Lord Byron

Márcia Fernandes

Lord Byron (1788-1824), sexto barão dos Byron, foi um dos principais poetas britânicos do romantismo.

Chamava-se George Gordon Byron e nasceu em Londres no dia 22 de janeiro de 1788. Era filho de John Byron e Catherine Gordon de Gight.

Seu pai faleceu logo depois do seu nascimento e sua mãe o levou para a Escócia. Tornou-se barão de Byron em 1798, após o falecimento do seu avô e, assim, utilizou o título de nobreza nas suas conquistas amorosas.

Estudou em Cambridge, onde tirou o mestrado. Mas foi logo após entrar na universidade que, aos 19 anos, publicou o seu primeiro livro de poesias.

Em 1815 casou com Anne Milbanke, de quem divorciou-se no ano seguinte, após escândalo relativamente ao incesto com sua meia-irmã. Por esse motivo, viu-se obrigado a mudar para a Suíça.

Sua filha Allegra, que morreu de febre, é fruto do relacionamento com Claire Clairmont, mulher com quem viveu em Genebra.

Pintura do retrato de Lord Byron

Obras

A obra de Lord Byron se caracteriza pela presença de elementos autobiográficos. Byron foi um crítico, expressava-se de forma melancólica e era um pessimista romântico.

Ainda estudante publicou o seu primeiro livro de poesias. Horas de Ócio, como se chamava, foi publicado em 1807 e alvo de muitas críticas.

Anos depois, em 1811, os dois primeiros cantos que escreveu, e que compõem A Peregrinação de Childe Harold, foi tão bem aceito que foi traduzido para várias línguas.

Os contos desse livro foram escritos em anos diferentes. Os primeiros deles, durante um passeio com os amigos pela Europa e, assim, além de relatar a paisagem de lugares que visitou nesse continente, retrata a vida de um herói desiludido.

Byron pode ser confundido com esse herói, pois parece descrever a si próprio.

O Corsário e Lara, escritos pouco depois, em 1814, afirmam o seu talento.

Seguem-se O Cerco de Corintho (1816), o canto III de A Peregrinação de Childe Harold e O Preso de Chillon.

Manfredo, poema dito demoníaco, foi publicado em 1817.

Em 1818 publicou o canto IV de A Peregrinação de Childe Harold, bem como Beppo.

Dom Juan, por sua vez, começou a ser escrito em 1819, mas não chegou a ser finalizado.

O Deformado Transformado foi escrito na Grécia em 1824.

Importa referir que o poeta brasileiro Álvares de Azevedo, da segunda geração do romantismo, mostra que foi influenciado por Byron. Assim como ele, também outros escritores estrangeiros foram influenciados pelo inglês.

No Brasil, a segunda fase do romantismo era conhecida como “geração Byroniana”, justamente em decorrência da sua influência.

Vítima de febre, Byron faleceu no dia 19 de abril de 1824, na Grécia, quando tinha ido lutar na Guerra de Independência Grega.

Isso fez com que Byron fosse querido na Grécia. Após a sua morte, o seu corpo foi transladado para a Inglaterra, no entanto, o seu coração foi enterrado em terras gregas.

Leia Segunda Geração Romântica e A Linguagem do Romantismo.

Poemas Traduzidos

Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência-curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

Estâncias para Música

"Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.
Quando, do pensamento de antes, a paixão expira
Na triste decadência do sentir;
Não é na jovem face apenas o rubor
Que esmaia rápido, porém do pensamento a flor
Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.
Alguns cuja alma boia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
Praia que nunca atingirão os panos lacerados.
Então, frio mortal da alma, como a noite desce;
Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;
toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;
Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.
Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,
Na meia-noite já sem esperança de repouso:
É como na hera em torno de uma torre já arruinada,
Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.
Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,
Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;
Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:
No ermo da vida assim seria para mim o pranto.
"

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos.