Estado Islâmico

Juliana Bezerra

O Estado Islâmico é um estado autoproclamado por terroristas de diversas nacionalidades. Não é reconhecido por nenhum governo, nem pela ONU.

Atualmente, dominam cidades da Síria e do Iraque, e realizam atentados contra a população civil de países europeus e do Oriente Médio.

O Estado Islâmico também é conhecido por suas siglas em inglês, Isis; ou em árabe, Daesh.

Origem

O Estado Islâmico nasceu em 2003 quando o Iraque estava ocupado por tropas americanas após os atentados de 11 de Setembro.

Seu fundador, Abu Musab al-Zarqawi, de nacionalidade jordaniana, era responsável pelo grupo Al-Qaeda no Iraque. Por isso realizou inúmeros atentados contra civis muçulmanos no Iraque e na Jordânia.

Suas ideias eram consideradas mais ambiciosas que as de Osama Bin Laden, pois Zarqawi pretendia convocar uma jihad e fundar um Estado Islâmico. Este teria como território países como o Iraque, Síria, Jordânia, Israel, Palestina, norte da África e a Penísula Ibérica.

Abu Musab al-Zarqawi foi morto em 2006 pelas tropas americanas, mas seus ideais já haviam se espalhado e conquistado vários adeptos.

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Estado Islâmico

Território que o Estado Islâmico pretende conquistar

Território que o Estado Islâmico pretende conquistar

Após o falecimento de Abu Musab al-Zarqawi, Abu Bakral-Baghdadi assume a liderança do grupo. Numa aparição pública, na recém-consquitada cidade iraquiana de Mossul, ele se proclama califa em junho de 2014.

Um califa é o sucessor de Maomé, fundador do islamismo e sua função é governar o califado. Por sua vez, o califado é território onde todos os muçulmanos viveriam de acordo com o Islã original.

Os integrantes do Estado Islâmico também seguem o salafismo – um movimento político que evoca a jihad contra o Ocidente.

Jihad significa, literalmente, oesforço no caminho de Deus”. Neste sentido, pode ser o esforço pessoal que o fiel faz para seguir a vontade de Deus na sua vida. No entanto, há correntes islâmicas que o interpretam como fazer a guerra santa contra os infiéis.

Como possuem um líder, um território e uma bandeira, o Estado Islâmico se dá ao direito de praticar a justiça nas regiões conquistadas. De tal modo, as sentenças fatais que assistimos pela TV são realizadas após julgamentos, pois eles aplicam a pena capital aos que não se submetem ao califa.

Importante lembrar que, em 2011, Abu Bakral-Baghdadi não reconheceu como dirigente máximo do Al-Qaeda ao médico egípcio Ayman al-Zawahiri. Desta maneira, as duas organizações seguiram caminhos diferentes para conquistar seus objetivos.

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Apoio Exterior

Além do Exército regular, o Estado Islâmico conta com milhares de grupos espalhados pelo mundo.

Normalmente são jovens desocupados, sem trabalho e que se sentem marginalizados nas sociedades ocidentais onde vivem e são cooptados através das redes sociais. Também pequenos criminosos são radicalizados em presídios enquanto cumprem pena.

Este modo operacional foi chamado de “terrorismo sem fronteiras”, pois qualquer pessoa que se identifique com estas ideias pode realizar um atentado em nome do Estado Islâmico. Infelizmente, isto tem acontecido com muita frequência em várias partes do globo como Londres, Paris e Cabul.

O financiamento deste grupo terrorista vem do contrabando de petróleo cru, dos resgates pedidos em sequestros e da venda de antiguidades.

Os combatentes do Estado Islâmico transformam a destruição de estátuas em verdadeiros espetáculos em frente às câmeras. Nos bastidores, porém, vendem a peso de ouro grande parte desses objetos para colecionadores obtendo dinheiro para suas atividades criminosas.

Estado Islâmico na Síria

Após a morte de Abu Musab al-Zarqawi, parte do seu grupo vai para a Síria durante a Primavera Árabe, em junho de 2011 e se juntam aos rebeldes que lutam conta o presidente sírio Bashar al-Assad.

No entanto, rapidamente, o Estado Islâmico passa agir de forma independente, aproveitando que o governo central sírio não conseguia controlar a situação. Assim conquistam cidades importantes como Raqa, que é proclamada capital do Estado Islâmico e a histórica cidade de Palmira, onde causam danos a importantes monumentos.

A população muçulmana civil destes territórios deve reconhecê-los como líderes ou partir deixando todos os seus bens. Caso não o façam, matam os homens e escravizam mulheres e crianças. Já os cristãos e seguidores de outras religiões têm suas propriedades confiscadas, são expulsos do território ou mortos.

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Estado Islâmico no Iraque

Ao mesmo tempo em que combatiam na Síria, o Estado Islâmico passou a ofensiva também no Iraque onde conquistaram cidades importantes como Sinjar e Tikrit. Esta última de enorme carga simbólica por ser o local de nascimento de Saladino e de Saddam Hussein.

Mas o principal feito foi a conquista de Mossul, a segunda cidade do Iraque, em junho de 2014. A zona seria retomada numa batalha um ano depois com uma coalizão que envolvia Estados Unidos, Iran, Reino Unido, Canadá e o exército curdo, Peshmerga.

Combate ao Estado Islâmico

Uma coalizão de 60 países dentre os quais EUA, Inglaterra, França, Japão e Jordânia tenta combater o Estado Islâmico. Ao mesmo tempo, contam com o apoio dos curdos iraquianos com o exército peshmerga e soldados xiitas.

Por sua vez, o Estado Islâmico recebe o suporte da Coreia do Norte e do Irã.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.