Livros para ler e manter a mente ligada durante a quarentena (2020)

Pedro Menezes

Para manter a mente ligada e utilizar o tempo livre como forma de manter o foco na formação e no conhecimento, escolhemos 25 dos melhores livros para ler durante esse período.

1. Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Harari

Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Harari

Nesse livro, o autor faz um apanhado histórico da humanidade, desde a coexistência do homo sapiens com outras espécies humanas até os avanços tecnológicos e políticos dos dias atuais.

O autor faz um misto de história, paleontologia, antropologia e sociologia, que coloca o leitor em contato com diferentes ciências em uma proposta interdisciplinar.

O livro pode fazer com que o estudante tenha uma boa leitura do percurso percorrido pela humanidade ao longo da história. Além disso, algumas questões são postas em debate ou são trazidas para a reflexão.

2. Breves respostas para grandes questões, de Stephen Hawking

Breves respostas para grandes questões, de Stephen Hawking

O livro é uma coletânea de textos escritos pelo físico e astrônomo Stephen Hawking, que respondem a algumas questões feitas a ele ao longo de sua carreira.

Deus existe? Como tudo começou? Podemos prever o futuro? O que há dentro de um buraco negro? A viagem no tempo é possível? Como moldaremos o futuro? São algumas das questões encontrada no livro.

3. Ideias Para Adiar o Fim do Mundo, Ailton Krenak

Ideias Para Adiar o Fim do Mundo, Ailton Krenak

O livro é uma compilação de ideias expostas por Ailton Krenak, um dos maiores pensadores indígenas do país.

O eixo central do livro é uma crítica à percepção dos seres humanos como sendo apartados da natureza. Para o autor, esse pensamento faria com que os seres humanos se sentissem superiores à natureza, podendo dominá-la e até destruí-la, caminhando para o fim do mundo.

O livro propõe um novo modo de existência que perceba os seres humanos como iguais a tudo o que a natureza já produziu.

4. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

Em Ensaio sobre a cegueira, José Saramago, escritor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, narra a trajetória de uma epidemia que causa nas pessoas uma cegueira branca.

O caos gerado por essa epidemia faz eclodir as características mais nefastas dos seres humanos, gerando um ambiente de dor, incerteza e falta de esperança. Apenas a uma personagem é dado o poder de enxergar e observar as faces mais perversas e cruéis das pessoas.

5. Senhor das moscas, de William Golding

Senhor das moscas, de William Golding

Outro vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que expõe a natureza violenta e caótica dos seres humanos é Willian Golding.

Em Senhor das moscas, o autor retrata a vida de adolescentes sobrevivente da queda de um avião, que ficam presos em uma ilha deserta.

Ao longo da trama, a liberdade da ausência de autoridade vai se transformando em um exemplo clássico do estado de natureza hobbesiano de guerra de todos contra todos.

6. Revolução dos Bichos, George Orwell

Revolução dos Bichos, George Orwell

Revolução dos bichos, é, segundo o próprio Orwell, um conto de fadas. Nele, animais de uma fazenda promovem uma revolução para se libertar de seus donos humanos opressores.

A trama mostra o declínio da sociedade dos animais. Em pouco tempo, o ambiente livre e igualitário, logo após a revolução, dá lugar a uma tirania cheia de privilégios dominadas por um grupo de porcos, mais dura e perversa que anterior (humana).

O livro é uma alusão crítica ao processo revolucionário ocorrido na Rússia e o socialismo soviético, que teve um início promissor com Lênin e seu declínio com os caminhos adotados por Stálin.

George Orwell também é autor de um dos mais clássicos livros que retratam um futuro distópico: 1984. Nesse livro, o autor criou o conceito de big brother, uma entidade que onisciente que observa e julga a ação de todos, utilizado pelo famoso reality show.

7. Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

Admirável mundo novo, Aldous Huxley

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, são os exemplos mais clássicos de distopias na literatura.

Ao contrário de 1984, onde tudo era proibido e controlado pelo Estado, em Admirável mundo novo, há uma supervalorização dos indivíduos que vivem em uma absoluta permissibilidade e liberdade.

Essa suposta liberdade contrasta com um severo regime de castas e uma série de regras internalizadas e, por isso, intransponíveis.

Tudo isso aliado ao consumismo e a uma droga, chamada "soma", administrada aos cidadãos, que os impede de vivenciar o sofrimento.

8. Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Publicado em 1953, Fahrenheit 451, é uma ficção que aponta para um futuro (próximo) distópico. Nele, há uma sociedade baseada no controle de seus cidadãos e na repressão, onde o conhecimento e o pensamento crítico são proibidos.

O personagem principal é um funcionário do governo responsável pela queima de livros, chamado de "bombeiro". O nome Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura de queima do papel (451º F ou 233º C).

