Cultura Árabe: conheça suas origens e tradições

Juliana Bezerra

A cultura árabe envolve tradições, idioma e costumes de povos que são originários dos territórios do Oriente Médio, África Setentrional e Ásia Ocidental.

Igualmente, a cultura árabe é um conceito independente da religião, pois engloba povos muçulmanos, judeus, cristãos e pagãos.

Se considerarmos apenas os países da "Liga Árabe" (1946), são ao menos trezentos milhões de pessoas que fazem parte dessa cultura.

Países Árabes

Países Árabes
Países Árabes

Os principais países de cultura árabe são:

Península Arábica

Vale do Nilo

  • Egito
  • Sudão

Magrebe

  • Líbia
  • Tunísia
  • Argélia
  • Marrocos
  • Mauritânia
  • Saara Ocidental

Crescente Fértil

  • Iraque
  • Líbano
  • Síria
  • Palestina
  • Jordânia

Mundo Árabe

O mundo árabe compreende aqueles países e povos que adotaram a língua árabe. Estão concentrados, principalmente, no norte da África.

Não se deve confundir "mundo árabe", que se identifica com o idioma, com "mundo islâmico", que se refere à religião.

Nem todo árabe é muçulmano (ou islâmico) e muitas pessoas que não tem como idioma o árabe são muçulmanas.

A cultura árabe viajou com os povos dessas regiões e chegaram à Espanha, Portugal e dali passaram às Américas. Em países como Brasil e Argentina há importantes comunidades descendentes de árabes.

Origem da Cultura Árabe

Cultura Árabe
Aspecto de uma feira na cidade de Marrakesh, Marrocos

A cultura árabe surge na Península Arábica com os povos semitas descendentes de Ismael, filho patriarca de Abraão.

As figuras mais representativas são os nômades beduínos, os quais viviam em regiões desérticas e se sustentavam, principalmente, da criação de gado.

Entretanto, com a formação do Império Árabe no século VII, a cultura e a religião islâmica se espalham pela península, modificando os costumes desses povos nômades. Assim, o islamismo e o idioma serão a base do processo de “arabização” no norte da África.

Como este domínio se fez com relativa tolerância, houve uma influência recíproca entre aqueles que eram muçulmanos e falavam árabe e os povos que foram dominados. Através das suas viagens, os árabes entraram em contato com os povos helênicos, aprenderam e preservaram sua filosofia grega.

Desta maneira, as comunidades cristãs e judaicas eram toleradas nos territórios de maioria muçulmana e acabaram absorvendo tradições árabes.

Costumes da Cultura Árabe

Em comum, esta cultura possui valores como lealdade, honra, tradicionalismo, sentido de hospitalidade e conservadorismo. Priorizam a amizade, o respeito, a paciência e a privacidade acima de tudo.

Também é muito conhecida a tradição árabe para os negócios, nos quais é necessário ter paciência para pechinchar e negociar o valor das mercadorias.

Outro aspecto importante desta cultura diz respeito às formas de comer. Árabes muçulmanos não se alimentam de carne de porco, comem somente com a mão direita e normalmente fazem suas refeições sentados no chão.

Religião Árabe

Calcula-se que 90% dos povos árabes professem a religião islâmica, fundada por Maomé (Mohamad) no ano 622 da Era Cristã.

Esta fé uniu as numerosas tribos beduínas da Península Arábica e do norte da África. Por esta razão, é muito comum pensar que todos os árabes são muçulmanos.

No entanto, sobrevivem ali comunidades de cristãos, judeus e até aqueles que conservam crenças animistas como os yazidis, um dos povos que formam os curdos.

Igualmente, os judeus e a Igreja Ortodoxa já estavam instalados nos territórios onde o islamismo floresceu. Há ainda denominações cristãs como os melquitas, coptas, maronitas, entre outras.

Por isso, é incorreto afirmar que todo árabe é muçulmano. Por fim, lembremos que o maior país islâmico do mundo, a Indonésia, não é um país árabe.

Família Árabe

A família árabe é patriarcal. A mãe é responsável pelos afazeres domésticos e cuidados da casa, enquanto o pai é o provedor e toma as decisões da casa. Atualmente, porém, em vários países árabes, a mulher trabalha fora de casa.

É comum encontrar homens que se abraçam e trocam beijos na bochecha ou andando de mãos dadas (isso é um sinal de grande amizade).

