalistas, inimigos do então presidente Bartolomeu Mitre.

Situação do Uruguai e a Guerra do Paraguai

Quando o Uruguai conquista sua independência em 1825, o país ficou dividido entre duas facções políticas: blancos (brancos) e colorados (vermelhos). Brasil e Argentina, a fim de manter sua influência, apoiavam os colorados.

Em 1864, a coalizão entre os dois partidos se desfez e os colorados tramaram para tirar do poder o chefe desta aliança, Bernardo Berro.

Inicia-se a guerra civil no Uruguai. Os colorados pedem ajuda ao Brasil que envia tropas para o Uruguai. Também contam com o auxílio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina. Por sua parte, os blancos receberam o apoio de Solano López e dos inimigos de Mitre.

Devido a superioridade bélica, os colorados conseguiram derrotar os blancos em 1864. No entanto, Solano López atravessa o território argentino - sem autorização do presidente Mitre - para atacar os brasileiros.

Este fato seria o estopim da Guerra do Paraguai.

Início da Guerra do Paraguai

Em novembro de 1864, Solano López mandou aprisionar o navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, que rumava em direção a Cuiabá (MT).

Apesar de ser um navio mercante, Solano López desconfiava que havia armas escondidas nos porões. Logo em seguida atacou a cidade de Dourados (MT).

No ano seguinte, tropas paraguaias atravessaram o território argentino - sem autorização das autoridades argentinas - e conquistaram o Rio Grande do Sul. Meses depois, o território seria retomado na Batalha do Riachuelo.

Tratado da Tríplice Aliança

Diante disso, o governo brasileiro propõe aos vizinhos, Argentina e Uruguai, um tratado de ajuda mútua contra Solano López.

Em 1º de maio de 1865 é formalizado o Tratado da Tríplice Aliança entre os três países envolvidos na guerra. As tropas aliadas ficariam sob comando do presidente argentino Bartolomeu Mitre.

Principais Batalhas da Guerra do Paraguai

Batalha de Tuiuti

Em 24 de maio de 1866, travou-se a Batalha de Tuiuti, que terminou com um saldo de 13 mil mortos. As forças paraguaias atacaram os aliados num terreno pantanoso e, inicialmente, abriram vantagem. Atrasos e a má distribuição de armas, porém, favoreceram a vitória da Tríplice Aliança.

Apesar de vitorioso nessa batalha, o general Osório deixou o comando das forças brasileiras e foi substituído pelo Marquês de Caxias (futuro Duque de Caxias).

A batalha do Tuiuti é considerada o maior combate campal da América do Sul.

Retirada da Laguna

Em 1867, tropas brasileiras tentaram libertar parte do Mato Grosso, que estava em mãos paraguaias.

Uma coluna partiu de Minas Gerais e se dirigiu até o Mato Grosso. Sofrendo doenças e falta de mantimentos, os brasileiros foram derrotados pelas tropas de López, no episódio conhecido como a Retirada da Laguna (MS).

Batalha de Humaitá

Caxias era considerado um dos militares mais experientes do Exército brasileiro. Foi chamado pelo governo imperial a fim de organizar e traçar uma estratégia para alcançar a vitória.

Desta maneira foi o responsável por uma série de triunfos militares que tinha como objetivo conquistar o forte de Humaitá, capturado em 19 de fevereiro de 1868. Assim, as tropas aliadas puderam avançar no território paraguaio.

Dezembrada

A dezembrada consiste em três batalhas travadas em em Itororó, Avaí, Angostura e Lomas Valentinas, em dezembro de 1868.

Em seguida, as tropas aliadas marcham sobre a cidade de Assunção, vencendo o conflito.

Final da Guerra do Paraguai

Soldados da Guerra do Paraguai
Prisioneiros de guerra paraguaios em Assunção

Depois de conquistar Assunção, em janeiro de 1869, Caxias deixou o comando da guerra para o genro de D. Pedro II, o príncipe Luís Gastão, conde d’Eu.

O novo comandante tinha ordens expressas do imperador para capturar Solano López vivo ou morto. Assim, diante da não rendição do exército paraguaio, o conde d'Eu perseguiu Solano López e seus soldados.

A luta só terminou com o desaparecimento do ditador paraguaio em Cerro Corá, em 1º de março de 1870, que foi morto por se recusar a se render. Era o fim da guerra entre Brasil e Paraguai.

Consequências da Guerra do Paraguai

A guerra deixou grandes prejuízos tanto no Brasil como no Paraguai, que foi arrasado. Aproximadamente 80% da população masculina foi dizimada e o que restou eram velhos, crianças e mutilados de guerra.

O enfrentamento deixou as poucas indústrias existentes destruídas, a terra sem cultivo e a população passou a viver basicamente da lavoura de subsistência.

Além disso, perdeu parte do território para a Argentina e para o Brasil, e contraiu uma dívida de guerra com os países da Tríplice Aliança. O Uruguai a perdoou em 1885, a Argentina em 1942 e o Brasil, em 1943.

Com relação ao Brasil, a contenda custou milhares de vidas e afetou bastante a economia, sendo necessário tomar vários empréstimos para manter o equilíbrio financeiro.

Por outro lado, ao terminar a guerra, o Brasil conseguiu a liberdade de navegação na Bacia do Prata e tinha um exército vitorioso e modernizado.

A Argentina assegurou os territórios que antes eram contestados por Solano López como a província de Corrientes e a região do Chaco.

A Inglaterra não participou diretamente do conflito, porém foi o único país a lucrar com ela. O país ampliou seus mercados na América, emprestou dinheiro para a reconstrução do Paraguai e para o Brasil, que aumentaram sua dívida.

saldo de mortos na guerra do Paraguai

Infográfico sobre o saldo de mortos na Guerra do Paraguai

Curiosidades sobre a Guerra do Paraguai

  • No fim da guerra, Solano López ordenou que as crianças acima de 12 anos participassem das batalhas usando barbas postiças. Assim, a maioria foi assassinada pelo exército brasileiro.
  • A fim de aumentar o contingente de soldados, o governo brasileiro instituiu os “Voluntários da Pátria”, em 1865. Aos homens livres eram prometidos lotes de terra, dinheiro, pensão para as viúvas. Aos escravos era oferecida a liberdade quando voltassem.
  • O Exército paraguaio construiu um canhão a partir da fundição de sinos de várias igrejas de Assunção, conhecido "canhão cristão" e apreendido pelo Exército brasileiro durante o conflito. Atualmente, ele se encontra no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Em 2014, o bisneto de Solano López, pediu ao governo brasileiro que o devolvesse.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.