Dia da Independência - 07 de setembro

Juliana Bezerra

O Dia da Independência do Brasil é celebrado em 7 de setembro quando o Brasil conquistou autonomia política em relação a Portugal.

Proclamada por Dom Pedro, em 1822, a data de Independência é celebrada com desfiles militares.

Resumo da Independência

Após a volta de Dom João VI para Portugal, em 1820, as elites brasileiras começam a discutir as possibilidades de fazer a independência do Brasil.

Ao contrário das demais colônias hispânicas, o Brasil tinha o príncipe-herdeiro do reino fisicamente instalado no seu território. Desta maneira, muitos líderes se unem a figura de Dom Pedro a fim de que ele lidere o processo de independência.

Dom Pedro I e a Independência
Proclamação da Independência do Brasil, de François René Moreaux, 1844

Alguns, porém, desconfiavam da fidelidade de Dom Pedro ao Brasil. Essas dúvidas foram dissipadas em 9 de janeiro de 1822 com a declaração de que Dom Pedro permaneceria no Brasil. Esta data passou à história como o Dia do Fico.

Viagem à São Paulo

Em agosto do mesmo ano, Dom Pedro decide empreender uma viagem à província de São Paulo a fim de garantir o apoio dos paulistas à sua causa. Deixa sua esposa, a princesa Dona Leopoldina como regente.

Neste ínterim, chegam cartas de Portugal exigindo a volta imediata de Dom Pedro ao Reino e dessa vez não se aceitariam desculpas.

Diante da gravidade da situação, Dona Leopoldina convoca o Conselho de Estado. Indignados com o conteúdo da correspondência, os integrantes apoiam a decisão de Dona Leopoldina em assinar o decreto de independência do Brasil.

Em seguida, a regente envia uma carta a Dom Pedro contando o que fizera e que caberia a ele formalizar a separação entre os dois países. José Bonifácio também manda uma correspondência orientando Dom Pedro a proclamar a independência o quanto antes.

Assim, cinco dias depois, a comitiva de Dom Pedro é interceptada pelo correio enquanto descansava às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo.

Ali mesmo, o príncipe manda que os soldados se desfaçam de suas insígnias branca e azul (cores de Portugal) e dá o seu famoso grito de “Independência ou Morte”. Este momento ficaria conhecido como o "Grito do Ipiranga".

Comemorações do 7 de Setembro

Desde o Primeiro Reinado (1822-1831) costumava-se fazer um desfile militar para festejar o dia. Essa tradição vem desde o Antigo Regime quando a festas cívicas ou o aniversário do soberano eram acompanhadas do desfile das tropas diante do monarca.

Contudo, no Período Regencial (1831-1840), por conta das rebeliões que explodiam pelo país, o 7 de setembro passava inadvertido.

Somente em 1840, com a ascensão de Dom Pedro II ao trono, a data volta a se revestir de solenidade. Os desfiles militares aconteciam na capital do país, o Rio de Janeiro, e se repetiam nas capitais de província.

Durante a República, a data só cresceria de importância sendo uma das festas mais celebradas. Em 1922, por exemplo, o governo do presidente Epitácio Pessoa não poupou esforços para comemorar o primeiro centenário da Independência numa grande vitrine da nação brasileira.

Independência do Brasil
Selo retratando os pavilhões da Exposição realizada no Rio de Janeiro. Ao alto, à esquerda, o presidente Epitácio Pessoa

Nesta ocasião, foi realizada a Exposição Internacional do Primeiro Centenário do Brasil, no Rio de Janeiro. A mostra contou com a presença de 13 países de três continentes, além da participação dos estados brasileiros.

As nações mostravam seus produtos e características culturais, em pavilhões montados no bairro da Urca e no centro do Rio de Janeiro. Calcula-se que 3 milhões de pessoas visitaram a exposição de 7 de setembro de 1922 a 23 de março de 1923.

Durante a Era Vargas, as escolas eram obrigadas a participar do desfile reforçando o sentimento de identidade brasileira dos cidadãos. Essa tradição durou até meados dos anos 90, onde a participação dos alunos passou a ser voluntária.

Igualmente, desfilam oficiais e soldados veteranos das guerras nas quais o Brasil participou, como os pracinhas da Segunda Guerra.

Também se costuma convidar um Chefe de Estado de uma nação estrangeira com o qual o Brasil tenha especial relação para assistir a solenidade.

Atualmente, o desfile solene do Sete de Setembro ocorre em Brasília na Esplanada dos Ministérios, desde 2003.

Hino da Independência

Dom Pedro I comporia a melodia do Hino da Independência sobre versos do poeta Evaristo da Veiga (1799-1837).

Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Curiosidades sobre a Independência

  • Depois da Independência, houve um debate sobre qual a data deveria ser comemorada a independência. O Dia 9 de janeiro, o Dia do Fico, e o dia da assinatura por Dona Leopoldina, dia 2 de setembro, eram cotadas para serem consideradas esse marco.
  • Tropas portuguesas, estacionadas na Bahia, se recusaram a reconhecer o novo governo. A província enfrentaria batalhas até o dia 2 de julho de 1823 quando são derrotadas. Até hoje é feriado na Bahia lembrando este feito.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.