Teatro moderno brasileiro: características, autores e obras

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa

O teatro moderno brasileiro é o conjunto de peças em que a modernidade está na construção do próprio texto: na forma como o autor organiza falas, rubricas e divisão da ação. Seu marco é a estreia de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, em 28 de dezembro de 1943, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pelo grupo Os Comediantes, com direção de Ziembinski e cenografia de Santa Rosa.

Esse teatro se organiza em dois caminhos de construção. O primeiro é o de Nelson Rodrigues, que em Vestido de Noiva divide a ação em três planos — realidade, memória e alucinação —, todos ligados à personagem Alaíde. O segundo é o de Ariano Suassuna, que em Auto da Compadecida, escrito em 1955, retoma o auto, forma dramática de tradição medieval-ibérica, e se apoia nos folhetos de cordel. Nos dois casos, o que é moderno está escrito no texto, e não na encenação.

Nos estudos escolares, o teatro moderno brasileiro costuma ser situado no recorte de 1945 a 1960, dentro da 3.ª fase do modernismo. Esse recorte é uma convenção didática: ele organiza o estudo, mas não encerra a produção dos autores. Vestido de Noiva, de 1943, fica antes dele; Boca de Ouro, de 1961, fica depois. O tema é trabalhado sobretudo na 3.ª série do ensino médio e cai com frequência no Enem e nos vestibulares.

Neste conteúdo você encontra:

Como se lê o texto de uma peça

Ao abrir o livro de uma peça, você encontra três elementos: as falas, as rubricas e uma divisão da ação. É nesses três elementos que a modernidade do teatro brasileiro se torna visível, porque cada um deles é uma escolha de escrita do autor.

A rubrica é a indicação escrita pelo autor fora das falas. Ela pode informar tempo, espaço ou ação e, por isso, também é texto da peça. Ler uma rubrica não é descrever uma realização em cena: é ler uma escolha de escrita.

Esquema do texto dramático com três ramos: falas, rubricas e divisão da ação em atos, quadros, cenas ou planos
O texto de uma peça reúne falas e rubricas e organiza a ação em atos, quadros, cenas ou planos.

A divisão da ação é o ponto em que os autores modernos mais inovam. Uma peça pode se organizar em atos, em quadros, em cenas — ou, como fez Nelson Rodrigues, em planos. Para rever as características gerais desse tipo de texto antes de avançar, vale conferir o conteúdo sobre gênero dramático, que detalha a estrutura das falas, das rubricas e dos atos.

Texto e encenação: o que cada um estuda

O texto da peça (estudado em Literatura) A encenação (estudada em Arte)
A divisão da ação em planos, atos ou quadros A montagem do espaço cênico
A rubrica lida como parte do texto A cenografia e a iluminação que a realizam
A personagem como construção verbal, nas falas A interpretação do ator
O diálogo e o gênero da peça A direção
A peça como obra da literatura A história das companhias e das montagens

As duas colunas indicam objetos de estudo diferentes, não uma ordem de importância. A pergunta que separa um do outro é simples: isto está escrito no texto ou foi construído em cena? Se a informação está na página, ela pertence à leitura literária da peça.

Vestido de Noiva: os três planos de Nelson Rodrigues

Em Vestido de Noiva, a ação se organiza em três planos: realidade, memória e alucinação. Os três se ligam a Alaíde, protagonista que sofre um acidente e morre. Entre as outras personagens estão Lúcia, sua irmã, Pedro e Madame Clessi.

Três faixas paralelas com os planos realidade, memória e alucinação de Vestido de Noiva, ligados a Alaíde
Em Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, o texto organiza a ação em três planos ligados a Alaíde.

Os planos não são lugares físicos nem partes que se sucedem no tempo. A pergunta de leitura é “em que plano estamos?”, e não “onde isso foi realizado?”. Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, a peça tem um único arco dramático, sem atos tradicionais: quem abre o texto esperando uma divisão em atos não a encontra, porque a estrutura se sustenta nos planos.

O fragmento abaixo é um modelo reduzido, com dois planos, construído para tornar visíveis as marcas que orientam essa leitura.

Exemplo: dois planos no mesmo trecho

Fragmento construído para este exemplo. Não é de Nelson Rodrigues nem imita trecho de peça dele.

[Presente: uma pessoa espera diante de uma porta fechada.]
— Ainda não recebi resposta.
[Lembrança: a mesma pessoa recorda uma conversa antiga.]
— Naquele dia, a resposta parecia certa.
[Presente e lembrança se misturam: a porta permanece fechada, enquanto a voz lembrada continua.]
— A espera voltou, mas a conversa não terminou.

As indicações entre colchetes mostram dois planos convivendo no mesmo trecho: o presente e a lembrança. A resposta à pergunta “em que plano estamos?” está nas marcas escritas, não na encenação.

Um erro comum é transformar os planos em ordem cronológica, como se primeiro ocorresse a realidade, depois a memória e por último a alucinação. Na leitura corrente da peça, as três camadas coexistem, e essa coexistência é a escolha de construção que torna o texto moderno.

As peças de Nelson Rodrigues: datas e classificação

Nelson Rodrigues nasceu em Recife, em 23 de agosto de 1912, e morreu em 21 de dezembro de 1980. Sua produção atravessa o recorte de 1945 a 1960: há peças anteriores, obras dentro dele e outras posteriores.

Ao usar uma data numa prova, é preciso saber o que ela registra. Em Vestido de Noiva e em A Falecida, a fonte informa a estreia. Em outros casos, a fonte fornece apenas o ano da peça, sem dizer se é de escrita, publicação ou estreia.

Peças de Nelson Rodrigues e o recorte 1945-1960

Peça Ano dado pela fonte O que o ano designa Grupo (Magaldi) Posição em relação ao recorte
A Mulher sem Pecado 1942 A fonte não diz se é de escrita, publicação ou estreia Não consta da lista consultada Antes
Vestido de Noiva 1943 Estreia, em 28 de dezembro de 1943 Psicológica Antes
Álbum de Família 1945 A fonte não diz; ficou interditada pela censura até 1967, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural Mítica Dentro, no primeiro ano
Anjo Negro 1948 A fonte não diz se é de escrita, publicação ou estreia Não consta da lista consultada Dentro
A Falecida 1953 Estreia, em 8 de junho de 1953 Tragédia carioca Dentro
Boca de Ouro 1961 Estreia, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, com confiança média Tragédia carioca Depois
Toda Nudez Será Castigada 1965 A fonte não diz se é de escrita, publicação ou estreia Tragédia carioca Depois

A classificação em peças psicológicas, míticas e tragédias cariocas é de Sábato Magaldi, que ressalvou poder ser rígida. Trata-se de uma leitura crítica, não de um fato fechado sobre as obras. Segundo a Revista Brasileira, da Academia Brasileira de Letras, Vestido de Noiva integra as psicológicas; Álbum de Família e Senhora dos Afogados, as míticas; A Falecida, Boca de Ouro, Os Sete Gatinhos e Toda Nudez Será Castigada, as tragédias cariocas.

A Mulher sem Pecado e Anjo Negro não constam dessa lista. Quando a fonte não situa uma peça em um grupo, o procedimento correto é registrar o limite, e não completar a classificação por conta própria.

A regra de ouro para a prova é esta: a cronologia só autoriza dizer o que a fonte data. “Peça de 1945” não significa automaticamente “escrita, publicada ou estreada em 1945”. Para conhecer a trajetória completa do autor, da crônica ao teatro, o conteúdo sobre Nelson Rodrigues reúne biografia e obra reunidas em um só lugar.

Auto da Compadecida: o auto e o cordel

Auto da Compadecida foi escrito por Ariano Suassuna em 1955 e teve sua primeira montagem em setembro de 1956, no Recife, pelo Teatro Adolescente do Recife, com direção de Clênio Wanderley. A sequência das datas mostra que o texto já existia antes dessa realização.

A peça se apoia em duas fontes de natureza diferente: os folhetos de cordel e o gênero do auto. A distinção importa: fonte é aquilo de que uma obra se serve para construir seu texto; gênero é a forma em que ela é escrita. O cordel fornece material narrativo; o auto nomeia a forma dramática retomada por Suassuna.

Esquema com as setas auto e cordel convergindo para o Auto da Compadecida, escrito em 1955 e encenado em 1956
O Auto da Compadecida reúne duas fontes: o gênero do auto e os folhetos de cordel, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural.

O auto é a forma dramática de tradição medieval-ibérica que você conhece de Gil Vicente. Se quiser ver como essa forma funciona num texto completo, a análise de Auto da Barca do Inferno mostra a estrutura, as personagens alegóricas e o julgamento final que Suassuna retoma séculos depois.

Já o cordel é a narrativa popular nordestina publicada em folheto. Segundo um artigo da Revista Brasileira de Literatura Comparada, O dinheiro, de Leandro Gomes de Barros, é a base do primeiro ato, e a História do cavalo que defecava dinheiro, a do segundo; o mesmo artigo relaciona João Grilo ao folheto As proezas de João Grilo, cuja autoria diverge entre as fontes e, por isso, não é atribuída aqui. Para entender a métrica, a rima e o modo de circulação desses folhetos, o conteúdo sobre literatura de cordel explica como o gênero se organiza.

Segundo um artigo da revista Palimpsesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, entre as personagens estão João Grilo e Chicó; o Palhaço funciona como narrador, e há um julgamento final diante da Compadecida e de Jesus.

Chamamos de transposição de gênero esse deslocamento: o material narrativo do cordel é levado para a forma do auto, que é dramática. O Palhaço como narrador preserva, no texto dramático, um traço ligado à narrativa. Isso não transforma o cordel em teatro, nem autoriza afirmar que os folhetos foram copiados.

Ariano Suassuna: datas verificadas

Data O que a data registra
16 de junho de 1927 Nascimento em João Pessoa
1955 Auto da Compadecida escrito
setembro de 1956 Primeira montagem, no Recife
18 de outubro de 1970 Lançamento do Movimento Armorial, no Recife
1971 Romance d'A Pedra do Reino
1989 Eleição para a Academia Brasileira de Letras
23 de julho de 2014 Morte no Recife

Um erro previsível é concluir que uma peça que retoma uma forma tradicional não pode ser moderna. O problema está em tratar “moderno” como sinônimo de “sem passado”. A modernidade, aqui, está na escolha de construção: uma forma anterior é retomada de modo novo. O perfil de Ariano Suassuna traz o Movimento Armorial e o restante da obra do autor, que vai muito além do teatro.

Dois caminhos do teatro moderno brasileiro

Postas lado a lado, as duas peças mostram duas escolhas diferentes de construção do texto. A comparação não decide qual caminho é melhor nem afirma que um autor influenciou o outro.

Critério Nelson Rodrigues Ariano Suassuna
Peça lida Vestido de Noiva Auto da Compadecida
Ano associado à peça 1943, estreia 1955, escrita; setembro de 1956, primeira montagem
Onde está a modernidade na construção do texto: a ação em três planos — realidade, memória e alucinação —, ligados a Alaíde na retomada de uma forma tradicional, o auto, com fontes populares, os folhetos de cordel
Fonte de tradição afirmada nenhuma é afirmada pelas fontes consultadas folhetos de cordel, como O dinheiro, e o gênero do auto
Posição no recorte 1945-1960 antes, em 1943; outras peças dentro e depois dentro, em 1955 e 1956; desdobramentos em 1970 e 1971
Linha do tempo de 1940 a 1975 com as obras de Nelson Rodrigues e Ariano Suassuna e a faixa do recorte 1945-1960 destacada
Obras dos dois autores na linha do tempo. A faixa destacada marca o recorte 1945-1960, adotado como convenção de estudo.

A linha do tempo ajuda a localizar as obras, mas não muda o que cada data significa. Repare que boa parte das peças cai fora da faixa destacada: é o próprio recorte que é uma convenção, e não a produção dos autores que seria “irregular”.

Também seria incorreto excluir Vestido de Noiva do estudo por ser de 1943. A peça está antes da data inicial, mas é justamente o caso que mostra o limite de uma periodização. Para situar esse recorte dentro do movimento maior, o conteúdo sobre terceira geração modernista apresenta a prosa e a poesia do mesmo período.

Resumo para a prova

Definição: teatro moderno brasileiro é o conjunto de peças em que a modernidade está na construção do texto — falas, rubricas e divisão da ação —, e não na encenação.

