Exercícios sobre o poema Canção do Exílio (com gabarito explicado)
O poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, escrito em 1843 e publicado em 1846 na obra "Primeiros Cantos", é um dos poemas mais emblemáticos da 1ª geração do Romantismo brasileiro. Escrita durante o período em que o autor estudava em Coimbra, a composição expressa a saudade da pátria e a idealização da natureza brasileira, elementos centrais do projeto nacionalista do século XIX. O texto articula simplicidade formal, musicalidade e forte carga emotiva, tornando-se referência fundamental na construção simbólica da identidade nacional.
Além disso, por ter se tornado um marco do romantismo nacional, o poema futuramente chegou a ser muito parodiado durante o modernismo. Diversas obras, assim, o utilizam como um símbolo de uma visão idílica e nacionalista do país, estabelecendo diferentes intertextualidades com o texto de Gonçalves Dias.
A seguir, você verá algumas questões comentadas sobre o texto. Leia-o com atenção e responda com cuidado para treinar seus conhecimentos e aprofundar seus estudos.
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Coimbra, julho, 1843.
Questão 1
O tema central do poema é:
a) a crítica política ao governo imperial.
b) a idealização da pátria distante.
c) a denúncia das desigualdades sociais.
d) a descrição objetiva da natureza europeia.
e) a celebração do progresso industrial.
A alternativa B é correta porque o poema constrói, ao longo de seus versos, a idealização da pátria distante, enfatizando elementos da natureza brasileira como símbolos afetivos da terra natal (palmeiras e sabiás). Não há, no texto, crítica política direta nem denúncia social. Assim, o núcleo temático é a saudade (exílio) e a valorização da pátria, traço característico do Romantismo nacionalista.
Questão 2
No verso “Minha terra tem palmeiras”, a relação do pronome possessivo com a temática romântica se dá pela(o)
a) neutralidade descritiva.
b) distanciamento afetivo.
c) vínculo emocional.
d) linguagem científica.
e) impessoalidade indianista.
A alternativa C é correta porque o pronome possessivo “minha” explicita a subjetividade do eu lírico, revelando vínculo afetivo e pertencimento. Essa marca linguística reforça o caráter emotivo do poema, típico da lírica romântica, afastando qualquer ideia de neutralidade ou impessoalidade descritiva.
Questão 3
A anáfora estruturada ao longo do poema produz efeito de:
a) ironia e sarcasmo.
b) exagero e hipérbole.
c) musicalidade e reforço temático.
d) ambiguidade e saudosismo.
e) transformação e mudança.
A alternativa C é correta, pois a repetição da estrutura “Minha terra...” configura paralelismo sintático, produzindo musicalidade e reforçando o eixo temático da saudade. O recurso intensifica a expressividade e organiza o ritmo do poema, não havendo efeito de ironia ou transformação. Exclui-se, também, a questão da ambiguidade, já que o poema possui um eixo claro de interpretação.
Questão 4
A idealização da natureza brasileira no poema está associada ao:
a) realismo crítico.
b) naturalismo determinista.
c) arcadismo racional.
d) romantismo nacionalista.
e) modernismo experimental.
A alternativa D é correta porque a exaltação da natureza e da pátria insere o poema no contexto do Romantismo nacionalista, especialmente da primeira geração romântica brasileira. O texto não apresenta características realistas, naturalistas ou modernistas, mas sim idealização patriótica e sentimentalismo.
Questão 5
O trabalho poético de Gonçalves Dias extrapola fronteiras temáticas e chega no nível formal da Língua. Assim, produz versos na intenção de valorizar os aspectos linguísticos de sua visão romântica do país. Para tanto, o poeta faz uso de
a) versos livres e ausência de rimas.
b) versos decassílabos heroicos.
c) métrica variável sem padrão fixo.
d) versos brancos e irregulares.
e) redondilhas maiores com regularidade rítmica.
A alternativa E é correta, pois o poema é estruturado predominantemente em redondilhas maiores (sete sílabas poéticas), com regularidade métrica e rítmica. Essa organização formal contribui para a musicalidade do texto, afastando a hipótese de versos livres ou métrica irregular.
Questão 6
A oposição implícita entre “cá” e “lá” contribui para:
a) reforçar o contraste entre pátria idealizada e lugar do exílio.
b) neutralizar o sentimento de saudade.
c) eliminar a subjetividade do eu lírico.
d) construir uma descrição geográfica precisa.
e) estabelecer crítica social explícita.
A alternativa A é correta porque a oposição entre “cá” (lugar do exílio) e “lá” (terra natal) estrutura o conflito central do poema: a distância física e emocional da pátria. Esse contraste espacial sustenta o sentimento de saudade e organiza semanticamente o texto.
Questão 7
Leia os versos finais:
“Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá.”
O apelo presente nesses versos revela que o exílio é vivido como
a) experiência marcada pela adaptação tranquila ao novo espaço.
b) condição provisória minimizada pela idealização saudosa.
c) punição política imposta ao sujeito histórico coletivo.
d) sofrimento íntimo que intensifica o desejo de retorno à pátria.
e) etapa necessária para o amadurecimento racional do indivíduo.
O pedido dirigido a Deus intensifica o tom emocional e evidencia que o exílio é vivido como dor e privação. O desejo de retorno estrutura o sentido dos versos, revelando que a distância da pátria provoca sofrimento íntimo e reforça o sentimento de saudade, núcleo temático do poema.
Questão 8
Considerando a construção simbólica do poema, os elementos da natureza (palmeiras, sabiá, bosques, várzeas) podem ser compreendidos como
a) índices referenciais que garantem objetividade descritiva ao espaço geográfico mencionado.
b) signos alegóricos que estruturam crítica política indireta ao contexto imperial brasileiro.
c) imagens simbólicas que participam da mitificação da pátria e do conceito do "bom selvagem".
d) recursos paisagísticos subordinados à métrica regular, sem relevância semântica própria.
e) elementos naturalistas que antecipam o determinismo científico do final do século XIX.
A alternativa C é a mais adequada porque os elementos naturais (palmeiras, sabiá, bosques e várzeas) ultrapassam a função descritiva e assumem valor simbólico, participando da mitificação da pátria no contexto do Romantismo brasileiro. Essas imagens contribuem para a construção de uma identidade nacional idealizada, em consonância com o projeto literário da primeira geração romântica. Ainda que o conceito do “bom selvagem” esteja mais diretamente associado ao indianismo, ele integra o mesmo horizonte ideológico de valorização da natureza e do espaço nacional como expressão de pureza e autenticidade.
Saiba mais em: Canção do Exílio.
LUIS, Rodrigo. Exercícios sobre o poema Canção do Exílio (com gabarito explicado). Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/exercicios-sobre-o-poema-cancao-do-exilio-com-gabarito-explicado/. Acesso em: