Radiação de corpo negro: o que é, lei de Wien e hipótese de Planck

Ana Lucia Souto
Ana Lucia Souto
Professora de Física e Ciências

A radiação de corpo negro é a radiação térmica emitida por um corpo que absorve toda a radiação que recebe. Ela é emitida em muitos comprimentos de onda ao mesmo tempo, formando um espectro contínuo cuja forma depende apenas da temperatura do corpo, e não do material de que ele é feito. O corpo negro é o modelo idealizado desse objeto.

Quanto maior a temperatura, menor é o comprimento de onda em que a emissão é mais intensa. Essa relação é a lei do deslocamento de Wien:

lambda máximo igual a b sobre T

Nela, T é a temperatura em kelvin, b = 2,90 × 10-3 m·K é a constante de Wien e λmáx é o comprimento de onda de pico. É por isso que uma barra de metal passa do vermelho ao branco-amarelado conforme esquenta, e que uma estrela azulada é mais quente que uma avermelhada.

Para explicar a forma completa dessa curva, Max Planck propôs em 1900 que a energia é trocada entre a matéria e a radiação em pacotes definidos, os quanta, cuja energia vale E = h · f. Essa hipótese marcou o nascimento da física quântica.

O tema é cobrado no ENEM e nos vestibulares dentro de física moderna, geralmente em questões que pedem o cálculo do comprimento de onda de pico ou a interpretação da cor de uma fonte de luz.

Neste conteúdo você encontra:

Como um corpo aquecido emite luz

Todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação térmica. Essa emissão não acontece em uma única cor: o corpo emite em muitos comprimentos de onda ao mesmo tempo, formando um espectro contínuo.

Quando a temperatura aumenta, duas coisas mudam juntas:

  • a quantidade total de radiação emitida cresce;
  • a região de emissão mais intensa se desloca para comprimentos de onda menores.

Por isso um objeto muito quente pode parecer branco ou azulado, enquanto outro menos quente tende ao vermelho — ou nem chega a brilhar visivelmente.

Escala comparando quatro corpos aquecidos e suas cores: brasa de churrasqueira a 1 070 K em vermelho escuro, filamento incandescente a 2 700 K em laranja, Sol a 5 800 K em branco e estrela azulada a 12 000 K em azul claro.
A cor percebida acompanha a temperatura: quanto mais quente o corpo, mais o pico da emissão se desloca para comprimentos de onda menores.

Um detalhe que costuma confundir: um objeto que deixou de brilhar pode continuar muito quente. Uma peça retirada do forno para de emitir luz visível, mas continua emitindo radiação térmica — o pico apenas se deslocou para o infravermelho, uma faixa que os olhos não enxergam. Um objeto à temperatura ambiente também emite, e sempre nessa faixa invisível.

A radiação térmica é uma das três formas de propagação do calor, ao lado da condução e da convecção. Se você precisa revisar a diferença entre elas antes de avançar, comece pela propagação de calor.

Para situar o infravermelho, a luz visível e o ultravioleta em uma mesma régua de comprimentos de onda, vale consultar o espectro eletromagnético.

Por que o corpo negro não é um objeto preto

O nome descreve um comportamento, não uma cor. Um corpo negro é definido por absorver toda a radiação que incide sobre ele, sem refletir nenhuma parte. Um objeto pode parecer claro aos nossos olhos e ainda assim se comportar como um bom corpo negro em outra faixa de radiação.

A melhor aproximação prática é uma cavidade com uma abertura pequena. A luz que entra pelo furo sofre muitas reflexões dentro da caixa e, em cada uma delas, parte é absorvida. Depois de muitas reflexões, quase nada consegue escapar de volta pelo mesmo furo.

Compare quatro casos:

  • A abertura de um forno quente. Fria, parece escura; aquecida, brilha intensamente. É o exemplo mais próximo de um corpo negro real.
  • Carvão e espelho, à mesma temperatura. O carvão se aproxima mais do modelo porque absorve grande parte da luz; o espelho reflete quase tudo. A semelhança entre o carvão escuro e a expressão “corpo negro” é coincidência de vocabulário: o critério é a absorção.
  • O Sol. Não é sólido nem preto, mas sua emissão se aproxima bastante da de um corpo negro — o que permite estimar a temperatura de sua superfície pelo pico do espectro.
  • Um bloco de gelo. Parece branco na luz visível e, mesmo assim, absorve e emite no infravermelho de modo próximo ao do modelo.

