Império Árabe


O “Império Árabe” ou “Império Árabe Islâmico” está intimamente ligado à expansão do Islamismo e constituiu um Estado que dominou grande parte do continente asiático, do norte da África e da Península Ibérica entre os séculos VII e XIII. Com efeito, sua unidade foi possível graças à legitimidade que Maomé e seus Califas gozavam perante as tribos árabes e aos povos conquistados.

Principais Características

Até o início do século VII, a Arábia era constituída por cerca de 300 tribos semitas, dentre as quais se destacavam os beduínos nômades e as tribos coraixitas da região litorânea.

Contudo, com a unificação da Península Arábica sob a égide religiosa, os povos árabes adquiriram uma forma de coesão social e política baseada numa Monarquia Teocrática, a qual fundiu elementos econômicos, sociais, políticos e militares para viabilizar seu expansionismo sendo fundamentou nos preceitos do Corão, o livro sagrado dos islâmicos, para manter sua harmonia.

Por conseguinte, vale ressaltar que muitos povos se converteram ao islamismo, tendo em vista que os muçulmanos pagavam menos impostos.

Outra característica notável é que os árabes controlavam as rotas comerciais mais importantes e dominaram o comércio no Mar Mediterrâneo. Por conseguinte, Meca era considerada a capital sagrada do império e o principal um centro de convergência religioso e comercial.

Os califas, sucessores de Maomé, detinham o poderio militar, político e, algumas vezes, o religioso. Assim, eles expandiram os territórios do império e absorviam as culturas dos povos dominados. Ora, foram os árabes os principais responsáveis pela preservação dos conhecimentos greco-romanos, dentre eles, os de Aristóteles.

Do ponto de vista cultural, destacaram-se as áreas da literatura, com a produção de obras como “As minas do rei Salomão, As mil e uma noites e Ali Babá e os quarenta ladrões” e os Tratados de medicina e ciências. Também são muitos conhecidos no Ocidente os aspectos arquitetônicos dos palácios e mesquitas, decorados com os arabescos ilustrativos.

Contexto Histórico: Resumo

O Império Árabe tem como pedra angular o profeta Maomé, nascido em Meca em meados de 570. Sua vida peregrina nas caravanas de comércio lhe permitiu contato com diversas tribos e culturas, nas quais ele se baseou para criar o Islamismo, a religião que uniu praticamente todas as tribos da Península Arábica. Com efeito, em 610, o profeta teria fundado a religião de Maomé, chamada de muçulmana ou islâmica.

Por sua vez, em 622, Maomé teria imigrado de Meca para Medina, no que ficou conhecido como Hégira. A partir daí, surge uma nova forma de governo, a Umma e tem início o processo de expansão e conversão das tribos Península Arábica. Posteriormente, o expansionismo segue rumo o Noroeste e Leste, combatendo os impérios Bizantino e Persa.

Com a morte do profeta no ano de 632, o movimento de unificação da Arábia irrompe as fronteiras da península e, até o ano de 750, expandem seus territórios grandemente.

Por fim, vale destacar a ação do califa Abu Bakr, um dos sogros de Maomé, o qual governou após a morte de seu genro e declarou a Guerra Santa para conversão dos não maometanos e fomentou a expansão do Império.

Seu sucessor, Umar Ibn Al-Kattab, governou entre 644 e 656, quando expandiu o território imperial por sobre a Síria, a Palestina, o Egito e a Pérsia. Por sua vez, Uthman Ibn Affan, o sucede em 644 e, durante seu califado, conquista a Pérsia, e boa parte da Ásia Menor e do Norte da África.

Contudo, divergências ideológicas levam ao assassinato do monarca pelo genro de Maomé, Ali Ibn Abi Talib, criando uma cisão no Império que o divide entre xiitas, os quais acreditam que apenas os familiares do profeta poderiam governar; e os sunitas, os quais acreditavam que a revelação divina já havia sido feita por Maomé, donde o califa não poderia, portanto, ser um líder espiritual.

Destarte, em função das guerras civis que fragmentaram o Império Árabe em diversos califados, em fins do século XIV, a configuração imperial já não era mais a mesma, de modo que o Império já não existia mais.