Marco: Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, estreada em 28 de dezembro de 1943, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pelo grupo Os Comediantes.

Caminho 1 — Nelson Rodrigues: ação dividida em três planos (realidade, memória e alucinação) ligados a Alaíde, num único arco dramático, sem atos tradicionais.

Caminho 2 — Ariano Suassuna: Auto da Compadecida, escrito em 1955, retoma o auto medieval-ibérico e se apoia nos folhetos de cordel. Personagens: João Grilo, Chicó e o Palhaço como narrador.

Classificação de Sábato Magaldi: peças psicológicas, míticas e tragédias cariocas — uma leitura crítica, ressalvada pelo próprio autor.

Cuidado com as datas: o ano de uma peça nem sempre é o ano de estreia. O recorte 1945-1960 é convenção didática e deixa obras importantes de fora.

Exercícios sobre teatro moderno brasileiro

Cinco questões para verificar o que você fixou. Responda e confira a explicação de cada uma.

Questão 1

Qual alternativa descreve corretamente o que torna moderno o texto de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues?

a) A peça foi encenada com iluminação inovadora, o que a tornou um texto moderno.

b) A obra rompe com o teatro porque elimina as rubricas e mantém apenas as falas.

c) A ação é organizada em três planos — realidade, memória e alucinação —, ligados a Alaíde, e essa é uma escolha de construção escrita no texto.

d) O texto é moderno porque foi publicado dentro do recorte de 1945 a 1960.

e) A modernidade está no fato de a peça se dividir em atos tradicionais numerados.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a c: a modernidade de Vestido de Noiva está na divisão da ação em três planos — realidade, memória e alucinação —, ligados a Alaíde, que é uma escolha escrita no próprio texto.

A alternativa a falha porque a iluminação pertence à encenação, estudada em Arte, e não ao texto. A alternativa b falha porque as rubricas continuam presentes e são parte do texto do autor. A alternativa d falha porque a peça estreou em 1943, antes do recorte, e uma data não torna um texto moderno. A alternativa e falha porque, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, a peça tem um único arco dramático, sem atos tradicionais.

Questão 2

O que são as rubricas em um texto dramático?

a) As indicações escritas pelo autor fora das falas, que podem informar tempo, espaço ou ação.

b) Os comentários que um crítico acrescenta ao texto depois da estreia da peça.

c) As falas mais importantes da personagem principal, destacadas em itálico.

d) As instruções que o diretor escreve durante os ensaios de uma montagem.

e) A divisão da peça em atos, quadros ou cenas feita pela editora.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a a: a rubrica é a indicação escrita pelo autor fora das falas e, por isso, é parte do texto da peça.

A alternativa b falha porque a rubrica é escrita pelo autor, e não acrescentada por um crítico. A alternativa c falha porque rubrica não é fala: ela está justamente fora das falas. A alternativa d falha porque o trabalho do diretor pertence à encenação, estudada em Arte. A alternativa e falha porque a divisão da ação é outro elemento do texto, decidido pelo autor, e não pela editora.

Questão 3

Quais são as duas fontes em que o Auto da Compadecida se apoia, segundo a Enciclopédia Itaú Cultural?

Editar

Questão 4

Observe a tabela de datas das peças de Nelson Rodrigues. Qual conclusão está de acordo com os dados apresentados?

a) A Mulher sem Pecado foi escrita antes de Vestido de Noiva, porque 1942 vem antes de 1943.

b) Álbum de Família, peça de 1945, fica dentro do recorte, mas ficou interditada pela censura até 1967; logo, a data da obra não é a data de sua circulação.

c) Anjo Negro, de 1948, é uma tragédia carioca, já que está dentro do recorte de 1945 a 1960.

d) Toda data associada a uma peça indica obrigatoriamente o ano de estreia.

e) Boca de Ouro deve ser excluída do estudo do teatro moderno porque estreou em 1961.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a b: Álbum de Família é uma peça de 1945, situada dentro do recorte, e a informação de que ficou interditada até 1967 mostra que a data da obra não coincide necessariamente com a de sua circulação.

