Almeida Garrett


Almeida Garrett foi um escritor e dramaturgo português, um dos maiores representantes do romantismo.

Ademais, é considerado o introdutor do romantismo no país e um dos maiores gênios da literatura de língua portuguesa.

Nomeado 1º Visconde de Almeida Garrett, (título concedido por D. Pedro V em 25 de Junho de 1854), Almeida Garrett foi o refundador do teatro português.

Auxiliou na concepção das ideias para a construção do Teatro Nacional de D. Maria II, na época Teatro Normal, assim como na fundação do Conservatório de Arte Dramática.

Além disso, teve intensa atuação política, lutando contra o absolutismo, sendo deputado, orador, cronista-mor, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.

Biografia

Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, nasceu no Porto, Portugal, dia 4 de fevereiro de 1799.

De descendência nobre foi o segundo filho do selador-mor da Alfândega do Porto, Antônio Bernardo da Silva Garrett e de Ana Augusta de Almeida Leitão.

Garrett passou sua infância na Quinta do Sardão em Oliveira do Douro, em Vila Nova de Gaia, propriedade de seu avô materno, José Bento Leitão.

Com apenas 10 anos foi viver nos Açores visto que sua família se refugiava da invasão francesa em Portugal.

Desde então, passa a receber a educação clássica orientada pelo seu tio escritor e Bispo de Angra, Frei Alexandre da Conceição.

Com 18 anos vai estudar Direito na Universidade de Coimbra se formando em 1821. Exerceu a profissão durante um tempo até se dedicar exclusivamente à sua grande paixão: a literatura.

Em 1822, casou-se com Luísa Midosi e em 1856, separa-se dela e passa a viver com D. Adelaide Pastor até 1841, ano em que ela morreu.

Participou na revolução liberal, adquirindo um espírito político e libertário. A publicação do poema libertino “O Retrato de Vênus” (1821) absorve a atenção da crítica, sendo assim taxado e processado como ateu e imoral.

Por conseguinte, exilou-se na Inglaterra, momento propício para o contato com escritores ingleses como Lord Byron (1788-1824), Walter Scott (1771-1832) e William Shakespeare (1564-1616).

Mais tarde foi viver na França, regressando ao seu país em 1826 donde ocupa o cargo de jornalista nos periódicos “O Português” e “O Cronista”.

Grande entusiasta das questões políticas de seu país, Garrett fundou o jornal “Regeneração”, voltado para causas políticas.

Falece na capital portuguesa, Lisboa, dia 9 de dezembro de 1854, com 55 anos vítima de câncer de origem hepática.

Obras

Fundador do estilo romântico em Portugal, Almeida Garrett foi o criador do lirismo e da prosa moderna.

É considerado por muitos autores, como o escritor português mais completo de todo o século XIX.

Sas obras são as mais lidas e seu estilo influencia até os dias atuais gerações de artistas e escritores.

Seus textos são marcados pela temática patriótica com forte caráter dramático, típicos dos escritores românticos.

Entenda mais sobre o Romantismo em Portugal.

Garrett possui uma vasta obra desde poesias, romances, contos, ensaios, biografias, cancioneiros, peças de teatro, dentre outros. Algumas obras que se destacam:

  • Retrato de Vênus (1821)
  • Camões (1825)
  • Dona Branca (1826)
  • Adozinda (1828)
  • Catão (1828)
  • O Auto de Gil Vicente (1842)
  • Romanceiro (1843)
  • Cancioneiro Geral (1843)
  • Frei Luis de Sousa (1844)
  • Flores sem Fruto (1844)
  • D’o Arco de Santana (1845)
  • Viagens na minha terra (1846)
  • Folhas Caídas (1853)

Poemas

Segue abaixo trechos do poema “O Retrato de Vênus” (1821) e Miragaia (1844)

O Retrato de Vênus

Vénus, Vénus gentil! — Mais doce, e meigo
Soa este nome, ó Natureza augusta.
Amores, graças, revoai-lhe em torno,
Cingi-lhe a zona, que enfeitiça os olhos;
Que inflama os corações, que as almas rende.
Vem, ó Cípria formosa, oh! Vem do Olimpo,
Vem cum mago sorrir, cum terno beijo,
Fazer-me vate, endeusar-me a lira.

E quanto podes cum sorriso, ó Vénus!
Jove, que empunhe o temeroso raio;
Neptuno as ondas tempestuoso agite;
Torvo Sumano desenfreie as fúrias...
Se dos olhos gentis, dos lábios meigos
Desprender um sorriso a Idália deusa,
Rendido é Jove, o mar, o Averno, o Olimpo.

Miragaia

Noite escura tam formosa,
Linda noite sem luar,
As tuas estrellas de oiro
Quem n'as poderá contar!

Como as folhinhas do bosque,
Como as areias do mar...
Em tantas lettras se escreve
O que Deus mandou guardar.

Mas guai do homem que se fia
N'essas lettras decifrar!
Que a ler no livro de Deus
Nem anjo póde atinar.

Bem ledo está Dom Ramiro
Com sua dama a folgar;
Um perro bruxo judio
Foi causa de elle a roubar:

Disse-lhe que pelos astros
Bem lhe podia affirmar
Que Zahara, a flor da belleza,
Lhe devia de tocar.

E o rei veio de cilada
D'além do Doiro passar,
E furtou a linda moira,
A irman d'Alboazar.

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