Junto com 1984, de George Orwell, é uma das clássicas previsões de um futuro no qual a televisão cumpre um papel importante para a formação da compreensão de mundo, favorecendo a manutenção do status quo.

9. O Conto da Aia, Margaret Atwood

O Conto da Aia, Margaret Atwood

O Conto da Aia é um livro multi-premiado, escrito por Margaret Atwood em 1985. Apresenta também um futuro distópico, deu origem à famosa série de TV de mesmo nome (originalmente, The handmaid's tale).

Em O Conto da Aia, a autora descreve uma sociedade baseada em um fundamentalismo religioso, misógina e estratificada, controlada por homens, pela perspectiva sua protagonista Offred/June.

Offred é um nome dado pelo sistema, of Fred significaria "de Fred" (Fred é o nome do comandante que a possuía). Seu nome real, antes da instituição do regime teocrático, era June.

Nesse lugar, as mulheres são divididas em castas de acordo com uma função social pré-estabelecida. Offred, que é uma aia (criada, ama) de um dos comandantes do sistema, passa a ter um papel importante na resistência ao regime.

10. Persépolis, de Marjane Satrapi

Persépolis, de Marjane Satrapi

Persépolis é um relato autobiográfico em forma de quadrinhos. Nele, a autora Marjane Strapi relata sua vida dos seis aos quatorze anos, no período da revolução islâmica ocorrida no Irã.

O livro levanta questões sobre a relação entre o governo e seus cidadãos, as repressões vividas e os eventos cotidianos sob a ótica de uma menina.

Persépolis combina sua belíssima ilustração a relatos históricos, dando um olhar denso e particular sobre uma época.

11. As origens do totalitarismo, Hannah Arendt

As origens do totalitarismo, Hannah Arendt

A filósofa Hannah Arendt faz um estudo sobre o desenvolvimento do antissemitismo até o apogeu e declínio do regime totalitário na Alemanha nazista.

Nele, a pensadora debate a ideia do terror e a violência como formas de controle de grandes massas populacionais e a construção de um ideal político fundamentado na extinção de um outro povo.

12. O diário de Anne Frank, de Anne Frank

O diário de Anne Frank, de Anne Frank

O clássico de Anne Frank, relata o período em que a menina viveu com sua família escondida em um cômodo oculto de um prédio em Amsterdã.

Durante os mais de dois anos de invasão, a menina documentou em seu diário os episódios ocorridos com ela e seus familiares durante a segunda guerra.

13. Maus, de Art Spiegelman

Maus, de Art Spiegelman

Art Spiegelman, cartunista, em Maus, relata a experiência de seu pai em Auschwitz, famoso campo de concentração nazista, durante a segunda guerra.

O livro é em formato de quadrinhos. Nele, os nazistas são representados como gatos, enquanto os judeus são desenhados como ratos (maus, em alemão) e sofrem os horrores do holocausto.

O autor desenvolve as relações conflituosas com seu pai e as contradições relacionadas ao sentido de ser um judeu sobrevivente de um campo de concentração.

14. Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro

Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro

A filósofa Djamila Ribeiro busca em seu livro debate de forma simples diversas questões relacionadas ao racismo estrutural existente no Brasil.

A autora visa estimular reflexões sobre o racismo, evocando o pensamento de autoras e autores que são especialistas em questões de opressão e dominação racial.

15. Casa grande e senzala, de Gilberto Freyre

Casa grande e senzala, Gilberto Freyre

Casa grande e senzala é um dos grandes clássicos da literatura brasileira. Nele, o sociólogo Gilberto Freyre faz um apanhado sobre a formação do povo brasileiro.

O autor mostra a sociedade brasileira sendo formada a partir de um processo de miscigenação entre os indígenas originários do Brasil, os negros africanos escravizados e os brancos europeus.

O livro é alvo de inúmeros debates, críticas e estudos acerca da formação da sociedade brasileira e da democracia racial no país.

16. O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

O povo brasileiro é a principal obra do antropólogo Darcy Ribeiro. Aponta para o processo de formação da sociedade brasileira, a presença de diferentes "brasis" dentro do Brasil e a coesão em torno de uma ideia de nação.

Nele, o autor debate a forma de ocupação e urbanização presente no país, bem como as desigualdades presentes nesse sistema e os modos de desenvolvimento de um povo-nação com uma própria etnia nacional.

17. Estação Carandiru, de Drauzio Varella

Estação Carandiru, de Drauzio Varella

O best-seller de Drauzio Varella é uma compilação dos relatos dos presos da Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru). Foram coletados durante o período em que trabalhou como médico voluntário na prevenção de doenças infecciosas dentro do sistema carcerário.

