Como fazer uma boa redação (passo a passo)

Daniela Diana
Daniela Diana
Professora licenciada em Letras

Para fazer uma boa redação é muito importante que você elimine a ideia de que escrever é muito complicado.

Para começar, reflita sobre o tema da redação e tome nota de todas as ideias que vierem à cabeça. Escreva tudo o que se lembrar, sem se preocupar em colocar no papel de forma bem elaborada. Mais para frente, essas ideias serão organizadas.

Pense também numa citação ou num fato histórico que possa ser referenciado. Isso mostra que você tem conhecimentos gerais.

Depois de ter anotado tudo o que veio à cabeça, desenvolva as ideias iniciais. Assim, começam a surgir os primeiros parágrafos do que antes eram apenas ideias soltas.

No passo seguinte, estruture a sua redação pensando bem em como fará a introdução das ideias, o desenvolvimento dos seus argumentos, e a conclusão que proponha alguma solução.

Agora que grande parte do trabalho já está pronto, utilize conectivos e garanta que o seu texto é coeso e, principalmente coerente, convencendo assim o seu leitor.

Para finalizar, revise o que escreveu fazendo uma leitura atenta. Essa leitura permite corrigir pequenas falhas de desatenção que podem prejudicar o seu texto, por isso, ela é muito importante.

Passo a passo para fazer uma boa redação:

  1. Reflita sobre o tema da redação
  2. Desenvolva as ideias iniciais
  3. Estruture a sua redação
  4. Utilize conectivos e seja coerente
  5. Revise o que escreveu

1. Reflita sobre o tema da redação

Reflita sobre o tema que está sendo proposto e faça um esboço, mesmo mental, sobre o que você sabe sobre o mesmo. Se tiver tempo, fazer um rascunho e enumerar as principais ideias, é uma boa maneira de começar.

Fazer perguntas e respondê-las é um exercício que pode ajudar você a montar um esquema.

Exemplo:

Vamos pensar no tema “O papel da sociedade no combate da violência nas escolas”:

  • O quê? Violência nas escolas.
  • Como ela acontece? Atritos entre alunos ou entre alunos, professores e funcionários.
  • Por que ela acontece? Falta de respeito, de limites etc.
  • Quando ou desde quando ela acontece? Cada vez há mais casos de violência nas escolas.
  • Onde ela acontece? Acontece dentro ou fora das escolas.
  • O que pode ser feito? A escola deve envolver a comunidade escolar para momentos de conscientização que incentivem o respeito pelas pessoas.

Desta forma, você delimita a sua abordagem e, com isso, é capaz de apresentar argumentos convincentes sobre os pontos que pretende expor no seu texto.

Além disso, essa organização permite que você não corra o risco de fugir do tema e consiga controlar melhor o seu tempo.

Aproveite para pensar em exemplos, dados históricos ou uma citação que estejam relacionados com o tema da redação. Utilize-os ao longo do seu texto e enriqueça-o.

Há uma coisa importante que é entender a diferença entre tema e assunto. O tema é uma abordagem que pode ser feita de um assunto. No exemplo acima, temos

Assunto: violência das escolas
Tema: o papel da sociedade no combate da violência nas escolas
Outros possíveis temas: formação dos professores para enfrentar a violência nas escolas, os fatores que levam os alunos a serem violentos na escola.

2. Desenvolva as ideias iniciais

Depois de ter organizado as suas ideias no passo anterior, o momento de escrever o seu texto se torna muito mais fácil.

Neste passo, o seu esboço mental, ou rascunho, começa a se transformar em parágrafos com ideias desenvolvidas. Acrescente os exemplos, os dados históricos ou a citação que conseguiu reunir. Todos eles são recursos que valorizam muito um texto, além do que dão mostras de que você tem conhecimentos.

Exemplo:

A violência nas escolas acontece entre alunos ou entre alunos, professores e funcionários. Esse problema tem sido cada vez mais frequente e, por isso, requer um olhar atento para as suas causas. A falta de limites dos estudantes no ambiente familiar é um delas.

As vítimas da violência escolar são atacadas muitas vezes na escola, mas também fora dela. Exemplo disso são as redes sociais, em que os agressores aproveitam-se para pressionar as vítimas e, com isso, deixá-las cada vez mais fragilizadas.

A escola deve envolver a comunidade para momentos de conscientização que incentivem o respeito pelas pessoas. Com essa iniciativa, talvez seja possível sensibilizar a população para a necessidade de assumir o compromisso em acabar com esse tipo de violência, que é um problema de cada um de nós.

3. Estruture a sua redação

A maior parte das redações que você escreve é dissertativa-argumentativa. Esse é o tipo de redação exigido no Enem.

A redação dissertativa-argumentativa é aquela em que você defende uma ideia através de argumentos. Na sua estrutura ela deve conter introdução, desenvolvimento e conclusão.

1. A introdução é usada para contextualizar o leitor sobre o tema da redação, ou seja, após ler a introdução, o leitor saberá as ideias que serão abordadas no seu texto.

A introdução não precisa ser longa, afinal, você apenas deve deixar claro para o leitor as ideias, sem expor os seus argumentos.

2. O desenvolvimento é usado para você argumentar sobre cada uma das suas ideias. O ideal é apresentar dados que mostrem o seu conhecimento, pois essa é uma forma de convencer o leitor.

O desenvolvimento é a parte mais longa da redação, pois é nele que você defenderá as suas ideias com argumentos.

3. A conclusão é usada para apresentar ao leitor o que se pode concluir a partir das ideias que você expôs no desenvolvimento. Para tanto, você deve reunir as ideias e propor uma solução.