Daí vêm os dois limites do conceito. A cor visível não decide se um objeto é um bom corpo negro, e nenhum objeto real realiza o modelo de forma perfeita: ele é um limite teórico útil para descrever objetos reais com boa aproximação.

Lei de Wien: fórmula e como calcular

A lei do deslocamento de Wien relaciona a temperatura de um corpo negro ao comprimento de onda em que sua emissão é mais intensa. Os dois são inversamente proporcionais: se a temperatura dobra, o comprimento de onda de pico cai à metade.

Gráfico com três curvas de emissão de corpo negro a 3 000 K, 4 500 K e 5 800 K, com os picos marcados em 966 nm, 644 nm e 500 nm e a faixa visível destacada ao fundo.
Curvas de emissão de um corpo negro em três temperaturas. O pico se desloca para a esquerda e a curva inteira sobe conforme a temperatura aumenta.

Atenção a um ponto que as questões exploram: a lei informa apenas onde está o pico. O corpo continua emitindo em muitos outros comprimentos de onda ao mesmo tempo, e a lei não diz quanta energia total ele emite.

Fórmula da lei de Wien

lambda máximo igual a b sobre T

Isolando a temperatura:

T igual a b sobre lambda máximo

Com b = 2,90 × 10-3 m·K (constante de Wien), T em kelvin e λmáx em metros. Lembre que 1 nm = 10-9 m.

Exemplo 1: filamento de lâmpada incandescente

Um filamento em funcionamento está a cerca de 2 700 K. Aplicando a fórmula:

lambda máximo igual a 2,90 vezes 10 elevado a menos 3 metro kelvin sobre 2 700 kelvin

λmáx = 1,07 × 10-6 m = 1 070 nm

Como a faixa visível vai de cerca de 400 nm a 700 nm, o pico está no infravermelho. É essa a razão física de a lâmpada incandescente aquecer tanto: boa parte da energia sai como calor, e não como luz que enxergamos.

Exemplo 2: superfície do Sol

A superfície do Sol está a aproximadamente 5 800 K.

lambda máximo igual a 2,90 vezes 10 elevado a menos 3 metro kelvin sobre 5 800 kelvin

λmáx = 5,0 × 10-7 m = 500 nm

O pico da emissão solar fica perto do verde. Ainda assim, vemos a luz do Sol como branca ou amarelada, porque nossos olhos recebem o espectro contínuo inteiro, e não apenas o comprimento de onda do pico.

Exemplo 3: estrela azulada

Uma estrela azulada muito quente, como Rigel, está a cerca de 12 000 K.

lambda máximo igual a 2,90 vezes 10 elevado a menos 3 metro kelvin sobre 12 000 kelvin

λmáx = 2,42 × 10-7 m ≈ 242 nm

O pico está no ultravioleta, fora da visão humana. A tonalidade azulada que enxergamos é apenas a parte visível de uma emissão cujo pico real está em comprimentos de onda ainda menores.

Exemplo 4: do pico para a temperatura

O caminho inverso também cai na prova. Uma estrela avermelhada tem pico de emissão em 967 nm. Qual é sua temperatura?

T igual a 2,90 vezes 10 elevado a menos 3 metro kelvin sobre 967 vezes 10 elevado a menos 9 metro

T ≈ 3,0 × 103 K = 3 000 K

Repare que o pico pode cair fora da faixa visível nos dois sentidos — no infravermelho, como no filamento, ou no ultravioleta, como na estrela azulada. Nesses casos, a cor percebida não coincide com o pico real da emissão.

Catástrofe do ultravioleta: onde a física clássica falhou

Antes de 1900, os físicos tentaram prever a forma completa da curva de emissão com as ferramentas da física clássica, que já descreviam bem muitas situações envolvendo ondas. O resultado funcionava para comprimentos de onda longos e desmoronava nos curtos.

A previsão clássica dizia que, quanto menor o comprimento de onda, maior seria a emissão — sem limite. As medições mostravam outra coisa: a emissão cresce, atinge um máximo e depois diminui. Esse desacordo ficou conhecido como catástrofe do ultravioleta.

