Pablo Neruda

Daniela Diana

Pablo Neruda foi um importante escritor e político chileno considerado um dos maiores poetas da literatura latino-americana e contemporânea mundial.

Neruda recebeu diversos prêmios, dos quais se destacam: o Prêmio Lênin da Paz (1953) e o Prêmio Nobel de Literatura (1971).

Segundo ele, fazer literatura:

É descrever o que se sente verdadeiramente, a cada instante da existência. Não acredito num sistema poético, numa organização poética. Irei mais longe: não creio nas escolas, nem no Simbolismo, nem no Realismo, nem no Surrealismo. Sou absolutamente desligado dos rótulos que se colocam nos produtos. Gosto dos produtos, não dos rótulos”.

Biografia de Pablo Neruda

Pablo Neruda

Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu em Parral, no Chile, dia 12 de julho de 1904.

Filho do operário José del Carmen Reyes Morales e da professora Rosa Basoalto Opazo, Neruda ficou órfão de mãe muito cedo, e seu pai casou-se novamente, momento em que sua família se mudou para Temuco, em 1906.

Nos estudos primários, já apontava grande interesse pela literatura publicando seus primeiros poemas no jornal “A Manhã”.

Cursou pedagogia na Universidade do Chile, em Santiago. Ainda jovem, adotou o pseudônimo Pablo Neruda, inspirado no escritor francês Paul Verlaine e o checo Jan Neruda.

Com apenas 19 anos publica seu primeiro livro de poemas “Crepusculário” (1923), o qual fora reconhecido no meio literário. Logo após, publicou uma de suas obras mais famosas “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada” (1924).

Neruda foi um poeta muito apaixonado, casando-se três vezes. Primeiro, casou-se com a holandesa Maria Antonieta Hagenaar. Depois com a argentina Delia del Carril e, por fim, com a chilena Matilde Urrutia, com quem permaneceu até os últimos dias.

Além de seu interesse pela literatura, Neruda atuou como diplomata e político, sendo Cônsul-Geral do Chile na Birmânia, França e Espanha, além de embaixador do México de 1940 a 1942.

Foi Cônsul da Espanha durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), momento em que escreve sua obra “Espanha no Coração. Hino às Glórias do Povo na Guerra”.

Durante suas viagens conheceu os escritores espanhóis Federico Garcia Lorca (morto na Guerra Civil Espanhola) e Rafael Alberti.

No Chile, foi eleito Senador pelo Partido Comunista, em 1945. No entanto, permaneceu até 1946, pois teve que viver escondido após a eleição de Gabriel González Videla, momento de censura e repressão no Chile.

Em 1950, publica “Canto Geral”, versos de cunho político em defesa da América Latina; e dois anos mais tarde, regressa ao Chile apoiando a candidatura de Salvador Allende.

Morte de Neruda

Neruda faleceu em 23 de setembro de 1973, em Santiago, no Chile, vítima de um câncer na próstata. Ele morreu 12 dias após o golpe militar de Pinochet, que derrubaria o governo de Allende.

Filme "O Carteiro e o Poeta"

Filme o carteiro e o poeta
Cena do Filme "O carteiro e o poeta"

Em 1994, foi lançado o longa-metragem “O Carteiro e o Poeta” (Il Postino, em italiano), baseado na obra do escritor chileno Antonio Skármeta. Na obra, ele relata os momentos de Neruda e Matilde (sua terceira esposa) na Ilha Negra.

A casa em que viveram em Santiago foi construída em 1953 e ficou conhecida como “La Chascona”, a qual, mais tarde, se tornou um museu.

a casa de Pablo Neruda
La Chascona:a casa em que viveu Pablo Neruda em Santiago

Obras de Pablo Neruda

Pablo Neruda, possui uma vasta obra literária com mais de 40 livros, escritos entre 1923 e 1973. Sua obra é marcada por um grande teor de lirismo e humanismo das quais se destacam:

  • Crepusculário (1923)
  • Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Deseperada (1924)
  • Canto Geral (1950)
  • Odes elementares (1954)
  • Cem Sonetos de Amor (1959)
  • Memorial da Ilha Negra (1964)
  • Fim do Mundo (1969)
  • Confesso que vivi (1974)
  • O Rio Invisível (1980)
  • Obras Completas (1967)

Poemas de Pablo Neruda

Foto de Pablo Neruda

Segue abaixo dois poemas de Neruda, o primeiro publicado no livro “20 poemas de amor e uma canção desesperada” e o segundo no “Canto Geral”:

Poema 1

Corpo de mulher, brancas colinas, brancas coxas,
te parecem ao mundo em tua atitude de entrega.
O meu corpo de campônio selvagem te escava
e faz saltar o filho do fundo desta terra.

Fui só como um túnel. De mim foram-se os pássaros
e em mim a noite entrava com sua invasão poderosa.
Para sobrevier-me te forjei como uma arma,
como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha funda.

Porém chega a hora da vingança, e te amo.
Corpo de pele e de musgo, de ávido leite e firme.
Ah os vasos do peito! Ah os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah tua voz lenta e triste!

Corpo de minha mulher, continuará em tua graça.
Minha sede, minha ânsia sem limites, meu caminho indeciso!
escuras rugas de onde a sede eterna segue,
e segue a fatiga, e esta dor infinita.

Amor América (1400)

Antes do chinó e do fraque
foram os rios, rios arteriais:
foram as cordilheiras em cuja vaga puída
o condor ou a neve pareciam imóveis;
foi a umidade e a mata, o trovão,
sem nome ainda, as pampas planetárias.

O homem terra foi, vasilha, pálpebra
do barro trêmulo, forma de argila,
foi cântaro caraíba, pedra chibcha,
taça imperial ou sílica araucana.
Terno e sangrento foi, porém no punho
de sua arma de cristal umedecido
as iniciais da terra estavam escritas.

Ninguém pôde
recordá-las depois: o vento
as esqueceu, o idioma da água
foi enterrado, as chaves se perderam
ou se inundaram de silêncio ou sangue.

Não se perdeu a vida, irmãos pastorais.
Mas como uma rosa selvagem
caiu uma gota vermelha na floresta
e apagou-se uma lâmpada da terra.

Estou aqui para contar a história.
Da paz do búfalo
até as fustigadas areias
da terra final, nas espumas
acumuladas de luz antártica,
e pelas Lapas despenhadas
da sombria paz venezuelana,
te busquei, pai meu,
jovem guerreiro de treva e cobre,
ou tu, planta nupcial, cabeleira indomável,
mãe jacaré, pomba metálica.

Eu, incaico do lodo,
toquei a pedra e disse:
Quem me espera? E apertei a mão
sobre um punhado de cristal vazio.
Porém andei entre flores zapotecas
e doce era a luz como um veado
e era a sombra como uma pálpebra verde.

Terra minha sem nome, sem América,
estame eguinocial, lança de púrpura,
teu aroma me subiu pelas raízes
até a taça que bebia, até a mais delgada
palavra não nascida de minha boca.

Frases de Neruda

Segue abaixo algumas frases emblemáticas do escritor:

  • Algum dia em qualquer parte, em qualquer lugar indefectivelmente te encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga de tuas horas.”
  • Dois amantes felizes não têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é a natureza.”
  • Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida.”
  • Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.”
  • Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida.”
  • Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.”
Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.