A conclusão não deve ser longa. Em média, ela costuma ter o mesmo número de parágrafos que a introdução contém.

4. Utilize conectivos e seja coerente

Uma boa redação precisa apresentar uma sequência lógica. Para isso, utilizamos conectivos a fim de garantir que as ideias não fiquem soltas e que o texto não seja um simples emaranhado de frases.

Assim, entretanto, dessa forma, mas são termos utilizados para oferecer ao texto uma maior ligação entre as frases e as ideias.

Além de apresentar uma sequência lógica, o seu texto tem que ser coerente, ou seja, não pode apresentar ideias que se contradigam. Se você for contraditório, não conseguirá defender suas ideias, e o seu texto será confuso e incoerente.

5. Revise o que escreveu

Para finalizar, releia o seu texto.

Isso é muito importante, porque com a leitura final você pode identificar erros de concordância, falta de pontuação, ou um deslize qualquer cometido por falta de atenção.

A revisão final dá a você a oportunidade de corrigir certos erros e, assim, não perder pontos na redação por descuidos.

Exemplos de redações prontas

Amostras de redações nota 1000 do Enem 2018 com o tema "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet":

Redação de Mattheus Martins Wengenroth Cardoso

"O advento da internet possibilitou um avanço das formas de comunicação e permitiu um maior acesso à informação. No entanto, a venda de dados particulares de usuários se mostra um grande problema. Apesar dos esforços para coibir essa prática, o combate à manipulação de usuários por meio de controle de dados representa um enorme desafio. Pode-se dizer, então, que a negligência por parte do governo e a forte mentalidade individualista dos empresários são os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a venda de dados pessoais e a manipulação do comportamento nas redes. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grandes empresas sentem-se livres para invadir a privacidade dos usuários e vender informações pessoais para empresários que desejam direcionar suas propagandas. Dessa forma, a opinião dos consumidores é influenciada, e o direito à liberdade de escolha é ameaçado.

Outrossim, a busca pelo ganho pessoal acima de tudo também pode ser apontado como responsável pelo problema. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Ao vender dados particulares e manipular o comportamento de usuários, empresas invadem a privacidade dos indivíduos e ferem importantes direitos da população em nome de interesse individuais. Desse modo, a união da sociedade é essencial para garantir o bem-estar coletivo e combater o controle de dados e a manipulação do comportamento no meio digital.

Infere-se, portanto, que assegurar a privacidade e a liberdade de escolha na internet é um grande desafio no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor da população, através da criação de leis que proíbam a venda de dados dos usuários, a fim de que empresas que utilizam essa prática sejam punidas e a privacidade dos usuários seja assegurada. Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham valores culturais e sociais, deve atuar em conjunto e combater a manipulação e o controle de informações, por meio de boicotes e campanhas de mobilização, para que os empresários sintam-se pressionados pela população e sejam obrigados a abandonar a prática.

Afinal, conforme afirmou Rousseau: “a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos”."

Redação de Luisa Sousa Lima Leite

"A Revolução Técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Embora esse movimento de modernização tecnológica tenha sido fundamental para democratizar o acesso a ferramentas digitais e a participação nas redes sociais, tal processo foi acompanhado pela invasão da privacidade de usuários, em virtude do controle de dados efetuado por empresas de tecnologia. Tendo em vista que o uso de informações privadas de internautas pode induzi-los a adotar comportamentos intolerantes ou a aderir a posições políticas, é imprescindível buscar alternativas que inibam essa manipulação comportamental no Brasil.

A princípio, é necessário avaliar como o uso de dados pessoais por servidores de tecnologia contribui para fomentar condutas intolerantes nas redes sociais. Em consonância com a filósofa Hannah Arendt, pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Todavia, a filtragem de informações efetivada pelas redes digitais inibe o contato do usuário com conteúdos que divergem dos seus pontos de vista, uma vez que os algoritmos utilizados favorecem publicações compatíveis com o perfil do internauta. Observam-se, por consequência, restrições ao debate e à confrontação de opiniões, que, por sua vez, favorecem a segmentação da comunidade virtual. Esse cenário dificulta o exercício da convivência com a diferença, conforme defendido por Arendt, o que reforça condutas intransigentes como a discriminação.

Em seguida, é relevante examinar como o controle sobre o conteúdo que é veiculado em sites favorece a adesão dos internautas a certo viés ideológico. Tendo em vista que os servidores de redes sociais como “Facebook“ e “Twitter” traçam o perfil de usuários com base nas páginas por eles visitadas, torna-se possível a identificação das tendências de posicionamento político do indivíduo. Em posse dessa informação, as empresas de tecnologia podem privilegiar a veiculação de notícias, inclusive daquelas de procedência não confirmada, com o fito de reforçar as posições políticas do usuário, ou, ainda, de modificá-las para que se adequem aos interesses da companhia. Constata-se, assim, a possibilidade de manipulação ideológica na rede.

Portanto, fica evidente a necessidade de combater o uso de informações pessoais por empresas de tecnologia. Para tanto, é dever do Poder Legislativo aplicar medidas de caráter punitivo às companhias que utilizarem dados privados para a filtragem de conteúdos em suas redes. Isso seria efetivado por meio da criação de uma legislação específica e da formação de uma comissão parlamentar, que avaliará as situações do uso indevido de informações pessoais. Essa proposta tem por finalidade evitar a manipulação comportamental de usuários e, caso aprovada, certamente contribuirá para otimizar a experiência dos brasileiros na internet."

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.