Autores da Primeira Fase do Modernismo no Brasil

Daniela Diana

A primeira fase do Modernismo no Brasil é destacada pelos autores Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Alcântara Machado.

Lembre-se que o modernismo no Brasil teve início com a Semana de Arte Moderna de 1922. Chamada de "fase heroica" ele vai até 1930 quando começa a segunda geração modernista.

Mário de Andrade

Mário de Andrade

O paulista Mário de Andrade (1893-1945) era um intelectual multifacetado e teve um papel decisivo no movimento modernista. Aos 20 anos publicou seu primeiro livro: Há uma Gota de Sangue em Cada Poema.

Além da literatura, também atuou na música, folclore, antropologia, etnografia e psicologia. Foi pianista, professor de música e compositor.

Seu conhecimento foi de fundamental importância para o embasamento teórico do movimento modernista no Brasil.

Suas características são o verso livre, o neologismo e a fragmentação. Também é encontrada em sua obra o modo de falar do sertão, as lendas e costumes regionais, além das danças populares.

A partir da revolução de 1930, sua poesia passa a ser intimista, com ênfase ao combate das injustiças sociais, bancada por uma linguagem agressiva e explosiva.

Moça Linda Bem Tratada

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência…

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade

O paulista Oswald de Andrade (1890-1954) atuou na carreira jornalística e foi militante do Partido Comunista, embora de origem burguesa.

Fundou em 1911, em parceria com Alcântara Machado e Juó Bananère, a revista "O Pirralho", que durou até 1917. Casa-se em 1926 com Tarsila do Amaral e, em 1930, com a escritora comunista Patrícia Galvão, a Pagu.

No ano seguinte ingressa no Partido Comunista, onde permanece até 1945. É nesse período que escreve "Manifesto Antropofágico", além de "Serafim Ponte Grande", um romance, e a peça "O Rei da Vela".

São características de sua obra o deboche, a ironia e a crítica aos meios acadêmicos e à burguesia. Defensor da valorização das origens e do passado do País.

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Poeta recifense, Manuel Bandeira (1886-1968) foi um dos responsáveis pela consolidação do movimento modernista no Brasil.

A obra de Manuel Bandeira teve influência europeia visto que esteve na Europa a procura de tratamento para sua tuberculose. Ali, conheceu o escritor dadaísta francês Paul Élaurd, que o coloca em contato com as inovações europeias. É assim, que ele passa a manifestar o verso livre.

A poesia de Bandeira é recheada de lirismo poético e liberdade. É adepto do verso livre, da língua coloquial, da irreverência e da liberdade criadora. Seus versos são cheios de construção e significado.

Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Alcântara Machado

Alcântara Machado

Antônio de Alcântara Machado (1901-1935) formou-se em Direito e trabalhou como crítico teatral no Jornal do Comércio.

Se identificava com a essência popular e valorizava em sua poesia o proletariado e a pequena burguesia.

Foi redator e colaborador das publicações modernistas: Terra Roxa e outras Terras, Revista de Antropofagia e Revista Nova.

Com uma linguagem leve, bem humorada e espontânea, Machado escreveu crônicas, contos, romances e ensaios. Sua obra que merece destaque é a coletânea de contos Brás, Bexiga e Barra Funda.

"Mas quando dava na telha do Carlino Pantaleoni, proprietário da QUITANDA BELLA TOSCANA, de vir também se reunir ao grupo era uma vez o silêncio. Falava tanto que nem parava na cadeira. Andava de um lado para outro. Com grandes gestos. E era um desgraçado: citava Dante Alighieri e Leonardo da Vinci. Só esses. Mas também sem titubear. E vinte vezes cada dez minutos. Desgraçado.

O assunto já sabe: Itália. Itália e mais Itália. Porque a Itália isto, porque a Itália aquilo. E a Itália quer, a Itália faz, a Itália é, a Itália manda.

Giacomo era menos jacobino. Tranquillo era muito. Ficava quieto porém.

É. Ficava quieto. Mas ia dormir com aquela idéia na cabeça: voltar para a pátria.

Dona Emília sacudia os ombros."

(Trecho da obra Brás, Bexiga e Barra Funda)

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.