O que é classe gramatical?

Márcia Fernandes

Classe gramatical é cada um dos grupos pelos quais as palavras se organizam tendo em conta as suas funções gramaticais.

Isso quer dizer que cada palavra que existe na língua portuguesa pertence a uma classe gramatical, onde ela é "colocada" dependendo do que ela faz, ou seja, dependendo da sua função.

Existem 10 classes gramaticais, cujas funções são as seguintes:

  • Substantivo - dar nome aos seres em geral (menino, lápis, pássaro);
  • Verbo - indicar ações, estado, fenômenos naturais (sorrir, estar, chover);
  • Adjetivo - atribuir características (belo, engraçado, saudável);
  • Pronome - indicar as pessoas do discurso, posse e posições (eu, meu, esse);
  • Artigo - especificar ou generalizar o substantivo (o, as, um);
  • Numeral - contar, indicar quantidade e ordem numa posição (um, dobro, terceiro);
  • Preposição - fazer a ligação entre palavras ou orações (café com leite);
  • Conjunção - unir orações ou termos das orações (pai e mãe);
  • Interjeição - exprimir sentimentos;
  • Advérbio - indicar modo, tempo, lugar, intensidade, e com isso modificar verbos, adjetivos ou advérbios.

A classe gramatical também é chamada de classe de palavras e se divide em variáveis e invariáveis.

Palavras variáveis são aquelas que sofrem modificações: substantivo, verbo, adjetivo, pronome, artigo e numeral.

Palavras invariáveis são aquelas que não se modificam: preposição, conjunção, interjeição e advérbio.

As palavras variáveis podem ser alteradas em: gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo, comparativo e superlativo).

No caso dos verbos, as palavras também variam em tempo (presente, pretérito e futuro), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo) e voz (ativa, passiva e reflexiva).

1. O que é substantivo?

Substantivo é a palavra que dá nome às pessoas, animais, lugares, objetos, seres espirituais e mitológicos, qualidades, sentimentos.

Os substantivos podem ser: comuns ou próprios, simples ou compostos, primitivos ou derivados, concretos ou abstratos e coletivos.

Os substantivos podem ser comuns ou próprios, dependendo se eles são pessoas/coisas genéricas ou específicas. Quando nomeiam algo na sua generalidade, são substantivos comuns (menina, país); quando nomeiam algo específico, são substantivos próprios (Maria, Brasil).

Os substantivos podem ser simples ou compostos, de acordo com o número de radicais que a sua estrutura apresenta. Quando formados por um radical, são substantivos simples (chuva, sol); quando formados por dois ou mais radicais, são substantivos compostos (guarda-chuva, girassol).

Os substantivos podem ser primitivos ou derivados, dependendo se eles são formados ou não por outras palavras. Quando não são formados por outra palavra, são substantivos primitivos (casa, folha); quando são formados por outra palavra, são substantivos derivados (casebre, folhagem).

Os substantivos podem ser concretos ou abstratos, conforme a sua existência como um ser ou como uma abstração. As palavras que nomeiam seres reais ou imaginários são substantivos concretos (gato, sereia); as palavras que nomeiam qualidades, sentimentos, estados ou ações são substantivos abstratos (alegria, fidelidade).

Os substantivos coletivos são aqueles que dão nome ao seres que pertencem ao mesmo conjunto (banda -conjunto de músicos, cardume - conjunto de peixes).

2. O que é verbo?

Verbo é a palavra que indica ação, estado, fenômeno da natureza, desejo, ocorrência.

Os verbos podem ser: regulares, irregulares, defectivos e abundantes.

Os verbos podem ser regulares, quando são conjugados de acordo com um paradigma. Isso quer dizer que existe um modelo de terminação seguido pelos verbos, sem que haja alteração no seu radical. Por exemplo, os radicais dos verbos "cantar" (cant-) e "pular" (pul-) permanecem iguais, além do que eles apresentam as mesmas terminações quando são conjugados: falo, falei, falarei; pulo, pulei, pularei.

Os verbos podem ser irregulares, quando não obedecem um modelo de conjugação, e tanto o radical como a terminação do verbo pode ser alterados. Por exemplo, os verbos "estar" (est-) e "saber" (sab-) sofrem grandes modificações quando são conjugados: estou, estive, estarei; sei, soube, saberei.

Os verbos podem ser defetivos, quando não são conjugados em todas as pessoas, tempos ou modos, ou seja, quando não têm conjugação completa. Por exemplo, os verbos "colorir" e "abolir" não são conjugados na primeira pessoa do singular (eu) do presente do indicativo: eu --, tu colores, ele colore, nós colorimos, vós coloris, eles colorem; eu --, tu aboles, ele abole, nós abolimos, vós abolis, eles abolem.

Os verbos podem ser abundantes, quando têm particípio duplo, ou seja, quando apresentam uma forma de conjugação regular e uma irregular. Por exemplo, os verbos "secar" e "entregar" (particípio regular: secado, entregado; particípio irregular: seco, entregue).

3. O que é adjetivo?

Adjetivo é a palavra que dá características aos substantivos, indicando qualidades ou defeitos, aspecto, estado.

Os adjetivos podem ser: primitivos, derivados, simples e pátrios.

