Culinária afro-brasileira

Juliana Bezerra

A culinária afro-brasileira é adaptação de pratos de origem africana aos alimentos cultivados no Brasil.

Acarajé, angu, feijoada, vatapá e muitos outros são alguns exemplos de comidas afro-brasileiras.

Origem da culinária afro-brasileira

A culinária afro-brasileira tem sua origem com a chegada dos negros escravizados à colônia. Os africanos escravizados tiveram que recriar seus quitutes com os ingredientes locais.

Em lugar do inhame, usaram a mandioca; e para substituir o sorgo, utilizaram o milho. Para compensar a falta de pimentas específicas, recorreram aos condimentos locais e, mais tarde, ao azeite de dendê.

Os negros escravizados também observaram os pratos preparados pelos indígenas como o pirão, a moqueca e o bobó. Todos eles foram enriquecidos com produtos africanos como o leite de coco.

Também entraram em contato com os animais criados pelos portugueses como as galinhas. Assim, surgiram receitas como o vatapá, o sarapatel nordestino e o xinxim.

A partir do momento que o tráfico negreiro crescia, sementes e mudas de plantas africanas foram trazidas pelo português como o coco, o dendezeiro, o inhame e etc. e assim, o negros puderam introduzi-los aos quitutes locais.

Culinária afro-brasileira e o candomblé

Além da necessidade diária, a cozinha africana está ligada à religião, pois os orixás comem o mesmo que os seres humanos.

Nas casas (ou terreiros) de candomblé são preparados, todos os dias, comidas para serem ofertadas aos santos nos rituais.

Desta forma, os africanos reproduziram as receitas das comidas que ofereciam aos seus orixás na casa-grande e depois, usaram como forma de se sustentar economicamente. Importante ressaltar que o modo de preparação para os orixás é diferente daquele que é servido para as pessoas.

Foi assim que o acarajé, por exemplo, saiu dos terreiros e foi para as ruas de Salvador. Atualmente, o quitute é uma das identidades culinárias da Bahia e do Brasil.

Pratos de origem africana

Acarajé

A palavra "acarajé" vem do vocábulo àkàrà, que significa "bola de fogo" e é dedicado ao orixá Iansã.

O acarajé é feito com massa de feijão-fradinho, recheado com vatapá, caruru, camarão refogado e pimenta.

Sua origem é incerta, mas sabe-se que ele é consumido na Nigéria, inclusive no café da manhã. O bolinho era uma comida reservada inicialmente aos orixás, mas que serviu para as escravas alforriadas garantirem seu sustento.

Acarajé
Prato de acarajé: as baianas que o fazem são consideradas patrimônio imaterial da Bahia

Angu

A palavra angu, de origem iorubá, designava a papa feita com inhame.

Nas Américas, os africanos conheceram o milho e a mandioca, e passaram a usar esses alimentos para elaborar o angu. A fim de aumentar seu valor nutritivo era costume servi-lo com miúdos de carne.

Feijoada

Por muito tempo, se acreditou que a feijoada era a mistura do feijão preto com as partes menos nobres do porco entregadas aos negros escravizados. No entanto, os portugueses tinham um prato semelhante e de modo algum consideravam a orelha ou o joelho do porco como alimentos desprezíveis.

Então, ao modo de preparar esta receita portuguesa, os negros escravizados acrescentaram a laranja, a pimenta e a farofa tornando este prato mais completo.

Feijoada brasileira
Feijoada: laranja, couve e farofa, arroz e o feijão com carnes

Vatapá

O vatapá tem sua origem na culinária dos povos iorubás e foi adaptado no Brasil.

Leva castanha de caju, azeite de dendê, camarão, coentro, pão, pimenta malagueta, coco e gengibre que serão misturados e transformados num creme.

Por ser um prato encontrado em várias regiões do Brasil, e em cada uma pode ser acrescentado ou retirado algum ingrediente. Também pode ser elaborado com peixe ou mesmo frango.

Vatapá
Vatapá

Alimentos de origem africana

O comércio entre a África e a América resultou na vinda de novos alimentos para o continente americano. Alguns exemplos são:

  • Azeite de Dendê
  • Quiabo
  • Inhame
  • Leite de coco
  • Pimenta malagueta
  • Noz moscada

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.