O livro de relatos se encera com o episódio do massacre ocorrido em outubro de 1992, em que 111 presos foram mortos durante uma rebelião, 102 deles pela polícia de São Paulo.

O livro deu origem ao filme Carandiru, que conta com a participação de Milton Gonçalves, Rodrigo Santoro, Lázaro Ramos, Wagner Moura, entre outros.

18. 1968: o ano que não terminou, de Zuenir Ventura

1968: o ano que não terminou, de Zuenir Ventura

O romancista e jornalista Zuenir Ventura escreve sobre 1968, um dos anos mais conturbados do século XX. 1968, foi um ano de extrema efervescência na política, como o mítico maio de 68 francês, em que as manifestações por liberdade ecoaram em todo o mundo.

No Brasil, Zuenir Ventura retrata o ano de endurecimento do regime militar, que culminou na promulgação do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), no dia 13 de dezembro de 1968.

19. A hora da estrela, de Clarisse Lispector

A hora da estrela - Clarisse Lispector

O livro A hora da estrela é uma das maiores obras da literatura brasileira. Nele, Clarisse Lispector faz emergir questões existenciais e filosóficas que levam o leitor a mergulhar no íntimo da personagem principal, Macabea bem como do narrador, Rodrigo S. M. (que representa a própria autora).

As questões relativas à vida e a morte, ao sentido atribuído às relações e, também para as questões de migração dentro do país estão constantemente presentes ao longo da trama.

A hora da estrela é uma leitura incontornável para quem se interessa pelos clássicos da literatura nacional.

20. Noites tropicais, de Nelson Motta

Noites tropicais - Nelson Motta

Para quem gosta de livros sobre música, o livro do jornalista e escritor Nelson Motta é uma viagem pelos bastidores da MPB.

O livro é remonta a memória de inúmeros momentos da música brasileira ocorridos desde o final dos anos de 1950 até o início da década de 1990.

21. Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés

Mulheres que correm com os lobos, de Clarissa Pinkola Estés

A autora Clarissa Pinkola Estés é também uma psicanalista junguiana. Em seu livro, ela faz uma análise de 19 mitos, lendas e contos de fadas, para perceber a forma como é construído o papel da mulher na sociedade.

O objetivo da autora é resgatar o arquétipo feminino através do reconhecimento dos processos de docilização e domesticação da natureza selvagem da mulher.

22. O segundo sexo, de Simone de Beauvoir

Segundo sexo - Simone de Beauvoir

A filósofa e escritora Simone de Beauvoir é um dos maiores expoentes do feminismo no mundo. O segundo sexo revolucionou o debate acerca da condição feminina e até hoje é leitura obrigatória para quem quer se aprofundar no tema.

Nele, a autora discute a condição objetificada da mulher como um "não-homem", sem direito a sua própria subjetivação e existência.

O termo "homens" como sinônimo de humanidade, mostra-se como um indício inequívoco de que a dominação masculina perpassa diversas áreas, dentre elas a própria linguagem.

23. Sejamos todos feministas, Chimamanda Adichie

sejamos todos feministas - Chimamanda Adichie

O livro é um desafio lançado pela escritora e ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, autora de diversos best-sellers que abordam as questões relacionadas ao feminismo.

O livro é uma adaptação de uma conferência proferida TEDx. Nela, a autora fala sobre desigualdades e a necessidade de mudarmos a forma como se educa e como se age no mundo, em prol de um mundo mais justo e feliz para ambos os sexos.

Essa conferência dada por Chimamanda Adichie foi adaptada pela artista Beyoncé, em seu hit, Flawless (2014).

24. Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici

Calibã e a Bruxa - Silvia Federici

A autora, Silvia Federici, é uma ativista e estudiosa do feminismo. Em Calibã e a bruxa, ela realiza uma análise associativa entre a caça às bruxas e o início de uma divisão sexual do trabalho.

Para a autora, essa perseguição às bruxas retirou poder das mulheres e reposicionou-as como a base do sistema de exploração do capitalismo. O trabalho de casa, não remunerado, passou a ser responsabilidade feminina tornando possível a estrutura de acumulação de capital.

25. Capitalismo em debate, de Nancy Fraser e Rahel Jaeggi

Capitalismo em debate - Fraser e Jaeggi

O livro é um debate entre as autoras Nancy Fraser e Rahel Jaeggi sobre aspectos do mundo contemporâneo.

Os temas giram em torno de questões econômicas, sociais, políticas e ambientais e trazem à luz, a importância de apontar novos caminhos em busca de um ideal de justiça social.

No livro, discute-se a moralização superficial da política, que omite o fundamento comum das opressões de classe e gênero e as autoras apontam para um possível futuro do capitalismo.

Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).