História do Futebol


O futebol já foi um ritual de guerra, mas o modelo que conhecemos hoje foi organizado na Inglaterra em 26 de outubro de 1863. Essa é a data da fundação da Football Association, em Londres.

No Brasil, Charles Miller introduziu oficialmente o esporte em 1894, no Rio de Janeiro. A prática, contudo, é muito antiga, com registros na China, Japão, América pré-hispânica, Grécia, Roma e Itália.

O Futebol no Brasil

No Brasil, a primeira agremiação que teve o futebol incluído foi o Club Brasileiro de Cricket. Foi em 1880, no Rio de Janeiro, mais precisamente na área delimitada pelas ruas Carlos de Campos, Pinedo e Paissandu, no Flamengo.

Da data de fundação até 1886, o clube atraía por volta de 3 mil pessoas. Foi, contudo, o brasileiro descendente de ingleses Charles Miller quem introduziu oficialmente o futebol no Brasil.

Miller nasceu em 1874 e em 1894 retornou ao país da Inglaterra, onde fora estudar. Na bagagem trouxe duas bolas de futebol, dois uniformes completos, uma bomba e uma agulha.

Na mesma época, o professor alemão Hans Noibiling fundou em São Paulo o Germânia – hoje Pinheiros – e o carioca Oscar Cox funda o Fluminense Football Club.

Cox organizou em 1º de agosto de 1901 a primeira partida de futebol do país no Rio Cricket Association, em Niterói.

Em campo, uma equipe de brasileiros enfrentou um time de jogadores ingleses. A partida terminou empatada em 1X1.

A partir de então, Miller e Cox passam a incentivar a criação de clubes em São Paulo e Rio de Janeiro, promovem partidas e disseminam o esporte.

As primeiras ligas

As ligas do esporte são fundadas primeiramente em São Paulo, 1901. O Rio de Janeiro forma sua liga em 1905 e em 1915 já são registradas ligas na Bahia, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e no Rio Grande do Sul.

São Paulo e Rio de Janeiro iniciam a partir de 1915 uma intensa disputa para representarem o futebol brasileiro no exterior.

Cada um deles cria sua própria entidade, a Federação Brasileira de Futebol em São Paulo e a Federação Brasileia de Esportes no Rio de Janeiro.

O impasse foi resolvido pelo embaixador Lauro Muller, com a criação da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em 6 de novembro de 1915.

A CBD foi reconhecida oficialmente pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) dois anos depois. Em 1930, ocorre a primeira Copa do Mundo, disputada no Uruguai, que foi campeão.

Na ocasião, a equipe brasileira ficou na sexta posição. A primeira conquista do Brasil aconteceu somente na sexta Copa do Mundo, na Suécia em 1958 na Suécia, quando a Seleção Brasileira venceu o time da casa por 5X1. Os destaques eram os jogadores Pelé, que tinha 17 anos na época, e Garrincha.

Esporte era proibido aos negros

No início, o futebol era proibido aos negros, recém libertos em 1888. Somente em 1988, a Federação Brasileira de Sports autorizou os clubes e entidades regionais a aceitarem negros.

Ainda assim, em 1921, houve proibição de maneira “informal” da participação de atletas negros na equipe do Brasil que disputaria o campeonato sul-americano na Argentina. Além dos atletas, os integrantes da delegação também não podiam ser negros.

Historiadores apontam que o governo e os clubes justificaram a medida para evitar manifestações racistas na época.

A primeira equipe a permitir negros foi o Clube de Regatas Vasco da Gama, que conquistou o campeonato carioca em 1923. O sucesso do Vasco incentivou outros times a também aceitarem negros no quadro de jogadores.

Futebol era um ritual

Na China, por volta de 2.600 a.C., um ritual denominado TsüTsü consistia no uso da cabeça do chefe de inimigos por parte das tribos vencedoras como bola a ser chutada pelos vencedores.

Os guerreiros acreditavam que, pelo pé, assimilariam a inteligência, valentia, força, habilidade e liderança do inimigo. Relatos semelhantes são encontrados na Europa Medieval e no século X, na Inglaterra.

Também por volta de 2.600 a.C., começa no Japão a prática do Kemary, cujo objetivo é o controle da bola com os pés, revelando plasticidade, delicadeza e elegância.

É uma cerimônia que ainda existe e celebra o “autoconhecimento, automeditação, autocontrole e autoaprendizagem". Serve, ainda, de base para a disciplina.

No período compreendido entre 1.200 e 1.600 a.C., a América pré-hispânica inicia a prática do Tlachtli, jogado com uma bola de borracha dura e cuja finalidade era representar a batalha entre a luz e a escuridão.

Ao fim da disputa, um dos jogadores era decapitado, seu corpo colocado ao lado do campo e o sangue usado para purificar o espaço.

Esporte da Aristocracia

Menos violento eram o Epyskiros e o Harpastum, praticados na Grécia a partir do século IV a.C. e em Roma. As disputas eram marcadas pelo jogador que deveria, com os pés, levar a bola até o lado adversário.

O esporte era reservado aos aristocratas, mas o povo estava liberado para a prática em festas para homenagear Baco, o deus do Vinho.

Mais parecido com o modelo praticado nos dias de hoje, o Calcio era praticado na Itália no século XIV pela nobreza.

Os jogadores deviam respeitar um espaço de 120 metros por 180 metros marcados por balizas de madeira nas extremidades. As equipes tinham entre 25 a 30 integrantes cada.

Claramente, o objetivo do jogo era fazer a bola atravessar a trave do adversário. Foi este o modelo levado para a Inglaterra no século XVII por partidários de Carlos II exilados na Itália.

Inglaterra Regulamenta o Futebol

Em solo inglês, o futebol foi regulamentado como maneira de organizar as regras surgidas e seguidas nos diversos colégios onde era praticado entre 1810 e 1840.

Assim, em 1863, uma reunião a Old Freemanson’s Tavern, sediada na Great Queen Street organizou a prática.

Na ocasião, 11 colégios participaram da discussão. Esta seria a explicação do porquê deste ser o número de jogadores definido para cada uma das equipes em campo.

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