A alternativa a falha porque 1942, no caso de A Mulher sem Pecado, pode indicar escrita, publicação ou estreia, e os dados não permitem ordenar a escrita das duas obras. A alternativa c falha porque Anjo Negro não consta da lista de grupos consultada, e estar dentro do recorte não autoriza classificá-la. A alternativa d falha porque, em várias peças, a fonte informa apenas o ano da obra. A alternativa e falha porque o recorte é uma convenção didática e não exclui obras do estudo do autor.

Questão 5

Qual afirmação compara corretamente os caminhos de Nelson Rodrigues e de Ariano Suassuna no teatro moderno brasileiro?

a) Os dois autores usam o mesmo procedimento: ambos organizam a ação em planos e retomam o auto.

b) Nelson Rodrigues influenciou Ariano Suassuna, já que sua peça é anterior.

c) Suassuna é moderno e Nelson Rodrigues não é, porque apenas um deles rompe com formas tradicionais.

d) As peças são lidas por procedimentos distintos: em Nelson Rodrigues, a ação se organiza em planos; em Suassuna, uma forma tradicional é retomada e renovada por fontes populares, sem que a comparação afirme influência.

e) Como as duas peças são estudadas juntas, elas pertencem necessariamente ao mesmo grupo definido por Sábato Magaldi.

Gabarito explicado

A alternativa correta é a d: os dois autores constroem seus textos por procedimentos distintos, e a comparação não afirma influência entre eles.

A alternativa a falha porque os procedimentos são diferentes: os planos organizam Vestido de Noiva, enquanto a retomada do auto orienta Auto da Compadecida. A alternativa b falha porque anterioridade não prova influência, contato ou diálogo entre autores. A alternativa c falha porque retomar uma forma tradicional não impede que o texto seja moderno — a modernidade está no que o autor faz com essa forma. A alternativa e falha porque a classificação de Magaldi se refere às peças de Nelson Rodrigues e não se aplica à obra de Suassuna.

Para treinar o tema das fontes populares com mais profundidade, resolva também os exercícios sobre literatura de cordel, que cobram justamente o gênero em que Suassuna se apoiou.

Perguntas frequentes

Por que Vestido de Noiva é considerada o marco do teatro moderno brasileiro?

Porque sua estreia, em 28 de dezembro de 1943, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apresentou uma peça cuja ação é organizada em três planos — realidade, memória e alucinação —, em um único arco dramático, sem atos tradicionais. A novidade está na construção do texto, e é por isso que a data é tomada como ponto de partida.

Quais são os três planos de Vestido de Noiva?

Realidade, memória e alucinação, todos ligados a Alaíde. Eles coexistem no texto e não formam uma sequência cronológica: a pergunta de leitura é “em que plano estamos?”.

Qual é a diferença entre o texto dramático e a encenação?

O texto dramático é o que está escrito na peça — falas, rubricas e divisão da ação — e é estudado em Literatura. A encenação é a realização em cena — cenografia, iluminação, interpretação e direção — e é estudada em Arte. A pergunta que separa os dois é: isto está escrito no texto ou foi construído em cena?

O Auto da Compadecida é uma cópia de folhetos de cordel?

Não. A peça se apoia em folhetos de cordel, o que significa aproveitar material anterior em uma nova construção. Apoiar-se em uma fonte não é reproduzi-la: o material narrativo do cordel é transposto para a forma dramática do auto, com falas, rubricas e personagens.

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Referências Bibliográficas

Enciclopédia Itaú Cultural, verbetes “Nelson Rodrigues”, “Vestido de Noiva”, “A Falecida”, “Ariano Suassuna”, “Clênio Wanderley” e “Movimento Armorial”. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br. Acesso em: 7 out. 2026.

Revista Brasileira, Academia Brasileira de Letras (classificação atribuída a Sábato Magaldi). Revista Palimpsesto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (personagens e estrutura do Auto da Compadecida). Revista Brasileira de Literatura Comparada (folhetos de cordel apontados como base dos dois primeiros atos).

Luzia Julidori
Luzia Julidori
Professora de Língua Portuguesa e Literatura, licenciada em Letras, pós-graduada em Gestão Educacional e mestranda em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Atua há mais de 20 anos na Educação Básica, com experiência no ensino de Língua Portuguesa, Literatura e produção textual.

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