Macunaíma


Macunaíma é um dos romances modernistas mais importantes da literatura brasileira, escrito pelo poeta brasileiro Mário de Andrade (1893-1945), publicada em 1928.

O título da obra, refere-se ao personagem principal, um índio, que nesse caso, representa o povo brasileiro, como notamos na primeira frase da obra:

No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.

Além disso, Macunaíma, que possui um caráter épico, é considerado uma rapsódia que, segundo os gregos, representava fragmentos de cantos épicos, ou seja, uma obra literária que absorve todas as tradições orais e folclóricas de um povo, como a Ilíada ou a Odisseia de Homero.

O termo “rapsódia” do grego “rhapsodía”, significa “recitação de poema”, e do latim “rhapsodia”, representa o canto ou livro de poemas. Importante destacar que segundo o próprio autor da obra, Mario de Andrade: “Este livro afinal não passa duma antologia do folclore brasileiro”.

Resumo da Obra

Macunaíma é considerado um anti-herói (herói sem nenhum caráter) sendo sua característica mais marcante, a preguiça. Nasceu numa tribo amazônica, às margens do mítico rio Uraricoera, e viveu sua infância fazendo travessuras, falando palavrões, flertando com as mulheres, e assumindo diversas faces, tal qual o momento em que se transforma num homem branco, loiro e de olhos azuis, ao mergulhar num poço encantado.

Macunaíma morava com sua mãe e seus dois irmãos, Maanape e Jiguê porém, com a morte da mãe, ele e os irmãos vão em busca de aventuras. Nessas andanças Macunaíma conhece seu amor, Ci, a mãe do mato, com quem teve um filho, porém ambos morreram, sendo que Ci vira uma estrela.

Ela é a responsável pela peregrinação de Macunaíma, visto que lhe deu uma pedra, denominada “Muiraquitã”, que servia como um amuleto. Assim, após Piaimã, o gigante, roubar a muiraquitã de Macunaíma, ele e seus irmãos partem para São Paulo em busca de seu amuleto. Muitas peripécias acontecem até que, no final, Macunaíma mata Piaimã, toma de volta a pedra e vira a constelação ursa maior.

Personagens

  • Macunaíma: protagonista da obra, "o herói sem nenhum caráter".
  • Maanape: irmão de Macunaíma.
  • Jiguê: irmão de Macunaíma.
  • Sofará: mulher de Jiguê.
  • Iriqui: nova mulher de Jiguê.
  • Ci: o amor de Macunaíma, quem lhe deu a “muiraquitã”.
  • Capei: cobra que Macunaíma enfrenta
  • Piaimã: é o gigante que roubou a muiraquitã de Macunaíma.
  • Ceiuci: mulher do gigante que tentou devorar Macunaíma.
  • Vei: “deusa sol”, mulher que representa o sol

Características da Obra

  • Obra atemporal, ou seja, não segue uma ordem cronológica
  • Críticas ao Romantismo
  • Gênero Cômico
  • Influência das vanguardas europeias: surrealismo, dadaísmo, futurismo, expressionismo (narrativa mítica, ações ilógicas, oníricas)
  • Indianismo moderno (tema do índio)
  • Valorização da linguagem coloquial (crítica à linguagem culta)
  • Valorização das raízes e da diversidade cultural brasileira

Estrutura da Obra

A obra Macunaíma é predominantemente escrita na terceira pessoa, contudo, é muito frequente o uso da primeira pessoa, marcada pela fala das personagens (discurso direto). Em relação ao tempo, note que trata-se de uma "narrativa ziguezagueante", donde o passado, o presente e o futuro se mesclam e a linearidade não existe. Quanto ao espaço da narrativa, Macunaíma passa por muitos lugares, algumas cidades brasileiras de diferentes estados e países da América do Sul. A obra está dividida em 17 capítulos e 1 epílogo, a saber:

  • Capítulo I: Macunaíma
  • Capítulo II: Maioridade
  • Capítulo III: Ci, Mãe do Mato
  • Capitulo IV: Boiúna Luna
  • Capítulo V: Piaimã
  • Capítulo VI: A francesa e o gigante
  • Capítulo VII: Macumba
  • Capítulo VIII: Vei, a Sol
  • Capítulo IX: Carta pras Icamiabas
  • Capítulo X: Pauí-pódole
  • Capítulo XI: A velha Ceiuci
  • Capítulo XII: Tequeteque, chupinzão e a injustiça dos homens
  • Capítulo XIII: A piolhenta de Jiguê
  • Capítulo XIV: Muiraquitã
  • Capítulo XV: A pacuera de Oibê
  • Capítulo XVI: Uraricoera
  • Capítulo XVII: Ursa maior
  • Epílogo

Curiosidade

  • Baseado na obra de Mario de Andrade, o filme Macunaíma (1969) é uma comédia, escrita e dirigida pelo cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988).