Reconquista da Península Ibérica

A “Reconquista da Península Ibérica” ou “Retomada Cristã” foi um movimento ibérico cristão de cunho militar e religioso, que opôs cristão e os muçulmanos numa guerra secular pela recuperação dos territórios perdidos para os conquistadores árabes na Península Ibérica, durante o século VIII, quando os muçulmanos invadiram a península e estabeleceram um domínio que durou de 711 a 1492.

Contexto Histórico: Resumo

Antes da invasão árabe, a Península Ibérica era habitada por povos germânicos convertidos ao Cristianismo durante a Alta Idade Média.

Contudo, após a morte de Maomé, os muçulmanos expandiram seus domínios pelo norte da África, até que, em 711, o general do Império Islâmico, Tarik ibn-Zyiad atravessou o estreito de Gibraltar (nome dado em sua homenagem) e adentra a península, derrotando os cristãos e expulsando os visigodos para uma região montanhosa no norte da península (Astúrias), de onde teve início a ofensiva cristã.

Por conseguinte, em 718, Pelágio, líder dos Visigodos, reúne um grupo de montanheses que estavam refugiados nas montanhas, dando inicio a reconquista dos territórios perdidos.

Com efeito, ele obtém uma grande vitória em 722, na Batalha de Covadonga e, no ano de 740, as terras localizadas ao norte do rio Douro já eram cristãs novamente. Sem espanto, as populações das regiões reconquistadas passavam aos exércitos cristãos, engrossando suas fileiras.

Contudo, foi a partir do século XI que o processo de reconquista da península acelerou-se, uma vez que a reconquista daquele território passou a ser considerada uma missão sagrada.

Assim, com o apoio do movimento das Cruzadas, os reinos ibéricos retomaram cerca de metade dos territórios muçulmanos em pouco tempo, conquistando o Califado de Córdoba, ainda em 1031.

Ora, pelas Cruzadas, ordens religiosas e militares como a dos Templários, passaram a combater os muçulmanos, bem como todos aqueles cristãos que buscavam indulgências e perdão divino.

Consequentemente, vários reinos cristãos surgiram das derrotas mouras, como o Condado Portucalense, o Reino de Aragão, o Reino de Castela, o Reino de Navarra e o Reino de Leão.

O mais precoce foi Portugal, o qual logrou sua reconquista em 1147, com a reconquista da cidade de Lisboa e em 1187, com a formação do Condado Portucalense no noroeste da Península.

A conquista da cidade de Faro abriu caminho para o repovoamento da região Sul e consolidou a dinastia de Borgonha, a qual governou o primeiro Estado Nacional europeu até 1383.

No século XV, as campanhas militares patrocinadas pela união conjugal dos reis Fernando de Aragão e Isabel Castela consolidaram o processo de reconquista, culminando na expulsão completa dos invasores muçulmanos em 1492, com a retomada do reino de Granada e na unificação da Espanha como Estado Nacional.

Principais Características

De partida, vale destacar que a reconquista da Península Ibérica foi motivada pela religião e pela retomada de territórios ricos e prósperos. Vale acrescentar que foi um processo longo que durou quase oito séculos, especialmente nos territórios espanhóis, onde a reconquista demorou mais que em outras regiões.

Ademais, merece destaque o uso de estratégias militares e equipamentos de combate que eram utilizados pelos exércitos ibéricos.

Enquanto as forças muçulmanas eram compostas principalmente por uma infantaria leve, os cristãos contavam com uma numerosa cavalaria, composta pela união das forças reais, dos nobres locais, bem como dos plebeus mais abastados que possuíam cavalos e equipamentos de combate, os quais eram, basicamente, compostos por armadura leve, braceletes, escudo e espadas longas de dois gumes, dardos e lanças.

Para as tropas auxiliares de infantaria, armadura de couro, arcos e flechas, lanças e espadas curtas. Do ponto de vista estratégico, a ação mais comum eram os ataques de longa distância da cavalaria e infantaria cristã sobre as forças mouras, até enfraquecê-las, quando um ataque devastador era desferido pela cavalaria. No século XI, novas táticas de batalha foram empregadas pelos cristãos, como a introdução da cavalaria pesada.

Por sua vez, no decorrer dos séculos XII e XIII, o equipamento utilizado pelas forças da cristandade melhoraram significativamente, com soldados vestindo armaduras de cota de malha, elmos e capacetes de ferro, braçadeiras, coxetes e escudos recobertos por couro e ferro, armados com espadas, lança, dardos, arco e flechas ou besta e virotes. Até mesmo os cavalos com armaduras de cota de malha eram comuns.

Por fim, vale destacar que os judeus e muçulmanos foram politicamente expulsos, mas aqueles que aceitaram a fé católica continuaram habitando Portugal e Espanha. Ademais, o legado muçulmano naquela região permitiu notáveis avanços técnicos e científicos, sobretudo os avanços marítimos que permitiram as grandes navegações.

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