Contudo, quando se dirigem a uma mulher, normalmente os homens árabes não as encaram e somente a cumprimentam com palavras. Isso porque na maioria dos países árabes, o beijo público entre casais é proibido.

Vestimenta Árabe

Geralmente, por influência religiosa, os povos árabes tendem a cobrir mais o corpo do que os Ocidentais. As altas temperaturas também fazem necessário o uso de véus e turbantes a fim de proteger o rosto e a cabeça.

As mulheres, costumam se vestir com mais decoro e dificilmente são encontradas com os cabelos descobertos.

Utilizam um hijab (tecido que cobre a cabeça sem esconder o rosto), uma abaya (túnica preta e longa) ou um niqab (tecido que cobre a parte inferior do rosto). É importante ressaltar que cada país tem seus códigos próprios para roupas.

Véus islâmicos

Da mesma maneira, essas indumentárias ou vestimentas árabes que mostram o lado mais conservador desta cultura.

Por sua parte, os homens podem ser encontrados vestidos à moda ocidental, com calça jeans e camisa. No entanto, em países como a Arábia Saudita, deve usar turbante e túnica.

Casamento Árabe

Casamento Árabe
Ritual de casamento da religião islâmica

A cerimônia de casamento árabe varia de acordo com a religião. Contudo, uma característica é certa: independente da crença, a festa será longa e muito animada.

Casamento árabe muçulmano

O casamento árabe muçulmano (Nikah) é um cerimonial colorido, alegre, farto e cheio de rituais simbólicos. Normalmente, o evento dura até três dias.

Podem ser celebrados a qualquer momento, exceto no dia após o Ramadão ou entre o nono e décimo dia do primeiro mês do calendário do Islão.

Como a cultura árabe é permeada pelo Islamismo, o casamento deve ser realizado numa mesquita, sob as bênçãos de um Imam ou Xeique.

Tradicionalmente, o primeiro dia é consagrado à cerimônia de noivado (Mangni). Essa representa uma sagração oficial na qual ocorre a troca de alianças e a assinatura de casamento.

Trata-se de um contrato civil, firmado pelo noivo, a noiva e seu guardião, endossado ainda por mais duas testemunhas.

No segundo dia (Manjha), a atenção está voltada para a noiva. Ela é produzida para o casamento com as tradicionais tatuagens de hena (nos pés e nas mãos), as quais só podem ser tatuadas por mulheres solteiras.

Finalmente, no terceiro dia, é quando ocorre a festa de casamento propriamente dita. Nesse momento, as famílias dos noivos irão se reunir com os demais convidados, em meio a muita comida, música e dança.

Quanto às vestimentas, vale destacar que a noiva pode usar até sete vestidos diferentes, desde que o vestido utilizado no terceiro dia da festa seja branco. Já o noivo, normalmente, veste-se com seda e turbante.

Língua Árabe

Alfabeto Árabe
Alfabeto Árabe

Com efeito, a língua árabe é um fator unificante nesta civilização, tanto quanto o Islamismo, uma vez que a maioria dos árabes são seguidores do Islã.

Vale ressaltar que a palavra “árabe” significa “claro” ou “compreensível” para se referir aqueles cuja língua era inteligível.

Ao contrário das línguas latinas e anglo-saxãs, o idioma árabe é escrito da direita para a esquerda e só possui 3 vogais e 22 consoantes.

Difusão de Descobertas e Conhecimentos

Mesquita
As mesquitas são um exemplo da engenharia e da arte árabe, como o Domo da Rocha, em Jerusalém

Os povos árabes foram grandes criadores e transmitiram ao mundo ocidental conhecimentos de navegação que permitiram avanços notáveis, como a bússola e o astrolábio.

Além disso, os alquimistas foram os precursores da química moderna e a eles é atribuída a descoberta do álcool.

Os matemáticos foram igualmente importantes, de onde herdamos o conhecimento sobre os algarismos arábicos, a álgebra e o conceito do zero (trazido da Índia).

Arquitetura Árabe

A partir destes cálculos algébricos, a engenharia e arquitetura árabes puderam construir belíssimas mesquitas, palácios, com seus arcos, cúpulas e minaretes.

Todos eles são bem ornamentados pela arte decorativa dos arabescos, onde predominam os motivos geométricos de influência persa, indiana e bizantina.

Vale destacar aqui a proibição religiosa de representar figuras humanas, o que justifica o predomínio das figuras geométricas, plantas e flores em seus preciosos mosaicos.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.