O Ensaio como Gênero Textual

Daniela Diana

O ensaio é um texto opinativo em que se expõe ideias, críticas, reflexões e impressões pessoais, realizando uma avaliação sobre determinado tema.

O ensaio problematiza algumas questões sobre determinado assunto, focadas pela opinião do autor e geralmente, apresentam conclusões originais.

Diferente dos textos narrativos e descritivos, o ensaio pressupõe interpretação e análise mais profunda sobre um tema.

Sendo assim, o ensaio é um gênero discursivo argumentativo e expositivo que implica o ato de ensaiar.

Ou seja, ele apresenta tentativas de reflexão crítica e subjetiva (ponto de vista pessoal) num fluxo natural de ideias, sendo muito solicitado no meio escolar e acadêmico.

Origem

O termo ensaio, foi utilizado pela primeira vez no século XVI pelo filósofo e humanista francês Michel de Montaigne (1533-1592) com a publicação de sua obra “Les Essais” (Os Ensaios), em 1580.

Ensaio Literário e Ensaio Acadêmico

O ensaio acadêmico ou científico é teórico e muitas vezes filosófico. De tal modo, possui uma fundamentação a partir de investigações e recolha de informações sobre um tema.

Embora sejam baseados em teorias, eles podem apresentam uma linguagem mais despretensiosa, que por vezes, beira a uma linguagem mais poética e literária.

De modo geral, os ensaios são textos em prosa, de teor didático, sendo menos formais e flexíveis. Eles são classificados em dois tipos: ensaio literário (ou informal) e ensaio científico (ou formal).

Assim, o ensaio literário (ou artístico) pode não apresentar uma fundamentação científica, ou seja, propõe uma reflexão mais subjetiva do autor, exibindo uma linguagem mais informal ou coloquial.

Já o ensaio científico é baseada em teorias e apresenta uma linguagem mais culta, destituída de gírias ou expressões conotativas.

Além deles, é muito utilizada a expressão "ensaio fotográfico", donde um modelo posa para um fotógrafo.

Além disso, o termo ensaio pode significar a encenação de atores de uma peça de teatro, antes da apresentação final.

Para saber mais leia também: Linguagem Formal e Informal.

Características

As principais características do gênero textual ensaio são:

  • Linguagem simples
  • Textos concisos
  • Julgamento pessoal
  • Reflexões subjetivas
  • Exposição e defesa de ideias
  • Originalidade e criatividade
  • Texto crítico e problematizador
  • Temas variados

Estrutura: Como Fazer um Ensaio?

Geralmente os ensaios não seguem uma estrutura fixa (forma livre), os quais propõem a liberdade individual na busca de um pensamento original.

São textos breves não sistematizados de caráter intimista, livre e dialogante os quais não possuem um estilo definido.

Quanto a utilização de formalidades, isso vai depender dos interlocutores, ou seja, dos leitores e do público ao qual está destinado, seja o professor de uma disciplina, uma revista acadêmica, jornal, dentre outros.

No entanto, ele deve conter clareza de ideias e ainda seguir as normas padrões da língua. Segue abaixo a estrutura de ensaio acadêmico:

  • Tema: diferente do título, o tema é o assunto que será explorado e problematizado pelo ensaísta.
  • Título: normalmente os ensaios possuem um título, os quais estão relacionados com o tema que será abordado.
  • Corpo de Texto: parte da análise e desenvolvimento do texto. Note que eles seguem a estrutura padrão dos textos dissertativos, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, o autor apresenta o tema que será ensaiado. No desenvolvimento, aprofunda suas pesquisas, diversas perspectivas e reflexões sobre o tema, donde a principal ferramenta são os argumentos. Por fim, na conclusão o ensaísta arremata o tema, concluindo de forma mais original e criativa.
  • Bibliografia: na maior parte os ensaios são textos teóricos, que apresentam no final do texto uma bibliografia, ou seja, os textos que foram necessários para consultas durante seu desenvolvimento. A bibliografia aparece em ordem alfabética seguindo as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
  • Anexos: ainda que não sejam muito comuns, eles também podem conter anexos (imagens, fotos, tabelas, gráficos) os quais surgem no final, abaixo das bibliografias.

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.