Émile Durkheim

Juliana Bezerra

Émile Durkheim foi um sociólogo, filósofo e antropólogo judeu francês.

É considerado o "Pai da Sociologia", pois trouxe para esta ciência elementos como a pesquisa quantitativa para embasar os estudos. Também conseguiu que a Sociologia fosse considerada um disciplina acadêmica.

Biografia de Émile Durkheim

David Émile Durkheim nasceu em Épinal, na França, no dia 15 de abril de 1858.

Nasceu numa família de judeus onde os homens de oito gerações anteriores se dedicaram a ser rabinos. Este também era o destino de Durkheim, mas ele preferiu abandonar a escola rabínica.

Aos 21 anos de idade, ingressou na Escola Normal Superior de Paris, onde se graduou em Filosofia no ano de 1882, sob a orientação do professor e historiador Fustel de Coulanges.

Durkheim

Seus trabalhos teóricos começaram quando ingressou na Universidade de Bordeaux como professor de pedagogia e ciência social. A partir daí, irá desafiar a sociedade acadêmica ao instituir um novo campo do saber: a Sociologia.

Reuniu em torno de si colaboradores especilizados em história, etnologia, jurisprudência, etc. Fruto de este esforço foi a publicação da revista "L'Année Socilogique", de 1989 a 1912, que é considerada uma das revistas de sociologia mais científicas que se publicaram.

Escreveu centenas de estudos acerca de temas como educação, crimes, religião e suicídio. Suas obras estudadas são "Regras do método sociológico", publicada em 1895 e "O suicídio", de 1897.

Faleceu em Paris, em 15 de novembro de 1917, onde encontra-se enterrado no Cemitério de Montparnasse.

O surgimento da sociologia de Durkheim

Além de ser o fundador da "Escola Francesa de Sociologia", Émile Durkheim, constituiu a Sociologia Moderna, ao lado de Karl Marx e Max Weber.

Também é um dos responsáveis por tornar a sociologia uma disciplina universitária, tal qual era a filosofia ou a história. Ainda assim, inovou ao introduzir a pesquisa empírica à teoria, o que daria mais solidez à sociologia.

As regras do método sociológico

A obra "As regras do método sociológico", publicada em 1895, é de suma importância para ciência moderna.

Neste livro, o autor define a metodologia de estudo de toda área das ciências sociais. Nestas páginas, Durkheim estabelece as regras para a sociologia enquanto ciência, seus métodos de pesquisa e lhe atribui um objeto de estudo - a sociedade.

Destacamos algumas regras do método sociológico, segundo este pensador:

  • o objeto da sociologia é o fato social
  • deve-se utilizar instrumentos próprios das ciências exatas como estatísticas para realizar o estudo sociológico
  • é preciso construir uma ligação entre o fenômeno observável e a experimentação
  • formula-se hipóteses sobre o fato social que serão validadas ou não.

Teorias de Émile Durkheim

Ao afirmar que "os fatos sociais devem ser tratados como coisas", ele coloca o objeto sociológico enquanto objeto científico.

Assim, ele considerava que só a ciência e um novo paradigma racionalista poderiam conduzir a respostas acertadas frente às mudanças sociais cada vez mais rápidas.

Em resumo, sua obra constitui uma “teoria da coesão social”, para responder como as sociedades poderiam manter a sua integridade e coerência na era moderna. No final do século XIX, quando viveu Durkheim, aspectos como religião, família e trabalho estável estavam perdendo importância.

Durkheim viveu numa época onde as pessoas abandonavam o campo e iam em direção à cidade. Ali encontravam melhores condições materiais, mas perdiam sua identidade e a solidariedade que existe nas zonas rurais.

Sociabilidade

Segundo ele, o homem seria um animal bestial que só se tornou humano na medida em que se tornou sociável.

Por isso, o processo de aprendizagem, que foi chamado de "socialização" por Durkheim, é o fator basilar na construção de uma “consciência coletiva”.

Através da educação formal entramos em contato com ideias que nos darão o sentimento de pertencimento ao grupo, seja ele uma igreja ou a uma pátria.

Desta forma, a vida na cidade e sob o capitalismo, retiraria do ser humano suas referências identitárias para criar seres sem esperança. Somente com a construção de uma escola laica e de valores morais seria possível superar este impasse.

Fato social

Uma de suas principais contribuições à sociologia foi determinar o "fato social", os quais nos ensinam como devemos ser, sentir e fazer.

O fato social é a realidade que já encontramos quando nascemos: escola, governo, religião, ritos sociais. Resumindo: tudo aquilo que temos que cumprir por obrigação social ou porque a lei pode nos punir.

Aqui, três propriedades são cruciais: generalidade, exterioridade e coercitividade. Estas são as leis que conduzem o comportamento social, ou seja, o que governa os fatos sociais.

O ser humano não é responsável pelos fatos sociais. Afinal, o que as pessoas sentem, pensam ou fazem não dependem totalmente de suas vontades individuais, pois são uma conduta instituída pela sociedade.

Sua teoria também ficará conhecida como Funcionalista, uma vez que faz uma analogia com as funções do organismo. A existência e a qualidade de diferentes partes da sociedade são decompostas pelos papéis que exercem para manter o meio social balanceado.

Leia também: O que é Fato Social?

Instituição social e anomia

A teoria durkheimiana estuda a função da instituição social, sua constituição e seu enfraquecimento, que o sociólogo chamará de "anomia".

A instituição social seria o conjunto de regras e artifícios uniformizados socialmente para conservar a organização do grupo e, por isso, são tradicionalistas por essência. Como exemplo ele citava a família, escola, governo, religião, etc. Estas atuam dificultando a oposição às mudanças, pela conservação da ordem.

Já a anomia, seria uma situação onde a sociedade ficaria sem regras claras, sem valores e sem limites. Este cenário ocorre quando a sociedade se vê incapaz de integrar determinados indivíduos que estão afastados devido ao abrandamento da consciência coletiva.

Saiba mais sobre alguns temas relacionados:

Principais obras de Durkheim

  • Da divisão do trabalho social (1893)
  • Regras do método sociológico (1895)
  • O suicídio (1897)
  • A educação moral (1902)
  • Sociedade e trabalho (1907)
  • As formas elementares de vida religiosa (1912)
  • Lições de Sociologia (1912)
Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.