Batalha dos Guararapes


A “Batalha Dos Guararapes” foi um confronto armado envolvendo o Reino de Portugal, apoiado pelos luso-brasileiros defensores do Império e o exército invasor da República das Sete Províncias Unidas (Holanda), pelo domínio da região nordeste do Brasil, no período conhecido como Brasil Colônia.

Com efeito, a luta durou de abril de 1648 a fevereiro de 1649 e teve como palco o Morro dos Guararapes, região do município de Jaboatão dos Guararapes, próximo à Recife, onde ocorreram as duas batalhas do conflito nas quais tropas coloniais da Coroa portuguesa sagraram-se vitoriosas contra uma força muito superior a sua, graças às técnicas de guerrilha que aproveitavam o conhecimento nativo do território.

Não obstante, esta batalha é considerada o marco simbólico para a origem do Exército Brasileiro, uma vez que um sentimento de patriotismo e nacionalismo brasileiro alinhou europeus, luso-brasileiros, negros e indígenas para expulsar os holandeses.

Os nomes dos principais dos comandantes “Patriotas” desta batalha foram inscritos no “Livro de Heróis da Pátria”, dentre eles João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Francisco B. de Meneses, Filipe Camarão, Henrique Dias e Antônio Dias Cardoso.

Para saber mais: Brasil Colônia

Contexto Histórico

Com o fim da Guerra da Restauração entre os reinos de Portugal e Espanha, que resultou no restabelecimento da independência portuguesa em 1640, os holandeses veem seus domínios no nordeste brasileiro ameaçados, especialmente pela Insurreição Pernambucana (1645-1649), um levante envolvendo os principais produtores de açúcar da região contra os holandeses, credores das dívidas daqueles senhores de engenho. Assim, a Holanda decide conquistar a região do Cabo, em Pernambuco, de modo a garantir “doce” e lucrativo o comércio do açúcar que era produzido ali.

Para saber mais: Revolução Pernambucana

1ª Batalha dos Guararapes - 19 de abril de 1648

Sob o comando de Sigismund von Schkoppe e Johan van den Brinken, as tropas holandesas (7.400 homens e 6 peças de artilharia) faziam a travessia da Estrada da Batalha, onde se localiza o morro dos Guararapes, um local propício a emboscadas.

Surpreendentemente, 60 batedores das tropas luso-brasileiras atacaram a vanguarda holandesa, atraindo os neerlandeses para uma armadilha mortal numa passagem estreita entre os morros e o mangue, chamada Boqueirão (boca grande), onde foram pegos pelos flancos e destroçados pela infantaria e artilharia patrióticas (2.200 homens e 6 peças de artilharia).

Como resultado, foram 1.200 baixas e 700 feridos entre os holandeses e 84 mortos mais 400 feridos entre as forças luso-brasileiras.

2ª Batalha dos Guararapes - 19 de fevereiro de 1649

No dia 18 de fevereiro de 1649, o exército holandês parte do Recife para uma revanche, com mais de cinco mil soldados experientes, incluindo centenas de índios, negros e marinheiros voluntários.

Mais uma vez, os luso-brasileiros destroem as forças neerlandesas no Boqueirão, onde elas estavam posicionadas com 6 esquadrões e duas peças de artilharia. Acreditando que as forças do comandante João Fernandes Vieira (800 soldados) eram tudo o que havia restado da resistência, os holandeses atacam com força total e ficam vulneráveis pelos flancos, onde foram pegos de surpresa por 2.600 homens de infantaria e 50 cavaleiros, resultando em um número impressionante de baixas para os batavos (2.000 mortos, incluindo seu melhor comandante Van den Brinck e 90 feridos), enquanto as forças da coalizão luso-brasileira permaneciam quase intactas (47 mortos e 200 feridos).

Sem esperança de vitória, as tropas da República das Sete Províncias Unidas fogem para o Recife, onde ficam sitiadas por anos, até que se rendem em 1654 e partem do Brasil, abandonando todas suas possessões na colônia portuguesa.