Habermas: quem foi, a razão comunicativa e a resposta a Adorno

Érika Rodrigues
Érika Rodrigues
Professora de Filosofia e Sociologia

Jürgen Habermas é o filósofo alemão que propôs uma ideia simples e poderosa: a razão humana não serve apenas para calcular, medir e dominar. Ela serve também para produzir entendimento entre as pessoas. A essa segunda forma de razão, ele deu o nome de razão comunicativa, o conceito central de sua obra e a chave para compreender toda a sua filosofia.

Essa ideia nasceu de uma discordância. Habermas foi assistente de Theodor Adorno em Frankfurt e herdou dele a desconfiança em relação ao mundo moderno. Mas discordou do pessimismo do mestre: para Adorno, a razão havia se transformado em instrumento de dominação e não havia saída visível.

Para Habermas, existia uma saída, e ela estava na própria razão, desde que se percebesse que ela tem duas faces, não uma. Entender esse desacordo é entender por que um debate na seção de comentários de uma rede social pode ser, ao mesmo tempo, o retrato do problema apontado por Adorno e a esperança apontada por Habermas.

Neste conteúdo você encontra:

Quem foi Jürgen Habermas

Jürgen Habermas nasceu em 1929, na Alemanha, e é o principal nome da segunda geração da Teoria Crítica. Entre 1956 e 1959 trabalhou como assistente de Theodor Adorno no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, o mesmo instituto que havia produzido, uma década antes, as análises mais duras já escritas sobre a cultura moderna.

Habermas cresceu na Alemanha nazista e viveu, ainda adolescente, a derrota do regime e a descoberta pública dos campos de concentração. Essa experiência marca sua obra inteira: se um país inteiro pôde aderir a um projeto criminoso, então a pergunta filosófica urgente não é apenas "o que é verdadeiro?", mas "como uma sociedade decide coletivamente o que é justo sem que a decisão seja imposta por quem tem mais poder?". A resposta que ele construiu ao longo de cinco décadas está em obras como Mudança Estrutural da Esfera Pública (1962) e Teoria do Agir Comunicativo (1981).

Além da razão comunicativa, destacam-se em sua obra conceitos como ação comunicativa, esfera pública, mundo da vida e sistema, fundamentais para compreender sua análise da sociedade contemporânea.

Para situar Habermas no grupo de pensadores de que ele faz parte, vale conhecer a história do instituto onde ele começou: leia o panorama completo da Escola de Frankfurt.

O diagnóstico de Adorno: a razão que virou instrumento

Para entender Habermas, é preciso primeiro entender o que ele encontrou quando chegou a Frankfurt. Em Dialética do Esclarecimento (1947), Adorno e Max Horkheimer partiram de uma constatação incômoda: o Iluminismo prometeu libertar a humanidade pelo uso da razão, e o século XX terminou em guerras industriais e campos de extermínio organizados com eficiência técnica.

A explicação dos dois autores é que a razão moderna se reduziu a uma única dimensão, que eles chamam de razão instrumental. Razão instrumental é o pensamento que calcula os melhores meios para atingir um fim, sem nunca questionar se o fim vale a pena. É a razão que pergunta "como faço isso mais rápido e mais barato?" e nunca "isso deveria ser feito?".

Essa razão foi extraordinariamente eficaz para dominar a natureza — deu-nos a vacina e o avião. Mas, segundo Adorno e Horkheimer, ela se voltou também contra as pessoas: o mesmo cálculo que otimiza uma fábrica otimiza uma máquina de guerra e uma máquina de entretenimento. Daí nasce o conceito de indústria cultural, a produção da cultura em escala industrial, que entrega ao público o que ele já espera receber e desestimula qualquer pensamento próprio.

O conceito é a peça mais cobrada da Escola de Frankfurt nas provas: se você ainda não domina os mecanismos da indústria cultural, vale estudar esse conteúdo antes de seguir.

