O Príncipe de Maquiavel


O Príncipe, a mais célebre obra de Nicolau Maquiavel é um volume póstumo e seu autor nasceu em Florença, Itália, em 3 de maio de 1469 e morreu na mesma cidade, onde foi sepultado no dia 21 de junho de 1527.

Contudo, Niccolò di Bernardo dei Machiavelli cresceu sob a grandeza Florença durante o governo de Lourenço de Médici e ingressou para a política aos 29 anos de idade na função de Secretário da Segunda Chancelaria e pode, nesse meio tempo, tornar-se historiador, poeta, diplomata e músico do Renascimento.

Em seu legado, é reconhecido como um dos criadores do pensamento moderno, pelo fato de haver versado sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser; fato este que está sendo descoberto a partir de uma releitura da obra desse autor, a qual é atribuída um caráter extremamente contraproducente.

Da Obra e seu Contexto

Daquela obra, podemos destacar que fora totalmente escrita em 1513, apesar de publicada apenas em 1532; está repartida em 26 capítulos. De arranque, Maquiavel exibe os tipos de principado existentes e aponta as distinções de cada um deles. Com o título original De "Principatibus", a qual abarca a principal parte do livro, é explicado como os Estados se decompõem em Repúblicas e Principados hereditários e adquiridos, bem como de senhorios eclesiásticos.

Na segunda, o autor acercar-se dos alicerces do poder analisando as leis e as armas. Não obstante, na terceira parte da obra, ele irá debater as normas de conduta que um Príncipe deve abraçar para reconstruir a Itália. Não obstante, podemos destacar duas vertentes a partir da leitura da obra de Maquiavel: a primeira, que aparentemente esta focada na atenção para sua relação enquanto um arquétipo do antigo republicanismo, também denominado “republicanismo clássico”. Note que o que caracteriza esse republicanismo é a crença de que a liberdade individual não esta separada da liberdade do Estado, de modo que a participação ativa dos cidadãos por meio de ações cívicas se torna um pré-requisito. Numa segunda camada discursiva, Maquiavel demonstra uma quebra diante da tradição no pensamento político, a qual é pouco compreendida até os dias contemporâneos, na medida em que, apesar de todas as críticas ao seu discurso, sua teoria revela o caráter conflitante da vida civil, marcada pelos contínuos confrontos das forças sociais.

Apesar da merecida revisão histórica de sua obra, ficou a conotação mais pessimista do adjetivo "maquiavélico", o qual passou a indicar esperteza e astúcia. Ora, o termo "maquiavélico" e "maquiavelismo" são adjetivos e substantivo que permeiam todos os discursos do debate político de um modo cotidiano e seu uso excede aquela esfera para habitar a dimensão das relações privadas. Em qualquer de suas definições, porém, o "maquiavelismo" está associado à ideia de deslealdade.

Todavia, os novos estudos daquela obra apontam para uma tensão entre a coisa privada e o interesse público, relação essa que merece ser reavaliada, na medida em que a moral maquiavélica comporta uma gama farta de valores que compreendem a experiência humana em sociedade, desde a ligação entre Estado e Religião, até as relações econômicas.

Em termos de contexto histórico, o autor estava entusiasmado com a união de Juliano de Médici e do Papa Leão X, com a qual notou a probabilidade de um príncipe unir a Itália e protegê-la contra os estrangeiros. Assim, a ética de Maquiavel percebe o fato de que a experiência humana comporta um conflito de valores e portanto, sua ordem política admite uma parte aleatória e despótica de crueldade e violência, como efeitos colaterais ou como um mal necessário.

Sem espanto, a aspiração do povo deve adquirir um determinada positividade para que não sejam subjugadas pelo cobiça dos grandes. Isso torna o próprio povo o guardião da liberdade e demanda seu empenho ativo nos afazeres cívicos, ou seja, seu registro no espaço público enquanto agente político. Note que neste ponto de vista, aquela aspiração é imaginada negativamente, posto que seja aquilo que há de mais comum na heterogeneidade de interesses pessoais dos cidadãos, a saber, não ser subjugado por outrem.