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Exercícios sobre Triste Fim de Policarpo Quaresma (para o ENEM)

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora de Língua Portuguesa e Literatura

Como uma das principais obras do Pré-Modernismo brasileiro, Triste Fim de Policarpo Quaresma apresenta uma visão crítica da sociedade e das instituições políticas do início da República.

Por meio da trajetória de seu protagonista, Lima Barreto questiona o nacionalismo idealizado, as desigualdades sociais e o autoritarismo da época.

Responda às questões a seguir para se preparar para questões do ENEM e dos vestibulares.

Questão 1

“A convicção que sempre tivera de ser o Brasil o primeiro país do mundo e o seu grande amor à pátria eram agora ativos e impeliram-no a grandes cometimentos. Ele sentia dentro de si impulsos imperiosos de agir, de obrar e de concretizar suas idéias. Eram pequenos melhoramentos, simples toques, porque em si mesma (era a sua opinião), a grande pátria do Cruzeiro só precisava de tempo para ser superior à Inglaterra. Tinha todos os climas, todos os frutos, todos os minerais e animais úteis, as melhores terras de cultura, a gente mais valente, mais hospitaleira, mais inteligente e mais doce do mundo - o que precisava mais? Tempo e um pouco de originalidade”. (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

No trecho em que Quaresma afirma que o Brasil só precisava de “tempo e um pouco de originalidade” para superar a Inglaterra, o narrador evidencia:

A) A confiança do protagonista em políticas econômicas sólidas.

B) A percepção realista das potencialidades brasileiras.

C) A crença utópica de que qualidades naturais bastariam para o progresso nacional.

D) A adesão de Quaresma ao positivismo republicano.

E) A crítica ao imperialismo britânico.

Gabarito explicado

Alternativa certa: C) A crença utópica de que qualidades naturais bastariam para o progresso nacional.

O trecho apresenta uma visão extremamente otimista e pouco realista de Quaresma sobre o Brasil. Ele acredita que o país já possui tudo o que precisa para se tornar “superior à Inglaterra”: clima, recursos naturais, terras férteis e um povo naturalmente virtuoso.

Essa perspectiva revela um nacionalismo utópico, baseado na ideia de que qualidades naturais — e não políticas públicas, reformas estruturais ou enfrentamento das desigualdades — seriam suficientes para promover o progresso nacional.

Lima Barreto ironiza essa crença ao mostrar que Quaresma ignora problemas concretos do Brasil da época: concentração de terras, analfabetismo, pobreza, autoritarismo e falta de infraestrutura.

Questão 2

“À proporção que falava, mais Quaresma se entusiasmava. Ele não podia ver bem a fisionomia do ditador, encoberto agora como lhe estava o rosto pelas abas do chapéu de feltro; mas, se a visse, teria de esfriar, pois havia na sua máscara sinais do aborrecimento mais mortal. Aquele falatório de Quaresma, aquele apelo à legislação, a medidas governamentais, iam mover-lhe o pensamento, por mais que não quisesse. O presidente aborrecia-se. Num dado momento, disse: - Mas, pensa você, Quaresma, que eu hei de pôr a enxada na mão de cada um desses vadios?! Não havia exército que chegasse…” (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

No diálogo com Floriano, o entusiasmo de Quaresma contrasta com o aborrecimento do presidente. Esse contraste evidencia:

A) A afinidade ideológica entre ambos.

B) A eficiência administrativa do governo.

C) A distância entre o idealismo patriótico e o pragmatismo autoritário da República Velha.

D) A simpatia do governo pelas reformas sociais.

E) A falta de conhecimento político de Floriano.

Gabarito explicado

Alternativa certa: C) A distância entre o idealismo patriótico e o pragmatismo autoritário da República Velha.

O trecho mostra um contraste marcante entre o entusiasmo de Quaresma e o aborrecimento de Floriano. Enquanto o protagonista acredita que suas propostas patrióticas podem transformar o país, o presidente demonstra impaciência e desprezo. Esse contraste revela o choque entre:

  • o idealismo patriótico de Quaresma, que acredita no poder das reformas e da legislação;
  • o pragmatismo autoritário da República Velha, representado por Floriano, que não demonstra interesse em mudanças estruturais e vê o povo com desconfiança e preconceito.

Lima Barreto usa esse diálogo para criticar tanto o ufanismo ingênuo quanto o autoritarismo elitista do período.