A virada de Habermas: a razão que busca entendimento

Habermas aceitou o diagnóstico, mas recusou a conclusão. Seu argumento é o seguinte: se a razão é apenas dominação, então a própria crítica de Adorno — que é um exercício de razão — também seria dominação. A crítica se destruiria a si mesma. Habermas viu aí um beco sem saída e propôs uma correção decisiva.

O erro, para ele, não está na razão, mas em confundi-la com uma de suas partes. Habermas distingue dois tipos de ação:

Ação instrumental (ou estratégica): orientada ao êxito. Eu trato o outro como um meio para conseguir o que quero. Um vendedor que usa uma técnica de persuasão para fechar a venda age assim.

Ação comunicativa: orientada ao entendimento. Eu apresento razões e me disponho a mudar de posição se as razões do outro forem melhores. Dois colegas que discutem qual é a melhor solução para um trabalho em grupo, e chegam juntos a uma terceira ideia que nenhum dos dois tinha, agem assim.

Essa distinção é fundamental para compreender a crítica de Habermas à sociedade contemporânea: enquanto a ação estratégica busca alcançar determinado resultado, a ação comunicativa busca o entendimento entre os participantes por meio do diálogo e da argumentação.

A razão comunicativa é a racionalidade que opera nesse segundo tipo de ação. Ela não é um ideal inventado por Habermas: é uma capacidade que já está embutida na linguagem.

Toda vez que você afirma algo a alguém, você está implicitamente prometendo três coisas — que o que diz é verdadeiro, que você tem o direito de dizê-lo naquela situação e que está sendo sincero. Habermas chama essas promessas de pretensões de validade. Quando alguém as contesta, a conversa se transforma em argumentação. E argumentar já é usar a razão de um modo que não é dominação.

A situação ideal de fala

Para descrever quando um acordo é legítimo, Habermas formula a situação ideal de fala: uma conversa em que todos os afetados podem participar, todos podem questionar qualquer afirmação, ninguém é coagido e vence a força do melhor argumento, não a posição de quem fala.

O conceito está diretamente relacionado à ideia de democracia deliberativa, na qual as decisões coletivas devem ser construídas por meio da participação e da argumentação pública.

Essa situação quase nunca existe na prática — e Habermas sabe disso. Ela funciona como uma régua. Diante de qualquer decisão coletiva, ela permite perguntar: quem ficou de fora? quem não pôde discordar sem sofrer consequências? o acordo se sustentaria se todos tivessem falado em igualdade de condições? Uma decisão que não passa nesse teste pode ser eficaz, mas não é legítima.

Mundo da vida e sistema

Habermas divide a sociedade em duas esferas. O mundo da vida é o espaço das relações que se organizam pela linguagem e pelo entendimento: a família, a amizade, a escola, a vizinhança, a associação de bairro. O sistema é o espaço que se organiza por dois mecanismos impessoais — o dinheiro, na economia, e o poder, na burocracia estatal.

O problema que ele identifica na sociedade contemporânea é a colonização do mundo da vida: quando a lógica do dinheiro e do poder invade espaços que deveriam funcionar pelo diálogo. Uma escola que passa a tratar alunos como clientes e professores como produtores de resultado está sendo colonizada nesse sentido. A relação continua existindo, mas deixou de se organizar pelo entendimento.

Onde Adorno e Habermas se separam

Os dois filósofos partem do mesmo ponto e chegam a lugares diferentes. Compare:

Diagrama comparando razão instrumental e razão comunicativa: a pergunta que cada uma faz, como trata o outro e o critério de sucesso

  • Diagnóstico da modernidade. Adorno: o Iluminismo fracassou e se converteu em seu contrário. Habermas: a modernidade é um projeto inacabado — ela produziu a razão instrumental, mas produziu também o direito, a democracia e a esfera pública.
  • O que é a razão. Adorno: tornou-se essencialmente instrumento de dominação. Habermas: tem duas dimensões, e a instrumental é apenas uma delas.
  • Há saída? Adorno: não há caminho claro; resta a crítica e a arte como resistência. Habermas: sim, pelo fortalecimento dos espaços de argumentação pública.
  • Papel do sujeito. Adorno: o indivíduo é sobretudo capturado pela indústria cultural. Habermas: o indivíduo é um participante capaz de dar e cobrar razões.
  • Obra de referência. Adorno: Dialética do Esclarecimento (1947). Habermas: Teoria do Agir Comunicativo (1981).

Um ponto costuma confundir os estudantes: Habermas não abandona a Teoria Crítica nem defende a sociedade capitalista. Ele continua crítico — apenas troca o fundamento da crítica. Em vez de criticar a modernidade a partir de fora, critica-a a partir de uma promessa que ela própria fez e não cumpriu.

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Esfera pública: o conceito que Habermas trouxe

Esfera pública é o espaço social em que pessoas privadas se reúnem para discutir publicamente assuntos de interesse comum, formando uma opinião capaz de pressionar o poder político. Não é o Estado nem o mercado: é o que fica entre os dois.

Em Mudança Estrutural da Esfera Pública, Habermas reconstrói o surgimento desse espaço na Europa dos séculos XVIII e XIX. Nos cafés de Londres, nos salões de Paris e nas primeiras gazetas, uma burguesia letrada começou a debater decisões que antes eram privilégio da corte. O princípio implícito era o da razão comunicativa: no café, em teoria, valia o argumento e não o título de nobreza.

Para Habermas, a esfera pública está relacionada à formação da opinião pública e à participação dos cidadãos no debate sobre questões de interesse coletivo.

Mas o livro não é uma celebração. Habermas descreve em seguida o que chama de refeudalização da esfera pública: com o crescimento da imprensa comercial, da publicidade e depois dos meios de massa, o espaço de debate se converteu em espaço de consumo. O público que discutia passou a ser um público que assiste, e a opinião pública passou a ser algo produzido para ele em vez de produzido por ele. Aqui Habermas e Adorno voltam a se aproximar.

Adorno e Habermas nas redes sociais de hoje

As redes sociais são o melhor laboratório atual para testar as duas teorias — e o mais interessante é que cada uma acerta em uma metade.

A leitura de Adorno se aplica ao algoritmo. Um sistema de recomendação é razão instrumental em estado puro: ele calcula com enorme eficiência os meios de manter você na tela pelo maior tempo possível, e essa é a única pergunta que ele faz. Se o conteúdo que prende mais atenção é o que provoca indignação, é esse que será entregue. O algoritmo não avalia se vale a pena — apenas otimiza. É a indústria cultural com um grau de personalização que Adorno não chegou a imaginar.

A leitura de Habermas se aplica ao que os usuários fazem dentro desse ambiente. Cada vez que alguém pede a fonte de uma informação, corrige um dado ou muda de opinião publicamente depois de um argumento, está em ação comunicativa.

As redes criaram um espaço em que qualquer pessoa pode contestar uma afirmação — algo que a televisão nunca permitiu. Só que o fizeram sob condições que violam quase todos os requisitos da situação ideal de fala: a visibilidade é desigual, o formato premia a frase de efeito sobre o argumento longo e a desinformação circula mais rápido que a correção.

Nesse contexto, as redes sociais podem ser analisadas tanto a partir da crítica de Adorno à indústria cultural quanto da proposta de Habermas de uma comunicação baseada no diálogo, na argumentação e na busca pelo entendimento.

É por isso que Habermas continua atual sem ser otimista: o problema das redes, na chave dele, não é a existência do debate, é a deformação das condições em que ele acontece. Um exemplo direto dessa deformação é a circulação de notícias falsas.

Como Habermas cai no ENEM

Habermas raramente aparece em questões de biografia. O padrão é um fragmento de texto — dele ou sobre ele — seguido de uma pergunta sobre democracia, participação política, papel da mídia ou legitimidade das decisões coletivas. As palavras-chave que sinalizam Habermas numa alternativa são "entendimento", "diálogo", "argumentação", "consenso" e "esfera pública".