Gráfico comparando a previsão da física clássica, que cresce sem limite nos comprimentos de onda curtos, com a curva medida, que sobe até um pico e depois desce.
A previsão clássica cresce sem limite nos comprimentos de onda curtos; a curva medida sobe, atinge um pico e depois desce.

Não era uma pequena diferença que pudesse ser corrigida ajustando um número: a física clássica errava a forma da curva justamente na região dos comprimentos de onda curtos.

Vale notar dois limites dessa conclusão. Primeiro, a física clássica não estava errada em tudo — ela descrevia corretamente a emissão em comprimentos de onda longos. Segundo, o problema não era de precisão instrumental: medições confiáveis da emissão de corpos negros já existiam antes de 1900, feitas no Physikalisch-Technische Reichsanstalt, em Berlim. A mudança de modelo foi exigida pelos dados.

Hipótese de Planck e o quantum de energia

Em 1900, Max Planck encontrou uma descrição que reproduzia a curva medida. Para isso, abandonou a ideia de que a energia pode ser trocada em qualquer quantidade: ela é transferida em pacotes definidos. Cada pacote é um quantum de energia.

Dois painéis comparando energia contínua e energia quantizada: à esquerda uma rampa, representando a física clássica, à direita uma escada de degraus marcados 1E, 2E, 3E e 4E, representando a hipótese de Planck.
Na descrição clássica, a energia trocada seria uma rampa contínua. Na hipótese de Planck, ela só assume valores que são múltiplos inteiros de um pacote.

O tamanho do pacote depende da frequência da radiação: quanto maior a frequência, maior a energia de cada quantum.

Relação de Planck

E = h · f

Em que E é a energia de um quantum, em joules; f é a frequência da radiação, em hertz; e h = 6,63 × 10-34 J·s é a constante de Planck. A energia total trocada corresponde sempre a um número inteiro de quanta.

O valor e a história dessa constante estão detalhados em constante de Planck, útil se a questão pedir o cálculo com mais algarismos significativos.

Exemplo: energia de um quantum de luz vermelha

Para uma luz vermelha de 700 nm, ou 7,0 × 10-7 m, primeiro achamos a frequência a partir de c = λ · f:

f igual a c sobre lambda

f igual a 3,0 vezes 10 elevado a 8 metros por segundo sobre 7,0 vezes 10 elevado a menos 7 metro

f ≈ 4,3 × 1014 Hz

Agora aplicamos a relação de Planck:

E = (6,63 × 10-34 J·s) × (4,3 × 1014 Hz)

E ≈ 2,8 × 10-19 J

Convertendo para elétron-volts, com 1 eV = 1,6 × 10-19 J:

E igual a 2,8 vezes 10 elevado a menos 19 joule sobre 1,6 vezes 10 elevado a menos 19 joule por elétron-volt

E ≈ 1,8 eV

Repetindo a conta para a luz violeta, de 400 nm, chegamos a f = 7,5 × 1014 Hz e E ≈ 5,0 × 10-19 J, ou cerca de 3,1 eV — energia maior, porque a frequência é maior. Isso ajuda a explicar por que a radiação ultravioleta pode causar queimaduras que a luz visível não causa: cada pacote transporta mais energia.

O caso impossível: meio quantum

Uma superfície poderia trocar metade da energia de um quantum vermelho, cerca de 1,4 × 10-19 J, mantendo a mesma frequência? Não. A troca pode envolver um quantum, dois, três e assim por diante, porque só são permitidos múltiplos inteiros. Metade de um quantum não corresponde a nenhuma troca possível.

Outro ponto frequente em prova: aumentar a intensidade de uma radiação não aumenta a energia de cada quantum. Uma luz mais intensa da mesma cor envolve mais quanta, e cada um continua com a mesma energia.

Foi essa ideia que Einstein levou adiante cinco anos depois, ao explicar por que a luz arranca elétrons de um metal apenas acima de certa frequência. Se você já domina E = h · f, o passo natural é estudar o efeito fotoelétrico.

Temperatura de cor: o que significam os kelvins da lâmpada

A escala usada para descrever a emissão de um corpo negro reaparece nas embalagens de lâmpadas LED. Ali, porém, o número em kelvin não indica a temperatura física do componente. Ele indica a temperatura de cor correlata: a temperatura que um corpo negro precisaria ter para produzir uma luz de cor semelhante àquela para o olho humano.

