Refugiados climáticos: o que são, causas e exemplos

Amanda Scofano
Amanda Scofano
Professora de Geografia

Refugiados climáticos são grupos de pessoas forçadas a se deslocar territorialmente por causa de questões climáticas. Os deslocamentos podem ser temporários ou definitivos, e podem ocorrer dentro do próprio país, ou de um país para outro.

O termo em questão não é reconhecido judicialmente: para a Convenção de Genebra (1951), um refugiado é alguém que foge de perseguições por motivos políticos, religiosos, étnicos ou de nacionalidade. A questão ambiental não é incluída.

É importante diferenciar também o refugiado ambiental do refugiado climático. O primeiro deixa a sua região por questões ambientais, como contaminação do solo, poluição industrial, rompimento de barragens, etc. Já o refugiado climático abandona suas terras em consequência direta da alteração do clima.

Neste conteúdo você vai encontrar:

Principais causas para a existência de refugiados climáticos

As mudanças climáticas geram impactos intensos e que, na maioria das vezes, não podem ser mitigados pela população local. Veja a seguir os principais fatores que levam ao deslocamento de refugiados climáticos ao redor do mundo:

  • Elevação do nível do mar: o derretimento das calotas polares eleva o nível do mar, inundando cidades costeiras e forçando o deslocamento da população. Em muitos lugares essa elevação saliniza o solo e os lençóis freáticos, prejudicando o meio ambiente e a população local;
  • Desertificação: é a perda quase que total dos nutrientes do solo, tornando-o degradado e arenoso. Esse fenômeno pode ocorrer de forma natural, mas é intensificado principalmente pela agricultura sem técnicas adequadas, desmatamento e queimadas. Isso obriga diversas famílias a se mudarem porque não conseguem mais obter sustento através do cultivo do solo;
  • Estiagens e tempestades: as mudanças climáticas alteram o regime de chuvas, podendo causar tanto períodos de seca extrema, como tempestades avassaladoras. As secas podem causar efeitos na agricultura e no abastecimento de energia oriunda de hidrelétricas. As tempestades podem causar enchentes e grandes desastres para a vida humana.

As mudanças climáticas também intensificam outros eventos extremos, como ciclones, furacões e ondas de calor. Esses eventos podem destruir cidades inteiras em poucos dias, deixando milhares de pessoas desabrigadas e forçando deslocamentos temporários ou permanentes.

Principais exemplos de refugiados climáticos no mundo

Grandes quantidades de população têm se deslocado ao redor do mundo por causa de eventos climáticos.

Uma das principais regiões de saída de refugiados climáticos é o Sahel. É uma faixa próxima ao deserto do Saara, na África, que se expande da costa oeste à costa leste do continente, perpassando países como Senegal, Mali e Níger. É uma região de clima semiárido, o que a torna mais vulnerável à desertificação. O Sahel sofre com secas prolongadas, desertificação e redução das áreas agricultáveis. Com a perda das lavouras e dos rebanhos, muitas famílias migram para grandes cidades ou países vizinhos.

Outro exemplo são os pequenos países insulares de Tuvalu e Quiribati, no oceano Pacífico. Boa parte de seus territórios estão somente a poucos metros acima do nível do mar. A invasão das águas oceânicas, portanto, é um grave problema para essas populações. Além disso, a elevação dos oceanos causa salinização dos lençóis freáticos e do solo, prejudicando o meio ambiente, a economia e a vida como um todo.

Bangladesh é outro país extremamente vulnerável às mudanças climáticas. A combinação de sua localização num delta fluvial, com grande densidade populacional e baixa altitude o tornam alvo fácil das mudanças climáticas. Enchentes, ciclones tropicais e a elevação do nível do mar afetam milhões de pessoas. Muitas famílias deixam as áreas rurais inundadas e migram para cidades como Daca, aumentando os desafios urbanos relacionados à moradia, emprego e infraestrutura.

Refugiados climáticos no Brasil

Embora o Brasil ainda não reconheça oficialmente a categoria de refugiado climático, eventos extremos já provocam deslocamentos internos de milhares de pessoas.

O Semiárido brasileiro, localizado na região Nordeste, possui natureza seca e quente. Com as mudanças climáticas, os períodos de estiagem se tornam maiores. A falta de água prejudica a produção agrícola e a criação de animais, levando muitas famílias a migrar para centros urbanos em busca de melhores condições de vida. Isso contribui para o crescimento desordenado das cidades, aumentando problemas sociais (desemprego e déficit habitacional, por exemplo).

O Sul do Brasil é outra região que sofre com eventos extremos como as fortes chuvas que arrasaram parte do estado em 2024. Chuvas intensas provocaram enchentes, deslizamentos e grandes prejuízos em centenas de municípios. Esse episódio mostrou como os eventos extremos podem provocar deslocamentos populacionais também no Brasil. Isso demonstra a necessidade de políticas públicas voltadas para prevenção de desastres, adaptação às mudanças climáticas e planejamento urbano.

Refugiados climáticos e o ENEM

Refugiados climáticos é uma temática ampla e transversal, que fala sobre meio ambiente e sociedade. O exame costuma apresentar reportagens, mapas, gráficos ou imagens sobre eventos extremos e pedir que o estudante interprete suas consequências.

Os principais conteúdos relacionados ao tema são mudanças climáticas e aquecimento global, migrações internacionais e deslocamentos internos, desertificação e escassez de água, vulnerabilidade socioambiental, urbanização, justiça climática e desigualdades sociais.

Além disso, o assunto pode aparecer na proposta de redação, especialmente em discussões sobre meio ambiente, cidadania, direitos humanos e políticas públicas.

Veja também: Exercícios de Geografia para 9º ano (com respostas explicadas)

Referências Bibliográficas

INTERGOVERNMENTAL PANEL ON CLIMATE CHANGE (IPCC). Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/. Acesso em: 22 jul. 2026.

NTERNATIONAL ORGANIZATION FOR MIGRATION (IOM); REDE CLIMA. Migração, deslocamento e realocação planejada relacionados à mudança do clima no Brasil. Genebra: IOM, 2026. Disponível em: https://publications.iom.int/books/migracao-deslocamento-e-realocacao-planejada-relacionados-mudanca-do-clima-no-brasil. Acesso em: 22 jul. 2026.

UNITED NATIONS HIGH COMMISSIONER FOR REFUGEES (UNHCR). Climate Change Impacts and Cross-Border Displacement: International Refugee Law and UNHCR's Mandate. Genebra: UNHCR, 2023.

Amanda Scofano
Amanda Scofano
Professora de Geografia, com Mestrado em Geografia e Meio Ambiente. Atua como professora desde 2013 e cria conteúdos educacionais online desde 2014.