Anne Frank

Juliana Bezerra

Annelies Marie Frank, conhecida como Anne Frank, foi uma garota alemã de origem judia, autora do livro "O Diário de Anne Frank".

O livro relata o drama do cotidiano familiar de oito pessoas que tiveram que esconder-se da polícia política alemã – Gestapo – pelo fato de serem judeus.

Biografia

Anne Frank

Anne Frank na escola em 1940

Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929. Seus pais eram alemães de origem judia que viviam em Frankfurt. O matrimônio já tinha outra filha, Margot.

O pai de Anne Frank, Otto Frank, era economista e trabalhava como agente comercial. É descrito pela própria filha com um homem rico que serviu na Primeira Guerra Mundial como oficial do Exército alemão. O casamento com Edith Frank foi arranjado entre as duas famílias como era costume na época.

Fugindo das leis antissemitas que entraram em vigor na Alemanha, em 1933, a família foi para a Holanda, a fim de escapar da perseguição.

Otto Frank consegue trabalho como representante comercial de uma fábrica de geleias e, posteriormente, torna-se o diretor da empresa.

No entanto, a situação piorou quando a Alemanha invadiu a Polônia e a Inglaterra declarou-lhe guerra.

A Holanda resistiu, mas foi invadida pelos nazistas que também instauravam leis antissemitas nos países ocupados.

Desta maneira, o pai é destituído da direção por causa da proibição aos judeus de serem diretores ou presidentes de uma empresa.

Em 1942, temendo a repressão nazista, a família decide se mudar para um esconderijo que seria dividido com mais quatro pessoas.

Dois anos depois, os nazistas descobrem o lugar e os levam para distintos campos de concentração. A mãe morreria de fome, enquanto Anne e a irmã faleceriam em decorrência do tifo. Somente o pai, Otto Frank, sobreviveu.

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Casa de Anne Frank

Anne Franck esconderijo

Aspecto da entrada do esconderijo onde viveu Anne Frank

Tratava-se de um anexo no prédio comercial onde Otto Frank trabalhava e cuja entrada ficava escondida por uma estante.

Ali havia cômodos, dois banheiros e um sótão muito pequenos. Todos deviam guardar silêncio absoluto durante o dia, a fim de não levantar suspeitas entre os empregados da empresa.

No fim de semana, as quatro pessoas que sabiam da existência deste segredo, iam ao esconderijo a fim de levar-lhes comida e objetos de uso cotidiano.

Num trecho do livro ela descreve assim o dia a dia:

Margot e mamãe estão nervosas. ‘Psiu... papai. Fique quieto, Otto. Psiu... Pim (*)! São oito e meia. Você não pode continuar com a torneira aberta. Ande sem fazer barulho. Essa é uma amostra do que se diz a papai no banheiro.’ Quando são oito e meia, ele precisa estar na sala. Nada de água corrente, nada de dar descarga no banheiro, nada de andar, nenhum barulho. Enquanto o pessoal do escritório não chega, os sons viajam com mais facilidade até o armazém. (Anne Frank em O Diário de Anne Frank , 23 de Agosto de 1943) *Pim = o pai de Anne Frank

O Diário de Anne Frank

Enredo

Anne Frank descreve a rotina da família e dos companheiros de forma bastante simples e comovente. As aulas de francês, as leituras, os desentendimentos com a mãe e a irmã. Recorda da sua vida anterior à perseguição e como sentia saudades da vida que levavam antes.

Igualmente, reflete sobre suas transformações como adolescente e narra a descoberta do amor, através de Peter, um dos ocupantes da casa.

Mostra-se consciente do perigo que a rodeia e sabe o que pode vir a acontecer com aqueles que os protegiam. Por isso, trata-se de um testemunho de primeira mão por quem realmente viveu à perseguição nazista na Holanda.

Ela deixa registrado um momento de tensão quando quase foram surpreendidos:

Passos na casa, no escritório particular, na cozinha, e depois... na escada. Todos os sons de respiração pararam, oito corações batiam. Passos na escada e, depois, um barulho na estante. Este momento foi indescritível. - Agora nós estamos perdidos – disse eu e tive visões de todos nós sendo arrastados naquela mesma noite pela Gestapo. (Anne Frank em O Diário de Anne Frank, 11 de abril de 1944)

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Personagens

  • Otto Frank: casado com Edith, pai de Margot e Anne. Sobrevive ao Holocausto e decide publicar os diários da filha mais nova. Faleceu em 1980.
  • Edith Frank: esposa de Otto Frank e mãe de Margot e Anne. Morre em Auschwitz.
  • Margot Betti Frank: Irmã de Anne. Também escreveu um diário que nunca foi encontrado. Foi separada da mãe quando foi transferida junto com Anne para o campo de Bergen-Belsen. Ali morreria de tifo.
  • Hermann van Pels: Amigo e sócio da empresa de Otto Frank. Morre em Auschwitz.
  • Auguste van Pels-Röttgen: Mulher de Herman e mãe de Peter. Morre em abril ou maio de 1945.
  • Peter van Pels: Filho de Hermann e Auguste. Anne e Peter desenvolveram um grande afeto um pelo outro. Peter faleceu no campo de concentração em Mauthausen.
  • Miep Gies e Bep Voskuijl: são colegas de trabalho de Otto. Ambas esconderam as duas famílias e os ajudaram levando comida. Miep Gies foi a responsavel por encontrar os diários de Anne Frank e depois da guerra se dedica a participar da difusão do diário. Faleceu em 2010 e Bep, em 1983.
  • Victor Kugler e Johannes Kleiman: auxiliavam a cuidar das pessoas escondidas. Faleceram em 1981 e 1959, respectivamente.

Publicação do Diário

Diário Anne Frank

Cópia do diário de Anne Frank

Quando Otto Frank pôde voltar à Holanda, Miep Gies lhe entregou uma série de escritos, álbuns, fotografias que perteceram a sua família. Dentre esses objetos estava o diário de Anne.

Apesar de hesitar se deveria ou não publicá-lo, Otto Frank o faz em 1947, na Holanda. O livro seria traduzido com sucesso para vários idiomas e alcançou êxito no Japão, onde foram vendidos 100 mil exemplares da primeira edição.

Mais tarde seria adaptado para o teatro, cinema e televisão.

Casa-Museu

Graças ao esforço de Otto Frank, o esconderijo das famílias se tornou um museu. O edifício quase foi demolido, mas graças a uma associação foi aberto como museu em 1960.

Atualmente, recebe cerca de um milhão de visitantes por ano tornando-se o terceiro museu mais visitado da Holanda.

Teatro

“O Diário de Anne Frank” ganhou uma versão para o teatro e estreou na Broadway em 5 de outubro de 1956.

Filmes & Documentário

  • O Diário de Anne Frank, de George Stevens. 1959.
  • Sótão: O Esconderijo de Anne Frank, de John Erman. 1988.
  • Lembrança de Anne Frank, de Jon Blair. 1994.
  • O Diário de Anne Frank, de Jon Jones. 2009.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.