Fonte de luz Temperatura de cor aproximada Uso habitual
Lâmpada incandescente cerca de 2 700 K Retirada do mercado brasileiro de uso geral
LED branco quente de 2 700 K a 3 000 K Ambientes residenciais
LED branco frio cerca de 6 500 K Ambientes de trabalho e comerciais

Um LED de 6 500 K não está fisicamente a 6 500 K: o número descreve a aparência da luz tomando o corpo negro como referência. Já no filamento incandescente, a 2 700 K, o valor é a temperatura real — e, como vimos, coloca o pico de emissão no infravermelho.

Essa ineficiência ajudou a motivar a retirada gradual das lâmpadas incandescentes de uso geral do mercado brasileiro, definida pela Portaria Interministerial MME/MCT/MDIC nº 1.007, de 31 de dezembro de 2010. O cronograma começou pelas lâmpadas de 150 W ou mais, em junho de 2012, e teve prazo final de comercialização em 30 de junho de 2016.

A lei de Wien explica por que o filamento desperdiça tanta energia como calor, mas não determina sozinha decisões de mercado: a retirada foi uma escolha de política pública baseada também em outros fatores.

Como a cor das estrelas revela a temperatura

A luz de uma estrela percorre distâncias enormes até chegar aqui, e ainda assim sua cor informa a temperatura da superfície. Betelgeuse, avermelhada, está a cerca de 3 000 K; Rigel, azulada, chega a cerca de 12 000 K.

Aplicando a lei de Wien à estrela avermelhada:

lambda máximo igual a 2,90 vezes 10 elevado a menos 3 metro kelvin sobre 3 000 kelvin

λmáx = 9,67 × 10-7 m = 967 nm

O pico está próximo do infravermelho, e a parte visível de sua emissão é percebida como avermelhada. Para a estrela azulada, a mesma conta leva a 242 nm, já no ultravioleta.

Estrela Temperatura aproximada Comprimento de onda de pico Cor observada
Betelgeuse cerca de 3 000 K 967 nm avermelhada
Rigel cerca de 12 000 K 242 nm azulada

A associação cotidiana entre vermelho e “mais quente” não vale para estrelas: a azulada é a mais quente das duas. Se quiser entender o que mais a luz de uma estrela revela além da temperatura, vale ler o que são as estrelas.

A cor, porém, não informa tudo. Ela permite estimar a temperatura da superfície, mas não determina sozinha o tamanho, a massa ou a distância da estrela. Uma estrela pequena e muito quente pode parecer menos brilhante no céu que outra maior e mais fria.

O mesmo princípio funciona aqui na Terra. Sensoriamento remoto é a obtenção de informações sobre um objeto ou região sem contato direto, pela radiação que ele emite ou reflete. Um foco de incêndio está muito mais quente que a vegetação ao redor e emite mais radiação térmica; sensores orbitais sensíveis ao infravermelho detectam essa diferença. No Brasil, o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), usa esse princípio para monitorar focos de calor em todo o território.

Fórmulas de radiação de corpo negro para a prova

Lei do deslocamento de Wien — relaciona temperatura e comprimento de onda de pico:

lambda máximo igual a b sobre T

Para achar a temperatura a partir do pico:

T igual a b sobre lambda máximo

Relação de Planck — energia de um quantum:

E = h · f

Constantes e conversões

b = 2,90 × 10-3 m·K
h = 6,63 × 10-34 J·s
c = 3,0 × 108 m/s
1 nm = 10-9 m
1 eV = 1,6 × 10-19 J
faixa visível: de cerca de 400 nm a 700 nm

Erros mais comuns

Usar a temperatura em graus Celsius em vez de kelvin.
Confundir o pico com o único comprimento de onda emitido.
Achar que a lei de Wien informa a energia total emitida.
Supor que aumentar a intensidade aumenta a energia de cada quantum.

Exercícios sobre radiação de corpo negro

Resolva as questões a seguir para testar o que estudou. Cada uma traz a explicação completa depois da resposta.

