Crise na Venezuela


A Crise da Venezuela é um fenômeno econômico, social e político que vem acontecendo no país desde 2012.

Nos últimos dois anos, entretanto, a situação se agravou quando milhares de venezuelanos começaram a deixar o o país devido a escassez de alimentos.

Economia e Crise da Venezuela

Atualmente, a Venezuela é o país que tem o maior nível de inflação no mundo. Em 2017 foi registrada a taxa de inflação acumulado ao longo do ano foi de 2 610%. Para se ter uma ideia, em 3 de outubro de 2018, 1 real vale 15,76 bolívares venezuelanos.

A economia do país depende, basicamente, da venda do petróleo e quando o preço do produto começou a cair, o PIB da Venezuela sofreu uma grande queda. Observe o gráfico abaixo:

Estatísca econômica Venezuela

Sem o dinheiro do petróleo, o governo não tem como subsidiar as importações de primeira necessidade como trigo e arroz. Desta maneira, a população enfrenta uma grave crise de abastecimento de produtos básicos.

Com a erosão social, os índices de violência, que já eram altos, dispararam nos últimos dois anos. Agora, o país é considerado o segundo mais violento do mundo. A taxa de homicídios é de 89 a cada 100 habitantes.

A mortalidade infantil, que tinha diminuído na década passada, voltou a crescer 30%.

Política e a Crise da Venezuela

O atual presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (1962), enfrenta sem contar com a bonança econômica do seu antecessor Hugo Chávez (1954-2013).

Por isso, o presidente Maduro se apoia nas Forças Armadas para manter-se no poder. Em junho 2017, Maduro ordenou o Exército realizar exercícios militares na Amazônia a fim de mostrar sua força.

Maduro também não possui o carisma do seu antecessor e assim vê sua popularidade cair dentro e fora do país. Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai e estrela da esquerda latino-americana, o qualificou de "louco".

Protesto em Caracas contra o governo
Manifestantes enfrentam as forças policiais para pedir melhores condições de vida

No meio deste cenário convulso, contudo, o presidente Maduro tem acumulado poder. Em 2017, a Corte Suprema da Venezuela decidiu:

  • conceder a Maduro o poder Legislativo;
  • acabar com a imunidade parlamentar, permitindo ao presidente processar deputados.

Em julho de 2017, o presidente elegeu uma Assembleia Constituinte, onde não há, praticamente, participação da oposição. Os protestos foram massivos e deixaram quinze mortos.

Também o Partido Socialista Unificado saiu vitorioso nas eleições regionais e municipais de 2017. Em maio de 2018, a oposição recusou a participar da votação para presidente e Nicolás Maduro, mais uma vez, foi eleito presidente da Venezuela.

Origem da Crise da Venezuela

Chávez saúda seus seguidores
Hugo Chávez em plena campanha eleitoral

Para entender a crise da Venezuela é preciso voltar à primeira década do século XXI.

Com o preço do petróleo nas alturas, o país, que é um dos grandes produtores do “ouro negro”, enriqueceu consideravelmente.

A Venezuela foi governada por um dos líderes latino-americanos mais carismáticos dos últimos tempos: Hugo Chávez. Foi eleito pela primeira vez em 1998 e saiu reforçado após uma tentativa de golpe em 2002.

O militar usava sua retórica antiamericana e anti-imperialista para conseguir apoio no continente latino-americano. Foi assim que encontrou apoio do Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba para relançar o socialismo na América Latina através da ALBA (Aliança Bolivariana para América).

Chávez implantou o “socialismo do século XXI” que consistia em centralizar e estatizar setores estratégicos da economia.

Parte dos lucros da indústria petroleira foi usado para financiar programas sociais aos mais desfavorecidos. Estes responderam com fidelidade reelegendo Hugo Chávez de maneira ininterrupta. Todos os índices sociais como mortalidade infantil ou expectativa de vida tiveram uma sensível melhora neste período.

Por outro lado, o presidente venezuelano promoveu uma verdadeira caça às bruxas aos opositores. Muitos foram demitidos e tiveram suas propriedades confiscadas apenas por não se enquadrar na ideologia do governo chavista.

Da mesma maneira, Chávez promove o culto a sua personalidade recorrendo à figura de Simón Bolívar (1783-1830), o Libertador, um herói da independência do país. Assim, começa o culto a personalidade de Chávez, ideologia que leva o nome de chavismo.

Em 2012, este sistema começa a ruir quando o presidente anuncia que está gravemente enfermo. No ano seguinte, Chávez falece e seu sucessor, Maduro, não tem o mesmo carisma que seu antecessor.

A morte de Chávez coincide com a queda dos preços de petróleo e vários programas sociais têm que ser abandonados. A oposição política aproveita o momento para ir às ruas e exigir eleições sem fraude.

O Brasil e a Crise da Venezuela

Após anos de instabilidade no país vizinho, o Brasil sente a crise na Venezuela chegar às suas fronteiras. Milhares de cidadãos daquele país entram no território brasileiro em busca de uma vida melhor e colapsaram os serviços públicos das cidades fronteiriças.

O estado de Roraima pediu ajuda ao Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2018, para que pudesse fazer frente aos venezuelanos que não tinham onde ficar. Igualmente, solicitou o fechamento temporário da fronteira Brasil e Venezuela.

Ao contrário do que acontecia nos governos anteriores, o presidente Michel Temer (1940) não reconheceu a vitória do presidente Nicolás Maduro nas eleições de maio de 2017.

Por sua vez, o presidente Donald Trump decretou sanções econômicas ao país.

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