Conflitos da Guerra Fria

Juliana Bezerra

A Guerra Fria se caracterizou por uma disputa ideológica entre o comunismo da União Soviética e o capitalismo dos Estados Unidos.

Embora ambos os países nunca tenham se enfrentado diretamente houve uma série de conflitos que foram apoiados por estas duas potências.

Características da Guerra Fria

A Guerra Fria começa em 1947, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.

A Guerra Fria é caracterizada por uma intensa polarização ideológica no mundo. Havia países que adotaram o capitalismo para ser seu sistema econômico, enquanto outros, escolheram o socialismo.

Também se criou uma expectativa entre ambas as potências de que um dia elas se enfrentariam. Então, aconteceu a corrida armamentista, onde era investido muito dinheiro em pesquisa e construção de armamentos.

Finalmente, podemos destacar a interferência estrangeira, como uma das características marcantes da Guerra Fria. Qualquer movimento de oposição nos países capitalistas era taxado de "comunista" pelos Estados Unidos e combatido. Por sua vez, o mesmo acontecia nos países socialistas, onde os dissidentes eram censurados e as manifestações, reprimidas.

Fases da Guerra Fria

A Guerra Fria é dividida em três fases para fins de estudo:

1. Máxima tensão (1947-1953): neste momento, EUA e URSS disputam a ocupação de territórios na Europa, através de planos de ajuda financeira como o Plano Marshall ou o Comecon. Igualmente, tem lugar a Guerra da Coreia, onde o mundo esteve à beira de uma disputa nuclear.

2. Coexistência pacífica (1953-1977): apesar de haver conflitos no Vietnã, Cuba e continente africano, esta fase é chamada assim porque todos estes confrontos estavam controlados. Em nenhum momento, as duas potências mostraram interesse em usar armas atômicas nas batalhas travadas.

3. Recrudescimento e fim da Guerra Fria (1977-1991): a Guerra do Afeganistão é o último conflito armado da Guerra Fria. O sistema socialista não tinha como competir com o capitalista e a URSS não tinha como ajudar financeiramente seus aliados e ela mesma tem que pedir empréstimos ao Ocidente.

É importante observar que não existe consenso entre os estudiosos sobre o número de fases da Guerra Fria. Alguns apontam quatro fases, enquanto outros consideram até cinco etapas.

Principais combates da Guerra Fria

Vejamos agora os principais conflitos travados durante a Guerra Fria.

Guerra da Coreia (1950-1953)

A Guerra da Coreia remonta à Segunda Guerra Mundial, quando a Península coreana foi invadida por soviéticos e chineses, que se instalaram no norte; e americanos, que ocuparam o sul. O limite entre ambos os países era o paralelo 38.

Após o fim da Segunda Guerra, os soviéticos alegaram que os ocidentais haviam ultrapassado a marca divisória e invadiram o sul. Diante desta agressão, a ONU autorizou o emprego de uma força internacional que seria capitaneada pelos Estados Unidos.

Este conflito foi utilizado por ambas as potências mundias para mostrar seu poder e as vantagens dos seus respectivos sistemas políticos. Os americanos justificaram sua intervenção baseados na Doutrina Truman que previa o auxílio dos EUA aos países que lutassem contra o comunismo.

Na realidade, a Guerra da Coreia é um enfrentamento inacabado, pois os rivais só firmaram um armistício e não um tratado de paz.

Guerra do Vietnã (1955-1975)

A Guerra do Vietnã também nasce com o fim da Segunda Guerra Mundial.

O país era ocupado pela França, mas o Japão, se aproveita da debilidade da metrópole europeia, para se apoderar do Vietnã.

Com o fim do conflito europeu, os vietnamitas se levantam contra a França e em 1950, proclamam a República do Vietnã do Norte, com um regime socialista, apoiado pela URSS. O sul permaneceria capitalista.

Em 1954, um plebiscito é realizado para unificar o país, e diante da possibilidade do socialismo ganhar, os EUA intervêm, apoiando o Vietnã do Sul.

A Guerra do Vietnã duraria vinte anos e seria o maior conflito armado após a Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos foram derrotados, cerca de dois milhões de pessoas fugiram do país e incontáveis civis e militares perderam suas vidas.

Guerra do Afeganistão (1979-1988)

Até 1978, o Afeganistão era uma monarquia onde conviviam inumeráveis tribos. O rei Zahir é destronado por seu primo, o príncipe Mohamed Daud, que proclamou a república e foi seu primeiro presidente. No entanto, a corrupção continuou e ele foi assassinado.

Com a ascensão dos comunistas ao poder, várias reformas foram realizadas como a escolarização em massa. No entanto, o regime comunista fracassou ao tentar banir a religião ou fazer uma reforma agrária no país. Como as diferentes facções começaram a lutar entre si, a URSS oferece ajuda militar para sustentar o governo comunista.

Por outro lado, os Estados Unidos começam a armar e a treinar os opositores. Um deles seria Osama bin Laden, que se transformaria de aliado a inimigo americano em duas décadas.

Os soviéticos se retiram derrotados do Afeganistão em 1988 e as guerras civis continuam até a tomada do poder pelo Talibã.

Fim da Guerra Fria

O fim da Guerra Fria dura cerca de dois anos, se consideramos dois fatos principais: a queda do Muro de Berlim, em 1989 e o final da União Soviética, em 1991.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas estava passando por sérias dificuldades financeiras e não podia mais socorrer aos seus sócios. Assim, a Alemanha Oriental (República Democrática Alemã) decide fazer uma série de concessões à população a fim solucionar seus problemas econômicos. Um deles, foi o anúncio da abertura de fronteiras, da Alemanha Oriental para a Ocidental. Milhares de pessoas, então, se precipitam e o Muro cai em 9 de novembro de 1989.

Igualmente, a URSS tenta remediar suas adversidades aplicando as políticas de Mikhail Gobartchov: perestroika (construção) e glasnot (abertura).

Uma das medidas foi a criação da Comunidade dos Estados Independentes, em 8 de dezembro de 1991. A nova entidade política durou pouco e dias mais tarde, em 25 de dezembro, Gorbatchov renuncia e a União Soviética desaparece.

Com o término da União Soviética, a Guerra Fria perde sua razão de existir, porque todos os países do globo (exceto Coreia do Norte e Cuba) passaram a ser capitalistas.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.