Exercício 1

Dois pedaços do mesmo metal estão na forja: um brilha em vermelho-fosco e o outro, em branco-amarelado. Qual deles está mais quente?

a) O vermelho-fosco, porque o vermelho é a cor do fogo mais quente.

b) Os dois estão na mesma temperatura, e a diferença vem apenas do ângulo de observação.

c) O branco-amarelado, porque sua emissão mais intensa está deslocada para comprimentos de onda menores.

d) O vermelho-fosco, porque emite radiação em um número maior de comprimentos de onda.

e) Não é possível comparar sem encostar um termômetro em cada pedaço.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a c: quando a temperatura aumenta, o pico da emissão se desloca para comprimentos de onda menores. Por isso a sequência observada na forja vai do vermelho-fosco ao laranja e, depois, ao branco-amarelado.

A alternativa a falha por associar culturalmente o vermelho ao calor mais intenso. Na forja, o vermelho-fosco é justamente o primeiro estágio, o menos quente.

A alternativa b falha porque a cor da emissão carrega informação física sobre a temperatura, e não depende da posição de quem observa.

A alternativa d falha porque os dois pedaços emitem em muitos comprimentos de onda ao mesmo tempo. O que distingue os dois é a posição do pico, não a quantidade de comprimentos de onda.

A alternativa e falha porque a prática do ferreiro mostra que a cor permite comparar temperaturas sem contato e sem termômetro.

Exercício 2

Entre os objetos a seguir, qual é a melhor aproximação de um corpo negro?

a) Uma folha de papel preto, porque objetos pretos absorvem toda a radiação que recebem.

b) Um espelho polido, porque devolve ao ambiente toda a radiação que recebe.

c) Uma parede pintada de branco, porque é uma superfície comum e neutra.

d) Um bloco de gelo observado na luz visível, porque sua cor é uniforme.

e) A abertura pequena de um forno quente, porque a radiação que entra é quase toda absorvida nas reflexões internas.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a e: na cavidade, a radiação que entra pela abertura sofre muitas reflexões e vai sendo absorvida a cada uma delas, de modo que quase nada escapa de volta.

A alternativa a falha pela confusão entre cor visual e capacidade de absorção. Parecer preto não garante que o objeto absorva toda a radiação que recebe.

A alternativa b inverte a lógica do modelo: refletir a radiação é o oposto de absorvê-la.

A alternativa c falha porque ser uma superfície comum não informa nada sobre quanto da radiação a parede absorve.

A alternativa d falha porque usa a cor visível como critério. O gelo até se aproxima do modelo no infravermelho, mas não é a aparência branca que decide isso.

Exercício 3

O filamento de uma lâmpada está a 2 900 K. Usando a constante de Wien b = 2,90 × 10⁻³ m·K, qual é o comprimento de onda de pico de sua emissão e em que faixa ele está?

a) 1 000 nm, na faixa do infravermelho.

b) 1 000 nm, na faixa do ultravioleta.

c) 290 nm, na faixa do ultravioleta.

d) 500 nm, na faixa visível.

e) 2 900 nm, na faixa visível.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a a: dividindo 2,90 × 10⁻³ m·K por 2 900 K, obtemos 1,0 × 10⁻⁶ m, ou seja, 1 000 nm. Como a faixa visível vai de cerca de 400 nm a 700 nm, esse pico está no infravermelho.

A alternativa b acerta o cálculo, mas erra a faixa: o ultravioleta fica abaixo de 400 nm, e não acima de 700 nm.

A alternativa c resulta de dividir errado as potências de dez. O valor 290 nm corresponderia a uma temperatura dez mil vezes maior.

A alternativa d corresponde ao pico do Sol, a cerca de 5 800 K, e não ao de um filamento a 2 900 K.

A alternativa e repete o número da temperatura como se fosse o comprimento de onda, e ainda classifica como visível um valor que estaria no infravermelho.

Exercício 4

O que ficou conhecido como catástrofe do ultravioleta?

a) A descoberta de que a radiação ultravioleta emitida por corpos aquecidos causa queimaduras graves.

b) A constatação de que os instrumentos da época não conseguiam medir comprimentos de onda curtos.

c) A previsão clássica de que corpos aquecidos só emitiriam radiação na faixa do ultravioleta.

d) O desacordo entre a previsão clássica, de emissão crescendo sem limite em comprimentos de onda curtos, e a medição, que mostrava um pico seguido de queda.

e) A conclusão de que a física clássica estava inteiramente errada a respeito da radiação térmica.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a d: a física clássica previa que a emissão cresceria indefinidamente à medida que o comprimento de onda diminuísse, enquanto os instrumentos registravam uma curva que sobe, atinge um pico e depois desce.

