Figuras de Pensamento

Daniela Diana
Daniela Diana
Professora licenciada em Letras

As Figuras de Pensamento fazem parte de um dos grupos das figuras de linguagem, ao lado das figuras de palavras, das figuras de sintaxe e das figuras de som.

Utilizadas para produzir maior expressividade à comunicação, as figuras de pensamento trabalham com a combinação de ideias, pensamentos.

Gradação ou Clímax

Na gradação os termos da frase são fruto de hierarquia (ordem crescente ou decrescente)

Exemplo: As pessoas chegaram à festa, sentaram, comeram e dançaram.

Neste caso, a gradação vai ao encontro com o clímax, ou seja, o encadeamento dos verbos se faz na ordem crescente, e por isso trata-se de uma gradação crescente: chegaram, sentaram, comeram e dançaram.

Por outro lado, se a gradação é decrescente, é denominada de “anticlímax”, por exemplo:

Estava longe, hoje perto, agora aqui.

Prosopopeia ou Personificação

Consiste na atribuição de ações, sentimentos ou qualidades humanas a objetos, seres irracionais ou outras coisas inanimadas, por exemplo:

O vento suspirou essa manhã.

Nesse exemplo, sabemos que o vento é algo inanimado que não suspira, sendo esta uma “qualidade humana”.

Eufemismo

Atenua o sentido das palavras, suavizando as expressões do discurso, por exemplo:

Ele foi para o céu.

Neste exemplo, a expressão utilizada “para a céu”, ameniza o discurso real: ele morreu.

Hipérbole ou Auxese

A hipérbole é uma figura de linguagem baseada no exagero intencional do locutor, isto é, expressa uma ideia de forma exagerada, por exemplo:

Liguei para ele milhões de vezes essa tarde.

Sabemos que a pessoa tinha o intuito de enfatizar que ligou muitas vezes, entretanto, não chegou a 1 milhão, num pequeno espaço de tempo, ou seja, durante uma tarde.

Litote

Assemelha-se ao eufemismo, uma vez que atenua a ideia do enunciado mediante a negação do contrário, sendo portanto, a figura de linguagem que se opõe à hipérbole, por exemplo:

Aquela bolsa não é cara.

Pela expressão destacada, podemos concluir que o locutor enfatizou que a bolsa é barata, ou seja, a negação do contrário: não é cara.

Antítese

Corresponde à aproximação de palavras contrárias, que têm sentidos opostos, por exemplo:

O ódio e a amor andam de mãos dadas.

Neste caso, o termo “ódio” está utilizado ao lado de seu termo “oposto” na frase: amor.

Paradoxo ou Oxímoro

Diferente da antítese, que opõem palavras, o paradoxo corresponde ao uso de ideias contrárias, aparentemente absurdas, por exemplo:

Esse amor me mata e vida.

Neste caso, o mesmo amor traz alegrias (vida) e tristeza (mata) para a pessoa.

Veja também: Paradoxo

Ironia

Produz um efeito contrário com intenção sarcástica, maliciosa e/ou de crítica, uma vez que as palavras são utilizadas em sentido diverso ou oposto, por exemplo:

Ele é um santinho mesmo!

Dependendo do discurso dos falantes fica claro que a palavra “santinho”, foi utilizada em sentido oposto, ou seja, não tem nada de santo, é malcriado.

Veja também: Ironia e Diferença entre sarcasmo e ironia

Apóstrofe

Caracterizam as expressões de chamamento ou apelo, função que se assemelha ao vocativo, por exemplo:

Ó Deus! Ó Céus! Porque não me ligou?

O chamamento utilizado antes, enfatiza a indignação do locutor com a falta do telefonema.

Veja também: Apóstrofe

Exercício

Identifique as figuras de pensamento no texto abaixo.

Essa relação deixa muito a desejar; a namorada já chorou rios de lágrimas.
Apaixonada, ela fala, explica, têm paciência, mas só a televisão parece que consegue conversar com ele, que não é mau rapaz, mas poderia ser melhor.
“Você está assistindo televisão desde que chegou! Deve estar muito cansado agora…” — diz ela.
Alguém tem paciência para isso?
Às vezes o ama, às vezes não sabe… Antítese da vida, paradoxo do amor.

chorou rios de lágrimas: Hipérbole
fala, explica, têm paciência: Gradação
a televisão parece que consegue conversar: Prosopopeia
não é mau rapaz: Litote
Deve estar muito cansado agora: Ironia
Alguém tem paciência para isso?: Apóstrofe

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Daniela Diana
Daniela Diana
Licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.