Questão 3

“À proporção que falava, mais Quaresma se entusiasmava. Ele não podia ver bem a fisionomia do ditador, encoberto agora como lhe estava o rosto pelas abas do chapéu de feltro; mas, se a visse, teria de esfriar, pois havia na sua máscara sinais do aborrecimento mais mortal. Aquele falatório de Quaresma, aquele apelo à legislação, a medidas governamentais, iam mover-lhe o pensamento, por mais que não quisesse. O presidente aborrecia-se. Num dado momento, disse: - Mas, pensa você, Quaresma, que eu hei de pôr a enxada na mão de cada um desses vadios?! Não havia exército que chegasse..”. (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

No diálogo em que Floriano afirma que não colocaria “a enxada na mão de cada um desses vadios”, o trecho revela:

A) A preocupação do governo com políticas de inclusão social.

B) A visão elitista e autoritária que culpabilizava o povo pela própria pobreza.

C) A defesa de uma reforma agrária ampla.

D) A simpatia do presidente pelas propostas de Quaresma.

E) A influência do liberalismo econômico.

Gabarito explicado

Alternativa certa: B) A visão elitista e autoritária que culpabilizava o povo pela própria pobreza.

Quando Floriano afirma que não colocaria “a enxada na mão de cada um desses vadios”, ele expressa uma visão profundamente elitista e preconceituosa. Em vez de reconhecer problemas estruturais — como falta de acesso à terra, ausência de políticas públicas e desigualdade —, o presidente culpa o próprio povo pela pobreza.

Essa postura é típica da República Velha, marcada por:

  • concentração de poder nas mãos das oligarquias;
  • desprezo pelas classes populares;
  • políticas autoritárias e repressivas;
  • ausência de projetos sociais amplos.

Questão 4

“Era pois para sustentar tal homem que deixara o sossego de sua casa e se arriscava nas trincheiras? Era, pois, por esse homem que tanta gente morria? Que direito tinha ele de vida e de morte sobre os seus concidadãos, se não se interessava pela sorte deles, pela sua vida feliz e abundante, pelo enriquecimento do país, o progresso de sua lavoura e o bem-estar de sua população rural?” (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

Ao perguntar “que direito tinha ele de vida e de morte sobre os seus concidadãos?”, o narrador:

A) Questiona a legitimidade moral do governo diante de sua indiferença social.

B) Exalta o poder centralizador da República.

C) Justifica o autoritarismo militar.

D) Defende o florianismo.

E) Propõe uma ditadura mais rígida.

Gabarito explicado

Alternativa certa: A) Questiona a legitimidade moral do governo diante de sua indiferença social.

O narrador questiona a legitimidade moral de um governante que detém “vida e morte” sobre seus concidadãos, mas não demonstra qualquer interesse pelo bem-estar deles. Essa crítica é direta e contundente: o governo exerce poder absoluto, mas não cumpre sua função básica de promover condições dignas de vida.

Esse questionamento revela:

  • a denúncia do autoritarismo da República Velha;
  • a crítica à indiferença social do governo;
  • a percepção de que o poder político estava desconectado das necessidades reais da população.
Ainda com dúvidas? Pergunta ao Ajudante IA do Toda Matéria

Questão 5

“Era pois para sustentar tal homem que deixara o sossego de sua casa e se arriscava nas trincheiras? Era, pois, por esse homem que tanta gente morria? Que direito tinha ele de vida e de morte sobre os seus concidadãos, se não se interessava pela sorte deles, pela sua vida feliz e abundante, pelo enriquecimento do país, o progresso de sua lavoura e o bem-estar de sua população rural?” (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

O trecho em que o narrador questiona “que direito tinha ele de vida e de morte sobre os seus concidadãos?” revela uma característica pré‑modernista porque:

A) Exalta o heroísmo militar.

B) Critica diretamente a estrutura política e a violência estatal.

C) Defende o fortalecimento do poder central.

D) Propõe uma visão idealizada da República.

E) Reforça a neutralidade do narrador.

Gabarito explicado

Alternativa certa: B) Critica diretamente a estrutura política e a violência estatal.

O trecho é um exemplo claro de crítica social pré‑modernista. Ao questionar o direito do governante de decidir sobre a vida e a morte dos cidadãos, o narrador denuncia:

  • a violência estatal;
  • o autoritarismo militar;
  • a ausência de políticas públicas;
  • a desconexão entre governo e povo.

