Cultura Árabe


A cultura árabe engloba um determinado número de tradição e costumes que possuem uma história comum em territórios do Oriente Médio, África Setentrional e Ásia Ocidental. Ela envolve povos muçulmanos, judeus e cristãos.

Se considerarmos apenas os países da "Liga Árabe" (1946), são ao menos trezentos milhões de pessoas diretamente influenciadas por essa cultura.

Língua e Religião Árabe

Cultura ÁrabeAlfabeto Árabe

Com efeito, a língua árabe é um fator unificante nesta civilização, tanto quanto o Islamismo, uma vez que a maioria dos árabes são seguidores do Islã.

Vale ressaltar que a palavra “árabe” significa “claro” ou “compreensível” para se referir aqueles cuja língua era inteligível.

Países Árabes

Cultura ÁrabePaíses Árabes e suas Bandeiras

Os principais países de cultura árabe são:

Península Arábica

Vale do Nilo

  • Egito
  • Sudão

Magrebe

  • Líbia
  • Tunísia
  • Argélia
  • Marrocos
  • Mauritânia
  • Saara Ocidental

Crescente Fértil

  • Iraque
  • Líbano
  • Síria
  • Palestina
  • Jordânia

Também são considerados países árabes: Afeganistão, Chipre, Irã, Kuwait, Israel e Turquia.

Curiosidades e Costumes da Cultura Árabe

Cultura ÁrabeFeira na cidade de Marrakech, Marrocos

A cultura árabe surge na Península Arábica com os povos semitas descendentes de Ismael, filho patriarca de Abraão. As figuras mais representativas são os nômades beduínos. Eles viviam em regiões desérticas e sofriam com as condições de plantio e criação de gado.

Entretanto, com a formação do Império Árabe no século VII, a cultura e a religião islâmica se espalham por um vasto território. Assim, o culto muçulmano e a língua árabe irão lastrear um processo de “arabização”.

Como este domínio se fez com relativa tolerância, a cultura arábica teria assimilado os conhecimentos dos povos dominados.

Como exemplo, temos o caso da antiga Pérsia ou dos povos helênicos, dos quais preservaram conhecimentos valiosos, como a filosofia grega.

Em comum, esta cultura possui valores como lealdade, honra, tradicionalismo e conservadorismo. Valorizam a amizade, o respeito, a paciência e a privacidade acima de tudo.

No que tange à privacidade, é comum que as casas não permitam que seu interior seja visto do lado de fora.

Também é muito conhecida a tradição árabe para os negócios, nos quais é necessário ter paciência para pechinchar e negociar o valor das mercadorias.

Outro aspecto importante desta cultura diz respeito as formas de comer. Árabes muçulmanos e judeus não se alimentam de carne de porco, comem somente com a mão direita e normalmente fazem suas refeições sentados no chão.

Família Árabe

A família árabe é patriarcal. A mãe é responsável pelos afazeres domésticos e cuidados da casa, enquanto o pai é o provedor e toma as decisões da casa.

É comum encontrar homens que se abraçam e trocam beijos na bochecha ou andando de mãos dadas (isso é um sinal de grande amizade).

Contudo, quando se dirigem a uma mulher, normalmente os homens árabes não as encaram e somente a cumprimentam com palavras. Isso porque na maioria dos países árabes, o beijo público entre casais é proibido.

A Mulher Árabe

Outro aspecto notório sobre as mulheres árabes é que elas dificilmente são encontradas com os cabelos descobertos. Em alguns lugares são até proibidas de dirigir automóveis ou recitar o Corão.

Ademais, apesar de não serem proibidas de estudar na maioria das nações arábicas, normalmente elas ficam restritas a escolas femininas.

Vestimenta Árabe

São as indumentárias ou vestimentas árabes que mostram o lado mais conservador desta cultura.

Desse modo, os homens podem ser facilmente encontrados vestidos à moda ocidental, com calça jeans e camisa. Podem também usar uma mistura de roupas ocidentais e tradicionais (togas e turbantes).

Já as mulheres, costumam se vestir com mais decoro. Utilizam um hijab (tecido que cobre a cabeça sem esconder o rosto), uma abaya (túnica preta e longa) ou um niqab (tecido que cobre a parte inferior do rosto).

Casamento Árabe

Cultura ÁrabePreparação de Mulher Árabe para o Casamento

O casamento árabe (Nikah) é um cerimonial colorido, alegre, farto e cheio de rituais simbólicos. Normalmente, o evento dura até três dias.

Podem ser celebrados a qualquer momento, exceto no dia após o Ramadão ou entre o nono e décimo dia do primeiro mês do calendário do Islão.

Como a cultura árabe é permeada pelo Islamismo, o casamento deve ser realizado numa mesquita, sob as bênçãos de um Imam ou Xeique.

Tradicionalmente, o primeiro dia é consagrado à cerimônia de noivado (Mangni). Essa representa uma sagração oficial na qual ocorre a troca de alianças e a assinatura de casamento.

Trata-se de um contrato civil, firmado pelo noivo, a noiva e seu guardião, endossado ainda por mais duas testemunhas.

No segundo dia (Manjha), a atenção está voltada para a noiva. Ela é produzida para o casamento com as tradicionais tatuagens de hena (nos pés e nas mãos), as quais só podem ser tatuadas por mulheres solteiras.

Finalmente, no terceiro dia, é quando ocorre a festa de casamento propriamente dita. Nesse momento, as famílias dos noivos irão se reunir com os demais convidados, em meio a muita comida, música e dança.

Quanto às vestimentas, vale destacar que a noiva pode usar até sete vestidos diferentes, desde que o vestido utilizado no terceiro dia da festa seja branco. Já o noivo, normalmente, veste-se com seda e turbante.

Difusão de Descobertas e Conhecimentos

Vale destacar que os povos árabes foram grandes criadores. Eles transmitiram ao mundo ocidental conhecimentos de navegação que permitiram avanços notáveis, como a bússola e o astrolábio.

Além disso, seus alquimistas foram os precursores da química moderna e à eles é atribuída a descoberta do álcool.

Os matemáticos foram igualmente importantes, donde herdamos o conhecimento sobre os algarismos arábicos, a álgebra e o conceito do zero (trazido da Índia).

Ora, a partir destes cálculos algébricos, a engenharia e arquitetura árabes puderam construir belíssimas mesquitas, palácios, com seus arcos, cúpulas e minaretes.

Todos eles são bem ornamentados pela arte decorativa dos arabescos, onde predominam os motivos geométricos de influência persa, indiana e bizantina.

Vale destacar aqui a proibição religiosa de representar figuras humanas, o que justifica o predomínio das figuras geométricas, plantas e flores, formando belíssimos arabescos.

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