Belle Époque


A “Belle Époque”, do francês “bela época”, foi um período de grande otimismo e paz, desfrutado pelas potências ocidentais, sobretudo as europeias, entre 1871 até 1914, quando eclode a Primeira Guerra Mundial.

Esta “época áurea” foi possibilitada em grande parte pelos avanços científicos e tecnológicos, os quais tornaram a vida cotidiana mais fácil, bem como firmaram a crença de prosperidade e esperança no futuro.

Principais Causas

Com o fim da guerra Franco-Prussiana, surge na Europa uma política de estabilidade, apesar da insatisfação francesa em perder os territórios de Alsácia-Lorena para a Alemanha em 1871, o que acabou gerando também uma tensão militar entre aquelas potências.

A despeito da corrida armamentista que se desenrolava, o clima de progresso da Segunda Revolução Industrial provocou um forte êxodo rural e favoreceu o desenvolvimento de uma cultura urbana cosmopolita e de divertimento, fomentada pelos avanços nos meios de comunicação e transporte.

Principais Características

O ponto marcante desta época foi o estilo de vida boêmio e otimista, com destaque para a França, a qual se tornou o centro Global de toda influência educacional, científica, médica e artística após a instauração da Terceira República Francesa, em 1870. Ademais, se a nação francesa era o polo difusor, Paris era o núcleo da Belle Époque Mundial.

Ora, foram criações francesas (parisienses) notáveis deste período: as políticas de saneamento público e urbanização de Haussmann – que renovaram Paris (drasticamente) sob os preceitos dos saberes médicos-higienistas e reduziram as taxas de mortalidade, tornando aquela um modelo para o Mundo; os cabarés, como o Moulin Rouge; a Torre Eiffel (1889); o Casino de Paris (1890); o Metrô de Paris, etc.

Ainda na França surgiram o pneumático de borracha removível de Edouard Michelin (1890), o Peugeot Tipo 3 (1891), a primeira força aérea nacional (1910), a indústria cinematográfica de Auguste e Louis Lumière, dentre outras.

Paralelamente, a Belle Époque se desenvolvia nos Estados Unidos após a recuperação da crise econômica de 1873; no Reino Unido pós era vitoriana; na Alemanha do Kaiser Wilhelm I & II; e na Rússia de Alexandre III e Nicolas II. No Brasil, este período ficou marcado nas cidades de Fortaleza, Manaus e Rio de Janeiro, sobretudo após a Proclamação da República, em 1889.

De toda forma, pudemos vislumbrar em todo Ocidente, as revoluções provocadas com a melhoria nos transportes públicos de massa (trens e navios a vapor) ou individuais (Ford T e a bicicleta), pelas tecnologias de telecomunicações (telefone e telégrafo sem fio), ou pela substituição da iluminação a gás pela elétrica.

Do ponto de vista cultural, assistimos a multiplicação das livrarias, salas de concertos, boulevards, atêliers, cafés e as galerias de arte, principalmente as parisienses, de onde saíam quase todas as tendências estéticas e artísticas globais produzidas durante o período.

Não obstante, vale destacar enquanto movimento artístico da Belle Époque, o estilo “Art Nouveau”, um fazer ornamental de cores vibrantes e formas sinuosas, presente desde as fachadas dos edifícios até nos objetos decorativos, como joias e mobiliários. No âmbito da pintura, também se destacou o Impressionismo de Claude Monet (1840- 1926).

Outros artistas de renome da Belle Époque foram Odilon Redon (1840-1916), Paul Gauguin (1848-1903), Henri Rousseau (1844-1910), Pierre Bonnard (1867-1947), Émile Zola (1840-1902), dentre outros.

Também vimos nesse período à organização dos sindicatos trabalhistas e partidos políticos, bem como a ascensão do Socialismo.

A Belle Époque termina com a Crise de 1929.