O Pré‑Modernismo rompe com a literatura idealizada do século XIX e passa a retratar o Brasil real, com suas injustiças e contradições. Lima Barreto é um dos autores que mais explicitamente expõe essas tensões.

Questão 6

“Essa ideia levou-o a estudar os costumes tupinambás; e, como uma idéia traz outra, logo ampliou o seu propósito e eis a razão por que estava organizando um código de relações, de cumprimentos, de cerimônias domésticas e festas, calcado nos preceitos tupis.
Desde dez dias que se entregava a essa árdua tarefa, quando (era domingo) lhe bateram à porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a chorar, a berrar, a arrancar os cabelos, como se tivesse perdido a mulher ou um filho. A irmã correu lá de dentro, o Anastácio também, e o compadre e a filha, pois eram eles, ficaram estupefatos no limiar da porta.
- Mas que é isso, compadre?
- Que é isso, Policarpo?
- Mas, meu padrinho…
Ele ainda chorou um pouco. Enxugou as lágrimas e, depois, explicou com a maior naturalidade:
- Eis aí! Vocês não têm a mínima noção das cousas da nossa terra. Queriam que eu apertasse a mão. Isto não é nosso! Nosso cumprimento é chorar quando encontramos os amigos, era assim que faziam os tupinambás.
O seu compadre Vicente, a filha e Dona Adelaide entreolharam-se, sem saber o que dizer. O homem estaria doido? Que extravagância!”
(Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

Ao mostrar o espanto dos personagens diante do choro ritual de Quaresma, o narrador utiliza:

A) Linguagem rebuscada para reforçar o tom trágico.

B) Ironia para evidenciar o isolamento do protagonista e a crítica ao nacionalismo delirante.

C) Simbolismo para representar a pureza indígena.

D) Exaltação romântica da cultura tupi.

E) Estrutura épica para engrandecer o gesto de Quaresma.

Gabarito explicado

Alternativa certa: B) Ironia para evidenciar o isolamento do protagonista e a crítica ao nacionalismo delirante.

A cena do choro ritual é construída com forte ironia narrativa. Quaresma, tomado por seu nacionalismo delirante, tenta reviver costumes tupinambás como se fossem a “verdadeira” identidade brasileira. O resultado é o espanto dos personagens, que veem o gesto como absurdo e incompreensível.

A cena não exalta a cultura indígena nem busca reconstruí-la fielmente; ela mostra o descompasso entre o ideal e o real, marca do Pré‑Modernismo.

Questão 7

“Decerto, ele não negaria tais esperanças e a sua ação poderosa havia de se fazer sentir pelos oito milhões de quilômetros quadrados do Brasil, levando-lhes estradas, segurança, proteção aos fracos, assegurando o trabalho e promovendo a riqueza.” (Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto)

No trecho acima, a convicção de Quaresma de que sua “ação poderosa” se estenderia pelos “oito milhões de quilômetros quadrados do Brasil” revela:

A) Uma compreensão realista das dificuldades administrativas da República Velha.

B) Uma visão pragmática de planejamento nacional.

C) Um nacionalismo messiânico que atribui ao indivíduo a capacidade de regenerar o país inteiro.

D) A adesão de Quaresma ao militarismo autoritário.

E) A crítica do narrador ao federalismo brasileiro.

Gabarito explicado

Alternativa certa: C) Um nacionalismo messiânico que atribui ao indivíduo a capacidade de regenerar o país inteiro.

O trecho apresenta Quaresma acreditando que sua “ação poderosa” poderia transformar todo o território nacional, levando progresso, segurança e riqueza aos “oito milhões de quilômetros quadrados do Brasil”. Essa visão atribui ao indivíduo um poder quase sobrenatural de regenerar o país.

Esse pensamento revela:

  • um nacionalismo messiânico, em que o patriota se vê como salvador da pátria;
  • a crença ingênua de que o progresso depende apenas de vontade e patriotismo;
  • a falta de compreensão das estruturas políticas e sociais que impediam o desenvolvimento;
  • a crítica de Lima Barreto ao idealismo exagerado e desconectado da realidade.

O narrador expõe o absurdo dessa crença ao contrastá-la com a realidade dura da República Velha.

Veja também: Exercícios sobre Macunaíma para o ENEM (com gabarito)

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, produz conteúdos educativos desde 2015. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos (habilitação para Ensino Fundamental II e Ensino Médio) e formada no Curso de Magistério (habilitação para Educação Infantil e Ensino Fundamental I).