Conectivos

Conectivos são as palavras ou expressões que interligam as frases, períodos, orações, parágrafos e permitem a sequência de ideias.

Esse papel é desempenhado sobretudo pelas conjunções, palavras invariáveis usadas para ligar os termos e orações em um período. Além disso, alguns advérbios e os pronomes também podem exercer essa função.

Os conectivos são elementos essenciais no desenvolvimento de textos, uma vez que estão relacionados com a coesão textual.

Assim, se forem mal empregados, reduzem a capacidade de compreensão da mensagem e comprometem o texto.

Lista de Conectivos

A aplicação da conjunção ou mesmo da locução conjuntiva como elementos conectores, depende do tipo de relação que é estabelecida entre as duas orações. Elas são classificadas em coordenativas ou subordinadas.

As conjunções coordenativas são aquelas utilizadas para ligar os termos que exercem a mesma função sintática. Ligam, também, as orações independentes.

Já as conjunções subordinadas são as usadas para ligar orações que são dependentes sintaticamente.

Prioridade e relevância

Esses conectores são muito usados em início de frases para apresentar uma ideia. Eles também podem oferecer relevância ao que está sendo apresentado.

Exemplo: Primeiramente devemos atentar ao conceito de pluralidade cultural.

Em primeiro lugar, antes de mais nada, antes de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, principalmente, primordialmente, sobretudo, a priori, a posteriori, precipuamente.

Tempo, frequência, duração, ordem ou sucessão

Esses conectivos situam o leitor na sucessão dos acontecimentos ou das ideias. Por esse motivo, são muito explorados em textos narrativos.

Exemplo: Logo após sair da aula, Bianca teve um encontro com Arthur.

Então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente, agora, atualmente, hoje, frequentemente, constantemente, às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.

Semelhança, comparação ou conformidade

Para estabelecer uma relação com uma ideia ou um conceito que já foi apresentado anteriormente no texto, utilizamos esse tipo de conectivos. Além disso, podem ser utilizados para apontar ideias de outro texto (intertextualidade).

Exemplo: De acordo com as ideias de Darcy Ribeiro, o povo brasileiro é muito diverso.

Igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.

Condição ou hipótese

Esses termos são utilizados em situações circunstanciais que podem oferecer hipóteses para uma situação futura.

Exemplo: Caso chova essa tarde, não iremos na academia.

Se, caso, eventualmente.

Continuação ou adição

Para acrescentar algo ao texto, e que esteja relacionado com o que anteriormente foi apresentado, usamos os conectivos de continuação ou adição.

Exemplo: Suzana foi professora na Universidade de Minas Gerais no período da Ditadura Militar. Além disso, foi coordenadora do Departamento de Artes vinculado à Secretaria de Cultura do município de Belo Horizonte.

Além disso, demais, ademais, outrossim, ainda mais, por outro lado, também, e, nem, não só, como também, não apenas, bem como.

Dúvida

Para inserir no texto uma dúvida ou probabilidade utilizamos esses conectivos.

Exemplo: É provável que Tomás não venha trabalhar hoje.

Talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não certo, se é que.

Certeza ou ênfase

Quando queremos resslatar algo que temos certeza ou mesmo para enfatizar uma ideia no texto, utilizamos esses elementos de coesão.

Exemplo: Certamente Cecília esteve envolvida com o caso de roubo.

Por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com certeza.

Surpresa ou imprevistos

Esses elementos enfatizam uma surpresa ou mesmo algo que não estava previsto acontecer. São muito utiizados em textos descritivos e narrativos.

Exemplo: De repente vimos o dono da empresa nas galerias de arte.

Inesperadamente, de súbito, subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.

Ilustração ou esclarecimento

Como forma de esclarecer algum conceito ou ideia apresentados no texto, utilizamos esses conectivos.

Exemplo: Os estudantes poderão utilizar todos os locais da faculdade no evento, ou seja, o anfiteatro, a biblioteca, o refeitório e o pátio.

Por exemplo, isto é, ou seja, aliás.

Propósito, intenção ou finalidade

Nesse caso, o produtor do texto tem um propósito ou uma finalidade definida. Ou seja, ele quer apresentar o objetivo relacionado com o que almeja alcançar.

Exemplo: Com o intuito de ganhar mais votos para as eleições, Joaquim divulgou muito seu trabalho.

Com o fim de, a fim de, como propósito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para, ao propósito.

Lugar, proximidade ou distância

Advérbios de lugar e pronomes demostrativos são algumas classes gramaticais que envolvem esses conectivos. Eles são utilizados para indicarem a distância entre algo.

Exemplo: Eles viveram muitos anos próximos da Catedral, no centro da cidade.

Perto de, próximo a ou de, justo a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.

Conclusão ou resumo

Muito comum serem utilizados na conclusão de um parágrafo, ou mesmo de uma redação, para resumir as ideias que foram apontadas no texto.

Exemplo: Em resumo, podemos notar o aumento das taxas alfandegárias durante o período apresentado.

Em suma, em síntese, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse modo, logo, pois, assim sendo, nesse sentido.

Causa, consequência e explicação

Esses elelmentos connectivos servem para explicar as causas e consequências de uma ação, um fenômeno, etc.

Exemplo: O aquecimento global tem afetado diretamente o ser humano e os animais. Como resultado, temos a extinção de muita espécies.

Por consequência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito, tão, tanto, tamanho, que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez que, visto que, como (no sentido de porque), portanto, que, de tal forma que, haja vista.

Contraste, oposição, restrição, ressalva

Os concetivos de oposição, como o próprio nome indica, servem para opor ideias ou conceitos num período.

Exemplo: Embora o Brasil seja um país diverso, podemos encontrar singularidades em muitas regiões do páis.

Pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, ao passo que, em contrapartida.

Ideias alternativas

Nesse caso, usamos oss conectivos quando queremos citar mais de uma opção.

Exemplo: Ou enfrentamos o problema, ou não poderemos mais trabalhar juntos.

Ou, ou...ou, quer...quer, ora...ora.

Caiu no Enem!

Questão 133 do Enem 2015

Da Timidez

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.

[...] O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma plateia, o tímido não pensa nos membros da plateia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a plateia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.

VERISSIMO, L. F. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Entre as estratégias de progressão textual presentes nesse trecho, identifica-se o emprego de elementos conectores. Os elementos que evidenciam noções semelhantes estão destacados em:

a) "Se ficou notório por ser tímido" e "[...] então tem que se explicar."
b) "Então tem que se explicar" e "[...] quando as estrelas virarem pó."
c) [...] ficou notório apesar de ser tímido [...] e "[...] mas isto não é vantagem [...]."
d) [...] um estratagema para ser notado [...] e "Tão secreto que ele nem sabe".
e) [...] como num paradoxo psicanalítico [...] e "[...] porque só ele acha [...]."

Alternativa c: [...] ficou notório apesar de ser tímido [...] e "[...] mas isto não é vantagem [...]."

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