A Linguagem do Classicismo

Daniela Diana

A linguagem do classicismo é clássica, formal, objetiva, equilibrada e racional. Dessa forma, os autores do classicismo priorizavam a linguagem culta e o rigor estético.

Origem

O classicismo é o período artístico que ocorreu no século XVI e surgiu na Itália junto com o movimento Renascentista.

Na literatura portuguesa, o classicismo tem início com a chegada do escritor português Francisco Sá de Miranda à Portugal em 1537.

Ele retornou da Itália trazendo consigo modelos novos. Estes, foram introduzidos na literatura sobretudo, os sonetos, que ficaram conhecidos como “dolce stil nuevo” (Doce estilo novo).

O soneto é uma forma poética fixa, formada por dois quartetos (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos).

O fim do Classicismo corresponde ao ano da morte de Camões, em 1580. Após o Classicismo tem início o movimento artístico do Barroco.

Características do Classicismo

  • Retorno aos modelos clássicos (greco-romano);
  • Busca da perfeição estética;
  • Rigor formal;
  • Razão e equilíbrio;
  • Nacionalismo e antropocentrismo;
  • Racionalismo e cientificismo;
  • Uso de sonetos e versos decassílabos;
  • Temas religiosos e mitológicos.

Principais Autores e Obras

  • Sá de Miranda (1481-1558) e a obra “Poesias” (1677)
  • Luís de Camões (1524-1580) e a epopeia “Os Lusíadas” (1572)
  • Bernardim Ribeiro (1482-1552) e a novela “Menina e Moça” (1554)
  • António Ferreira (1528-1569) e a tragédia “A Castro” (1587)
  • Miguel de Cervantes (1547-1616) e o romance “Dom Quixote” (1605).
  • Dante Alighieri 1265-1321) e o poema épico “A Divina Comédia” (1555);
  • Francesco Petrarca (1304-1374) e a obra poética “Cancioneiro e o Triunfo”;
  • Giovanni Boccacio (1313-1375) e a novela “Decamerão” (1348 e 1353).

Leia também:

Exemplos

Para compreender melhor a linguagem do classicismo, confira abaixo três exemplos:

Trecho da obra “Os Lusíadas” de Luís de Camões

Canto IX

Tiveram longamente na cidade,
Sem vender-se, a fazenda os dous feitores,
Que os Infiéis, por manha e falsidade,
Fazem que não lha comprem mercadores;
Que todo seu propósito e vontade
Era deter ali os descobridores
Da Índia tanto tempo que viessem
De Meca as naus, que as suas desfizessem.

Soneto de Sá de Miranda

O sol é grande, caem coa calma as aves,
Do tempo em tal sazão que sói ser fria:
Esta água, que d'alto cai, acordar-me-ia,
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó coisas todas vãs, todas mudaves,
Qual é o coração que em vós confia?
Passando um dia vai, passa outro dia,
Incertos todos mais que ao vento as naves!

Eu vi já por aqui sombras e flores,
Vi águas, e vi fontes, vi verdura;
As aves vi cantar todas d'amores.

Mudo e seco é já tudo; e de mistura,
Também fazendo-me eu fui doutras cores;
tudo o mais renova, isto é sem cura.

Trecho da obra “A Divina Comédia” de Dante Alighieri

No meio do caminho desta vida
me vi perdido numa selva escura,
solitário, sem sol e sem saída.

Ah, como armar no ar uma figura
desta selva selvagem, dura, forte,
que, só de eu a pensar, me desfigura?

É quase tão amargo como a morte;
mas para expor o bem que encontrei,
outros dados darei da minha sorte.

Não me recordo ao certo como entrei,
tomado de uma sonolência estranha,
quando a vera vereda abandonei.

Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.