Mário de Andrade


Mário de Andrade foi um escritor modernista, crítico literário, musicólogo, folclorista e ativista cultural brasileiro .

Seu estilo literário foi inovador e marcou a primeira fase modernista no Brasil, sobretudo, pela valorização da identidade e cultura brasileira.

Ao lado de diversos artistas, ele teve um papel preponderante na organização da Semana de Arte Moderna (1922).

Biografia

Mário de Andrade

Foto de Mário de Andrade (1928)

Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo, no dia 09 de outubro de 1893.

De família humilde, Mário possuía dois irmãos e desde cedo mostrou grande inclinação às artes, notadamente a literatura.

Em 1917, estudou piano no “Conservatório Dramático e Musical de São Paulo”, ano da morte de seu pai, o Dr. Carlos Augusto de Andrade.

Nesse mesmo ano, com apenas 24 anos, publica seu primeiro livro intitulado “Há uma Gota de Sangue em cada Poema”.

Mais tarde, em 1922, publica a obra de poesias “Paulicéia Desvairada” e torna-se Catedrático de História da Música, no “Conservatório Dramático e Musical de São Paulo”.

Nesse mesmo ano, auxiliou na organização da Semana de Arte Moderna trabalhando ao lado de diversos artistas.

Com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Menotti del Picchia, formaram o grupo modernista que ficou conhecido como o "Grupo dos Cinco".

Dedicado à seu grande prazer, a literatura, em 1927, publica a obra “Clã do Jabuti”, pautada nas tradições populares. Nesse mesmo ano, publica o romance intitulado “Amar, Verbo Intransitivo”, onde critica a hipocrisia sexual da burguesia paulistana.

Mário foi um estudioso do folclore, da etnografia e da cultura brasileira. Portanto, em 1928, publica o romance (rapsódia) “Macunaíma”, uma das grandes obras-primas da literatura brasileira.

Essa obra foi desenvolvida através de seus anos de pesquisa a qual reúne inúmeras lendas e mitos indígenas da história do “herói sem nenhum caráter”.

Durante 4 anos, (1934 a 1938) trabalhou na função de diretor do “Departamento de Cultura do Município de São Paulo”.

Em 1938, muda-se para o Rio de Janeiro. Foi nomeado catedrático de Filosofia e História da Arte e ainda, Diretor do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal.

Retorna à sua cidade natal, em 1940, onde começa a trabalhar no Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).

Poucos anos depois, sua saúde começa a ficar frágil. No dia 25 de fevereiro de 1945, aos 51 anos de idade, Mário de Andrade falece em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco.

Principais Obras

Mário de Andrade deixou uma vasta obra desde romances, poemas, críticas, contos, crônicas, ensaios:

  • Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917)
  • Paulicéia Desvairada (1922)
  • A Escrava que não é Isaura (1925)
  • Primeiro Andar (1926)
  • Clã do Jabuti (1927)
  • Amar, Verbo Intransitivo (1927)
  • Macunaíma (1928)
  • O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935)
  • Poesias (1941)
  • O Movimento Modernista (1942)
  • O Empalhador de Passarinhos (1944)
  • Lira Paulistana (1946)
  • Contos Novos (1947)
  • Poesias Completas (1955)
  • O Banquete (1978)

Poemas

Para conhecer melhor a linguagem do escritor, confira abaixo três poemas:

Moça Linda Bem Tratada

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência…

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.

Eterna Presença

Este feliz desejo de abraçar-te,
Pois que tão longe tu de mim estás,
Faz com que te imagine em toda a parte
Visão, trazendo-me ventura e paz.

Vejo-te em sonho, sonho de beijar-te;
Vejo-te sombra, vou correndo atrás;
Vejo-te nua, oh branco lírio de arte,
Corando-me a existência de rapaz…

E com ver-te e sonhar-te, esta lembrança
Geratriz, esta mágica saudade,
Dá-me a ilusão de que chegaste enfim;

Sinto alegrias de quem pede e alcança
E a enganadora força de, em verdade,
Ter-te, longe de mim, juntinho a mim.

Soneto

Tanta lágrima hei já, senhora minha,
Derramado dos olhos sofredores,
Que se foram com elas meus ardores
E ânsia de amar que de teus dons me vinha.

Todo o pranto chorei. Todo o que eu tinha,
caiu-me ao peito cheio de esplendores,
E em vez de aí formar terras melhores,
Tornou minha alma sáfara e maninha.

E foi tal o chorar por mim vertido,
E tais as dores, tantas as tristezas
Que me arrancou do peito vossa graça,

Que de muito perder, tudo hei perdido!
Não vejo mais surpresas nas surpresas
E nem chorar sei mais, por mor desgraça!

Leia também:

Modernismo no Brasil
A Linguagem do Modernismo

Frases de Mário de Andrade

  • Não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição.”
  • O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir.”
  • Que coisa misteriosa o sono!... Só aproxima a gente da morte para nos estabelecer melhor dentro da vida...
  • Minha obra toda badala assim: Brasileiros, chegou a hora de realizar o Brasil.”
  • Devo confessar preliminarmente, que eu não sei o que é belo e nem sei o que é arte.”

Biblioteca Mário de Andrade

A Biblioteca Mário de Andrade (BMA) foi fundada em 1925 e na época foi chamada de "Biblioteca Municipal de São Paulo".

Biblioteca Mário de Andrade

Biblioteca Mário de Andrade, uma das mais importantes do país

O edifício de estilo Art Déco, está localizado na cidade de São Paulo e possui o segundo maior acervo do país, depois da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Além disso, é a maior biblioteca pública da cidade e a segunda maior do país.

Casa Mário de Andrade

Casa Mário de Andrade

Casa onde viveu o escritor Mário de Andrade na Barra Funda, em São Paulo

A casa onde viveu o escritor entre os anos de 1921 e 1945 em São Paulo foi tombada em 1975.

Pertencente à Secretaria de Estado da Cultura, o local é utilizado para a realização de atividades culturais. Além disso, ele abriga um museu em homenagem ao poeta.