Os adjetivos podem ser primitivos ou derivados, dependendo se eles são formados ou não por derivação de outras palavras. Quando não são formados por derivação de outra palavra, são adjetivos primitivos (azul, bom); quando formados por derivação de outra palavra, são adjetivos derivados (azulado, bondoso).

Os adjetivos podem ser simples ou compostos, de acordo com o número de radicais que a sua estrutura apresenta. Quando formados por um radical, são adjetivos simples (brasileiro, verde); quando formados por dois ou mais radicais, são adjetivos compostos (luso-brasileiro, verde-esmeralda).

Os adjetivos pátrios são aqueles que caracterizam algo de acordo com a sua origem (cearense - que é do Ceará, egípcio - que é do Egito).

4. O que é pronome?

Pronome é a palavra que indica pessoas do discurso, posse, posições. Ele representa ou se refere a seres em geral e tanto podem acompanhar como substituir os substantivos.

Os pronomes podem ser: pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, indefinidos e interrogativos.

Os pronomes podem ser pessoais, quando indicam as pessoas do discurso. Eles dividem-se em pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele/ela(s), nós, vós) e pronomes pessoais do caso oblíquo (átonos: me, te, o/a(s), se, lhe(s), nos, vos); tônicos: mim, ti, ele/ela(s), si, nós, vós). Há também os pronomes de tratamento (Vossa Majestade, Vossa Senhoria).

Os pronomes podem ser possessivos, quando indicam posse: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso/a(s), vosso/a(s).

Os pronomes podem ser demonstrativos, quando indicam as posições dos seres: este(s), esta(s), isto, esse(s), essa(s), isso, aquele(s), aquela(s), aquilo.

Os pronomes podem ser relativos, quando se referem a um termo anterior. Existem pronomes relativos variáveis e invariáveis:

  • Pronomes relativos variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo(s), cuja(s), quanto(s), quantas;
  • Pronomes relativos invariáveis: que, quem, quando, como, onde.

Os pronomes podem ser indefinidos, quando se referem de forma imprecisa à terceira pessoa do discurso. Existem pronomes indefinidos variáveis e invariáveis:

  • Pronomes indefinidos variáveis: algum, alguns, alguma (s), nenhum, nenhuns, nenhuma(s), todo/a(s);
  • Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, nada, cada, algo.

Os pronomes podem ser interrogativos, quando são utilizados em interrogações diretas ou indiretas: que, quem, qual, quais, quanto/a(s).

5. O que é artigo?

Artigo é a palavra que vem antes do substantivo com a função de o especificar ou de o generalizar.

Os artigos podem ser definidos ou indefinidos. Quando especifica ou particulariza algo, são artigos definidos (o, a, os, as); quando generaliza, são artigos indefinidos (um, uma, uns, umas).

6. O que é numeral?

Numeral é a palavra usada para fazer contagem, além de indicar quantidade e ordem ocupada numa posição.

Os numerais podem ser:

Cardinais - um, dois, três;

Ordinais - primeiro, segundo, terceiro;

Multiplicativos - duplo, triplo, quádruplo;

Fracionários - meio, terço, quarto;

Coletivos - par (2 unidades), trinca (3 unidades), quina (5 unidades).

7. O que é preposição?

Preposição é a palavra que tem a função de fazer a ligação entre palavras ou orações. Estabelece uma relação de dependência, uma vez que a segunda palavra ou oração explica a primeira.

As preposições podem ser essenciais ou acidentais. Quando as palavras só atuam como preposição são preposições essenciais (desde, após); quando as palavras pertencem a outras classes gramaticais, mas assumem o papel de preposição em determinado contexto, são preposições acidentais (exceto, mediante).

8. O que é conjunção?

Conjunção é a palavra que une termos de uma oração que têm o mesmo valor gramatical (Vou com meu namorado e com uma amiga) ou que une orações (Cheguei cedo porque vim de carro).

As conjunções podem ser: coordenativas ou subordinativas.

As conjunções podem ser coordenativas, quando unem termos semelhantes ou orações independentes (Já passei, portanto posso falar.) São classificadas em: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.

As conjunções podem ser subordinativas, quando unem orações dependentes de outras (Se ele for, eu vou). São classificadas em: integrantes, causais, concessivas, condicionais, conformativas, comparativas, consecutivas, finais, proporcionais e temporais.

9. O que é interjeição?

Interjeição é a palavra que exprime emoções, sentimentos ou que servem para interagir com o interlocutor.

Há interjeições de: advertência (Cuidado!), alegria (Uhu!), alívio (Ufa!), ânimo (Vamos!), apelo (Socorro!), chamamento (Psiu!), desejo (Tomara!), dor (Ai!), espanto (Nossa!), satisfação (Oba!), saudação (Oi!), silêncio (Psiu!).

10. O que é advérbio?

Advérbio é a palavra que acompanha verbos, adjetivos ou outros advérbios e os modifica ao indicar modo, tempo, intensidade.

Há advérbios de: lugar (aqui), tempo (sempre), modo (bem), afirmação (realmente), negação (não), intensidade (muito) e dúvida (talvez).

Referências Bibliográficas

NETO, Pasquale Cipro; INFANTE, Ulisses. Gramática da Língua Portuguesa. 3. ed. São Paulo: Scipione, 2009.

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos.