Paulo Freire

Márcia Fernandes

Paulo Freire (1921-1997) foi um dos maiores pedagogos do mundo, conhecido como o Patrono da Educação Brasileira.

Para ele, a educação passa pela leitura do mundo, tendo como objetivo conscientizar os alunos para que eles possam transformá-lo.

Biografia de Paulo Freire

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife, no estado de Pernambuco, no dia 19 de setembro de 1921. Seus pais chamavam-se Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire.

Com o falecimento do seu pai, capitão da Polícia Militar, era difícil para a mãe assegurar as condições para os filhos, tal como manter Paulo Freire na escola. Paulo Freire tinha apenas 13 anos.

Foi quando sua mãe pediu ajuda e o diretor do Colégio Oswaldo Cruz o tornou auxiliar de disciplina, além de ter concedido matrícula gratuita. Mais tarde, Paulo Freire tornou-se professor de língua portuguesa na mesma escola.

Na Universidade, estudou direito. Casou, teve 5 filhos e lecionou Filosofia, até que conquistou o cargo de diretor do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria.

Após ser perseguido pelo regime militar, em decorrência do seu método de alfabetização considerado ameaçador, foi preso depois do golpe militar de 64. Tudo começou quando João Goulart, então presidente do Brasil, o convidou para coordenar o Programa Nacional de Alfabetização.

Depois de ficar preso durante alguns meses, foi exilado, permanecendo durante 16 anos fora do país, primeiramente no Chile, depois na Suíça.

Lecionou no Estados Unidos, em Harvard em 1969, e na Suíça trabalhou como consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas.

Em tantos países subdesenvolvidos, também trabalhou em consultoria educacional até que regressou ao Brasil na década de 80.

Após o exílio, em 1989, Paulo Freire se tornou secretário da educação no município de São Paulo. Mas antes lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

No dia 2 de maio de 1997, Paulo Freire faleceu na cidade de São Paulo, em decorrência de um infarto.

Prêmios e títulos recebidos

Paulo Freire recebeu vários prêmios, dentre os quais:

  • Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica, 1980)
  • Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986)
  • Prêmio Andres Bello da Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continentes (1992).

Reconhecido internacionalmente, o educador célebre também recebeu cerca de 40 títulos de Doutor Honoris Causa.

O Método de alfabetização de Paulo Freire

O método de alfabetização de Paulo Freire, conhecido como método inovador no ensino da alfabetização, foi adotado pela primeira vez no Rio Grande do Norte, em 1962.

Na ocasião, alfabetizou 300 trabalhadores agrícolas no âmbito do projeto a que chamou “Quarenta horas de Angicos”.

Para o educador, as cartilhas não beneficiavam a aprendizagem, porque distanciavam-se da realidade dos alunos. Assim, no caso dos adultos, a alfabetização deveria fazer referência ao seu cotidiano em termos laborais e não só.

Paulo Freire

O método de Paulo Freire surgiu da sua preocupação com os excluídos, principalmente os analfabetos das zonas rurais. Envolvia política, no sentido de promover a crítica e atuação das pessoas na sociedade.

Quando estava exilado, desenvolveu seu trabalho de alfabetização de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária.

As principais obras de Paulo Freire

  • Educação como prática da liberdade (1967)
  • Pedagogia do oprimido (1968)
  • Cartas à Guiné-Bissau (1975)
  • Educação e mudança (1981)
  • A importância do ato de ler em três artigos que se completam (1982)
  • Pedagogia da esperança (1992)
  • Política e educação (1993)
  • À sombra desta mangueira (1995)
  • Pedagogia da autonomia (1997)

10 citações de Paulo Freire

  • "Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes."
  • "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."
  • "A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática."
  • "Não se pode falar de educação sem amor."
  • "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor."
  • "Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender."
  • "A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa."
  • "Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."
  • "Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo."
  • "A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."

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Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos.