Exercícios sobre Morte e Vida Severina (para o ENEM)
Confira os exercícios sobre Morte e Vida Severina, uma das obras mais importantes da literatura brasileira do século XX. Escrito por João Cabral de Melo Neto, o poema dramático retrata a trajetória de um retirante nordestino e denuncia as desigualdades sociais que marcam sua realidade.
Resolva as questões e revise temas como crítica social, linguagem poética, simbolismo e características do regionalismo moderno, frequentemente cobrados no ENEM e nos vestibulares.
Questão 1
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
Morte e vida Severina, João Cabral de Melo Neto
A afirmação presente nos dois primeiros versos contribui para a construção de uma identidade que se caracteriza pela
a) valorização da individualidade sertaneja.
b) construção de uma identidade coletiva.
c) defesa da ascensão econômica no sertão.
d) idealização heroica do retirante nordestino.
e) valorização exclusiva dos laços familiares.
Essa questão exige compreender que o protagonista funciona como personagem coletiva. João Cabral constrói Severino como representação social, não como indivíduo excepcional.
O estudante precisa perceber que a repetição do nome produz efeito de universalização da pobreza e da exclusão.
Os distratores A e D costumam atrair quem associa protagonista a individualização heroica, mas estão equivocadas.
Questão 2
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
O deslocamento realizado pelo personagem ao longo da obra simboliza principalmente
a) a busca por entretenimento urbano.
b) a rejeição à cultura regional.
c) migração associada à sobrevivência.
d) a expansão agrícola do Nordeste.
e) o turismo entre regiões brasileiras.
A trajetória de Severino representa o fenômeno histórico dos deslocamentos forçados pela seca, pela pobreza e pela falta de oportunidades.
O estudante deve relacionar espaço geográfico e questão social. As alternativas A e E funcionam como distratores absurdos, enquanto D pode parecer plausível por envolver questões rurais, mas não corresponde ao foco da obra.
Questão 3
ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO
— Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
— É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.
A recorrência da temática da morte ao longo da obra evidencia
a) a naturalização das desigualdades sociais.
b) o caráter exclusivamente religioso da narrativa.
c) a crítica às condições precárias de existência.
d) a valorização da guerra como experiência humana.
e) o afastamento da realidade social.
Na obra, a morte aparece associada às estruturas sociais e econômicas. O estudante deve perceber que morrer cedo, morrer de fome ou morrer pela miséria deixa de ser evento excepcional e se torna parte da crítica social construída pelo autor.
Questão 4
Em morte e vida Severina, obra de João Cabral de Melo Neto, somos apresentados à figura de Severino de Maria. Levando em conta o conjunto da obra, a construção nominal do personagem contribui para
a) apagar referências culturais nordestinas.
b) reforçar a repetição das trajetórias sociais anônimas.
c) individualizar o protagonista.
d) aproximar a obra do romance psicológico.
e) romper com elementos populares.
O uso repetitivo de nomes comuns reforça que Severino poderia ser muitos. O efeito produzido é o apagamento da individualidade dentro de uma estrutura social marcada pela pobreza. O estudante precisa compreender a função simbólica dos nomes.
Questão 5
— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
A repetição de fórmulas discursivas ao longo da obra contribui para
a) criar musicalidade e aproximar a obra da oralidade.
b) afastar a obra da tradição popular.
c) tornar a narrativa objetiva e técnica.
d) eliminar marcas regionais.
e) reduzir o caráter dramático.
A repetição aproxima a obra de formas populares de circulação da palavra, como recitação, teatro popular e tradição oral nordestina. Além disso, produz ritmo e reforça ideias centrais. Muitos estudantes tendem a associar repetição à pobreza vocabular, mas aqui ela possui função estética.
Questão 6
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
A associação entre vida e morte sugere que
a) viver e morrer constituem experiências separadas.
b) a morte aparece como elemento excepcional.
c) as condições sociais tornam a morte parte cotidiana da existência.
d) o retirante teme apenas a seca.
e) a obra trata exclusivamente de religiosidade.
A expressão articula duas dimensões inseparáveis: viver severinamente significa existir em condições tão precárias que a morte se torna presença constante. O estudante deve identificar a fusão entre crítica social e construção poética.
Questão 7
O título da obra de João Cabral de Melo Neto engloba a colocação “Auto de natal”. A classificação da obra como auto aproxima o texto de tradições que privilegiam
a) narrativas científicas.
b) estruturas épicas clássicas.
c) objetividade jornalística.
d) linguagem técnica.
e) elementos populares.
Reconhecer o gênero é importante porque a obra foi concebida para performance, diálogo e dramatização. A presença de elementos religiosos e populares conecta o texto à tradição dos autos, mas com atualização crítica e social.
Questão 8
— Atenção peço, senhores,
para esta breve leitura:
somos ciganas do Egito,
lemos a sorte futura.
Vou dizer todas as coisas
que desde já posso ver
na vida desse menino
acabado de nascer:
aprenderá a engatinhar
por aí, com aratus,
aprenderá a caminhar
na lama, com goiamuns,
e a correr o ensinarão
os anfíbios caranguejos,
pelo que será anfíbio
como a gente daqui mesmo.
Ao final da obra, o nascimento da criança representa
a) a negação dos problemas sociais.
b) a solução definitiva da pobreza.
c) a possibilidade simbólica de esperança.
d) o abandono da crítica social.
e) a valorização exclusiva da religiosidade.
O desfecho não elimina a pobreza nem resolve os conflitos sociais apresentados. O nascimento funciona como símbolo: mesmo em condições adversas, a vida continua produzindo sentido. O estudante precisa evitar leituras excessivamente otimistas ou excessivamente pessimistas e compreender a ambiguidade construída pela obra.
Para praticar mais: Exercícios de literatura para estudar para o ENEM (com questões resolvidas)
LUIS, Rodrigo. Exercícios sobre Morte e Vida Severina (para o ENEM). Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/exercicios-sobre-morte-e-vida-severina-para-o-enem/. Acesso em: