Sujeito

Carla Muniz
Carla Muniz
Professora licenciada em Letras

O sujeito é o elemento que pratica ou sofre a ação expressa pelo verbo de uma frase.

Para identificá-lo, basta fazermos uma pergunta sobre tal ação; observe:

“O ajudante da loja correu muito com o veículo.”

Ao nos perguntarmos: “Quem correu muito com o carro?”, o que temos como resposta corresponde ao sujeito que, por ter praticado a ação é classificado como sujeito agente: o ajudante da loja.

Um sujeito que sofre uma ação é classificado como sujeito paciente. Veja:

“O carro foi comprado por Carlos.”

Se nos perguntarmos “O que foi comprado por Carlos?”, a resposta corresponde ao sujeito da frase: “o carro”. Nesse caso, “o carro” é um sujeito paciente, pois sofreu a ação de ser comprado.

Classificação do sujeito

Os sujeitos são classificados em:

  • Sujeito determinado - é o sujeito que pode ser identificado na oração. Um sujeito determinado pode ser simples, composto ou oculto. Exemplo: A menina escreve bem. Sujeito: A menina.
  • Sujeito indeterminado - é o sujeito que não é identificado na oração. Exemplo: Falaram mal da tua vizinha. (Não é possível determinar quem praticou a ação de “falar mal.”)
  • Sujeito inexistente - ocorre em orações que são construídas com verbos impessoais e que, portanto, não admitem agentes de ação. Exemplo: Faz tempo que não o vejo.

Tipos de sujeito

Sujeito simples

O sujeito simples é formado por um núcleo único, ou seja, tal sujeito tem apenas um termo principal.

Exemplos:

  • O empregado da casa vendeu seu carro. (sujeito simples: o empregado - núcleo: empregado)
  • Eles estão sempre omitindo a verdade. (sujeito simples: Eles núcleo: Eles)
  • As folhas caíram. (sujeito simples: As folhas - núcleo: folhas)

Saiba mais em: Sujeito simples

Sujeito composto

O sujeito composto é formado por dois ou mais núcleos, ou seja, trata-se de um sujeito que tem duas ou mais palavras principais.

Exemplos:

  • Ana Maria e Joaquim terminaram o namoro. (sujeito composto: Ana Maria e Joaquim - núcleos: Ana Maria, Joaquim)
  • Eu, você e o nosso cão estamos perdidos mais uma vez. (sujeito composto: Eu, você e o nosso cão - núcleos: Eu, você, cão)
  • Livros e cinema são o meu passatempo preferido. (sujeito composto: livros e cinema - núcleos: Livros, cinema)

Sujeito oculto

O sujeito oculto, também chamado de elíptico, desinencial ou implícito, é aquele que não está declarado na oração.

Apesar disso, ele é classificado como determinado porque pode ser identificado pelo contexto e pela conjugação verbal presente na oração.

Exemplos:

  • No trajeto para casa, passei pelo parque da cidade. (Note que, através da flexão verbal “passei”, podemos identificar a primeira pessoa do singular “eu”. Logo, “No trajeto para casa, (eu) passei pelo parque da cidade.”)
  • Gostamos de pular Carnaval. (Através da conjugação verbal, identificamos o sujeito oculto da oração: “(Nós) Gostamos de pular Carnaval.”
  • Armando saiu da escola muito cedo. À tarde levou tudo para casa. (Aqui temos “Armando” como sujeito da primeira oração e na segunda, o sujeito da ação, que já foi mencionado anteriormente, é equivalente a “ele”: À tarde (ele) levou tudo para a casa.)

Sujeito indeterminado

O sujeito indeterminado é aquele que não permite identificar o agente da ação, nem pelo contexto, nem pela terminação verbal do enunciado.

Apesar de o sujeito ser um termo essencial na oração, o sujeito indeterminado pode se manifestar pelo desconhecimento ou desinteresse do agente que executa a ação.

Além disso, é um tipo de sujeito que ocorre quando o verbo não se refere a uma pessoa determinada. Há três características que ajudam a identificá-lo:

1) Uso de um verbo na 3ª pessoa do plural que não se refere a nenhum substantivo citado anteriormente na oração.

Exemplos:

  • Disseram que ele foi eleito.
  • Capturaram o fugitivo.
  • Falavam mal o tempo todo.

2) Uso do pronome "se" e de um verbo intransitivo, transitivo indireto ou de ligação na 3ª pessoa do singular (de modo que não se consiga identificar quem pratica a ação).

Exemplos:

  • Acorda-se feliz (verbo intransitivo).
  • Necessita-se de pessoas jovens (verbo transitivo indireto).
  • Nem sempre se é justo nesse mundo (verbo de ligação).

3) Uso de verbo no infinitivo pessoal.

Exemplos:

  • É difícil agradar a todos.
  • Seria bom pesquisar mais sobre o assunto.
  • Era bom viajar pelo mundo!

Sujeito inexistente

O sujeito inexistente ocorre nas chamadas orações sem sujeito, o

uma vez que elas são constituídas por verbos impessoais, ou seja, não admitem agentes da ação, como ocorre nos casos abaixo:

  1. Verbos que indicam fenômenos da natureza: amanheceu, anoiteceu, choveu, nevou, ventou, trovejou, etc.
  2. Verbo haver quando empregado com sentido de existir, acontecer e indicando tempo passado.
  3. Verbos ser, fazer, haver, estar, ir e passar indicando tempo ou distância.