A alternativa a confunde o problema teórico com um efeito biológico da radiação ultravioleta, que não está em questão aqui.

A alternativa b trata o desacordo como limitação técnica. As medições eram confiáveis: o que falhava era a previsão.

A alternativa c inverte o conteúdo da previsão clássica, que não restringia a emissão ao ultravioleta.

A alternativa e exagera o alcance do problema. Em comprimentos de onda longos, a descrição clássica continuava funcionando bem.

Exercício 5

Uma radiação de frequência f troca energia com uma superfície. Segundo a hipótese de Planck, o que é possível?

a) Trocar qualquer fração de energia, desde que a radiação seja intensa o bastante.

b) Trocar apenas múltiplos inteiros da energia h · f, como um, dois ou três quanta.

c) Trocar sempre a mesma energia, qualquer que seja a frequência da radiação.

d) Trocar meio quantum, desde que a frequência seja suficientemente alta.

e) Trocar uma energia que depende apenas da intensidade, e não da frequência.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a b: a energia é trocada em pacotes de valor h · f, e a troca total corresponde sempre a um número inteiro desses pacotes.

A alternativa a falha porque aumentar a intensidade aumenta a quantidade de quanta envolvidos, não permite fracionar um deles.

A alternativa c contraria a relação E = h · f, segundo a qual a energia de cada quantum cresce junto com a frequência.

A alternativa d propõe exatamente a troca que a hipótese exclui: meio quantum não é um múltiplo inteiro, qualquer que seja a frequência.

A alternativa e separa a energia do quantum da frequência, quando é justamente a frequência que determina o tamanho do pacote.

Para continuar treinando o assunto com questões de vestibular e do ENEM, resolva os exercícios sobre física moderna, que cobrem a lei de Wien ao lado dos demais temas da área.

Se o seu ponto fraco for a parte de quanta e fótons, os exercícios sobre física quântica concentram as questões de aplicação de E = h · f.

Perguntas frequentes

O que é um corpo negro em palavras simples?

É um objeto idealizado que absorve toda a radiação que recebe, sem refletir nada. Quando aquecido, ele emite radiação térmica cujo espectro depende apenas da sua temperatura. Nenhum objeto real é um corpo negro perfeito, mas a abertura pequena de um forno quente chega muito perto.

Corpo negro precisa ser preto?

Não. O nome se refere ao comportamento de absorção, não à cor. O Sol não é preto e se aproxima bem do modelo; um bloco de gelo parece branco e também se aproxima, na faixa do infravermelho.

Qual é a fórmula da lei de Wien?

λmáx = b / T, com b = 2,90 × 10-3 m·K e T em kelvin. Ela dá o comprimento de onda em que a emissão é mais intensa. Invertendo, T = b / λmáx.

O que foi a catástrofe do ultravioleta?

Foi o desacordo entre a previsão da física clássica, segundo a qual a emissão cresceria sem limite em comprimentos de onda curtos, e as medições, que mostravam uma curva subindo até um pico e depois caindo.

Por que a hipótese de Planck é considerada o início da física quântica?

Porque, para reproduzir a curva medida, Planck precisou supor que a energia só é trocada em pacotes inteiros, e não de forma contínua. Essa ruptura com a física clássica abriu o caminho para o efeito fotoelétrico, o modelo atômico de Bohr e toda a física quântica posterior.

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Referências Bibliográficas

NASA Science, “Sun: Facts”; Max-Planck-Gesellschaft, “Energy in packets – What did Max Planck discover?”; Ministério de Minas e Energia, “Lâmpadas incandescentes saem do mercado a partir do dia 30 de junho”;

ABILUX, Guia LED Descomplicado; Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Programa Queimadas.

Ana Lucia Souto
Ana Lucia Souto
Professora de Ciências e de Física da Educação Básica e do Ensino Superior, tendo iniciado a docência em 1990. Bacharel em Física, Mestre e Doutora em Biofísica e PhD em Biologia Estrutura - Universidade de São Paulo, USP.

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