Exemplos:

  • Trovejou durante a noite.
  • Há boas palestras no congresso.
  • Está na hora do intervalo.

Núcleo do sujeito

O núcleo do sujeito representa o termo mais importante do sujeito. Quando o sujeito possui um artigo definido ou indefinido, por exemplo, o núcleo consiste apenas no substantivo que vem depois dele.

Assim, embora tanto o artigo quanto o substantivo componham o sujeito, o núcleo é aquilo que tem mais importância no que diz respeito ao significado.

É através do núcleo, por exemplo, que identificamos se o sujeito é simples ou composto. Um sujeito simples tem um único núcleo, enquanto um sujeito composto tem dois núcleos ou mais.

Exemplos:

1) As meninas cantaram lindamente.

Sujeito: As meninas

Núcleo do sujeito: meninas

Tipo de sujeito: simples

2) Os avós, os pais e seus filhos viviam na quinta.

Sujeito: Os avós, os pais e seus filhos

Núcleo do sujeito: avós, pais, filhos

Tipo de sujeito: composto

Sujeito e Predicado

O sujeito e o predicado são os termos essenciais da oração. Isso quer dizer que eles são indispensáveis na construção de uma oração, ainda que haja orações em que o sujeito seja inexistente. Lembre-se de que o predicado é o que é dito acerca do sujeito.

Exemplo: As estudantes gravaram um vídeo sobre a aula.

Sujeito: As estudantes

Predicado: gravaram um vídeo sobre a aula.

Leia também:

Exercícios sobre sujeito

I. Identifique e classifique os sujeitos abaixo:

a) Vive-se muito bem nesta cidadezinha.

Resposta: sujeito indeterminado.

O sujeito indeterminado faz referência a alguém, mas não o identifica.

Ao lermos a frase, sabemos que alguém vive bem na cidadezinha, mas não sabemos quem.

Uma característica do sujeito indeterminado expressa na frase é o uso de um verbo flexionado na terceira pessoa do plural, acompanhado da partícula “-se”.

b) Óculos, peruca e um bigode falso são os meus adereços de Carnaval.

Resposta: “Óculos, peruca e um bigode falso” é o sujeito composto da frase.

O sujeito composto ocorre quando o verbo da frase faz referência a dois ou mais núcleos de um sujeito.

Na frase, o verbo “ser”, flexionado como “são”, faz referência a três núcleos: óculos, peruca e bigode falso.

c) Temos de levantar cedo amanhã?

Resposta: sujeito oculto "nós".

O sujeito oculto é aquele que pode ser identificado na frase, apesar de não estar explícito.

Através da flexão verbal “temos”, podemos perceber que o sujeito oculto da frase é “nós”.

d) Naquele bar, ouve-se um pouco de tudo.

Resposta: sujeito indeterminado

Observe que percebemos que alguém ouve um pouco de tudo em determinado bar, mas não sabemos quem ouve.

O sujeito indeterminado geralmente é acompanhado de um verbo flexionado na terceira pessoa do plural ou do singular, acompanhado da partícula “-se”.

e) Vive-se cansado.

Resposta: sujeito indeterminado

O sujeito indeterminado faz referência a quem pratica a ação, mas não o identifica.

Na frase, é possível compreender que alguém vive feliz, mas não sabemos quem.

Os sujeitos indeterminados integram frases que apresentam verbos flexionados na terceira pessoa, acompanhados da partícula “-se”.

f) De repente, a campainha tocou.

Resposta: sujeito simples "a campainha".

O sujeito simples é aquele que possui um único núcleo.

Na frase, “a campainha” é quem executa a ação de tocar, logo, é o sujeito.

No entanto, seu núcleo possui uma só palavra; trata-se de um único núcleo: campainha.

g) Falam muito mal inglês.

Resposta: sujeito indeterminado

O fato de o verbo “falar” estar flexionado na terceira pessoa do plural e de fazer referência a alguém, mas não o identificar são traços comuns de um sujeito indeterminado.

Observe que sabemos que alguém fala muito mal inglês, mas não sabemos quem; não houve essa identificação.

h) Choveu muito essa noite.

Resposta: sujeito inexistente

O sujeito inexistente faz parte de uma oração sem sujeito e está relacionado a um verbo impessoal.

Os verbos impessoais só são conjugados na terceira pessoa do singular e indicam fenômenos da natureza, tempo decorrido e existência ou acontecimento de algo.

i) É uma hora da tarde.

Resposta: sujeito inexistente

A classificação de “sujeito inexistente” dá-se quando a oração é sem sujeito.

Tais orações são compostas por verbos impessoais (são conjugados apenas na terceira pessoa do singular), que geralmente indicam fenômenos da natureza, tempo decorrido e existência e acontecimento de algo.

Na frase, o verbo “ser” (é) indica um tempo decorrido

j) Livros e um bom vinho serão a minha companhia esta noite.

Resposta: sujeito composto “Livros e um bom vinho”.

Observe que há duas palavras principais nesse sujeito, “livros” e “vinho”, que são os núcleos do sujeito.

Quando um sujeito tem dois núcleos ou mais, ele é composto.

Para saber mais, veja também:

Carla Muniz
Carla Muniz
Professora, lexicógrafa, tradutora, produtora de conteúdos e revisora. Licenciada em Letras (Português, Inglês e Literaturas) pelas Faculdades Integradas Simonsen, em 2002 e formada em 1999 no Curso de Magistério (habilitação para lecionar na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I).