O contraste com Adorno também é cobrado: quando o fragmento fala de manipulação, padronização e passividade do público, o autor esperado é Adorno; quando fala de acordo construído pela argumentação entre iguais, é Habermas.

Também é importante relacionar Habermas a temas como democracia, cidadania, participação política, opinião pública, mídia e comunicação.

Principais pontos para estudar para a sua prova

1. Habermas é o principal filósofo da segunda geração da Escola de Frankfurt e foi assistente de Adorno.

2. Razão instrumental (Adorno e Horkheimer) calcula meios para fins sem questionar os fins; razão comunicativa (Habermas) busca entendimento pela argumentação.

3. Ação instrumental é orientada ao êxito; ação comunicativa é orientada ao entendimento.

4. Na situação ideal de fala, todos participam, ninguém é coagido e vence a força do melhor argumento.

5. Esfera pública é o espaço entre Estado e mercado onde pessoas privadas debatem assuntos comuns; surge nos cafés e na imprensa do século XVIII e sofre refeudalização com a mídia de massa.

6. A colonização do mundo da vida ocorre quando a lógica do dinheiro e do poder invade espaços que deveriam funcionar pelo diálogo.

7. Para Habermas, a modernidade é um projeto inacabado, não um fracasso.

Erros mais comuns nas provas

Dizer que Habermas rompeu com a Teoria Crítica. Ele a continua; o que muda é o fundamento da crítica, não a intenção crítica.

Tratar a situação ideal de fala como uma descrição da realidade. É um critério para avaliar decisões, não um retrato de como as conversas acontecem.

Confundir consenso com unanimidade ou com concordância imposta. Em Habermas, só há consenso legítimo onde houve liberdade para discordar.

Atribuir a Habermas o conceito de indústria cultural. É de Adorno e Horkheimer.

Achar que "esfera pública" é o mesmo que "setor público" ou "Estado". É justamente o espaço fora do Estado e fora do mercado.

Perguntas frequentes

O que é razão comunicativa?

Razão comunicativa é a capacidade humana de chegar a acordos por meio de argumentos, e não por imposição. Para Habermas, ela está embutida na própria linguagem: quem afirma algo assume o compromisso de justificar o que disse caso seja questionado. Ela se opõe à razão instrumental, que apenas calcula meios eficientes para atingir fins.

Qual a diferença entre razão instrumental e razão comunicativa?

A razão instrumental pergunta "qual é o meio mais eficiente?" e trata o outro como recurso para atingir um objetivo. A razão comunicativa pergunta "quais são as melhores razões?" e trata o outro como participante de uma discussão. As duas são formas legítimas de racionalidade; o problema, segundo Habermas, é quando a primeira ocupa todo o espaço.

O que é esfera pública para Habermas?

É o espaço social situado entre o Estado e o mercado no qual pessoas privadas se reúnem para debater publicamente questões de interesse comum, formando uma opinião capaz de pressionar o poder político. Habermas mostra que ela surgiu nos cafés, salões e jornais do século XVIII e que depois foi enfraquecida pela mídia de massa e pela publicidade.

Por que Habermas discordou de Adorno?

Porque considerou que o diagnóstico de Adorno levava a um beco sem saída: se toda razão é dominação, a própria crítica de Adorno se autodestrói. Habermas propôs que a razão tem duas dimensões e que a modernidade, além da razão instrumental, também produziu instituições de diálogo — por isso a chamou de projeto inacabado, e não de fracasso.

Habermas faz parte da Escola de Frankfurt?

Sim. Habermas é considerado o principal representante da segunda geração da Escola de Frankfurt, tendo trabalhado como assistente de Adorno no Instituto de Pesquisa Social entre 1956 e 1959.

Exercícios

1. Em sua distinção entre tipos de ação, Habermas caracteriza a ação comunicativa como aquela que é orientada:

a) ao êxito, tratando os demais participantes como meios para atingir um objetivo previamente definido.

b) ao entendimento, buscando um acordo sustentado por argumentos que todos os participantes possam aceitar.

c) à tradição, reproduzindo comportamentos herdados sem submetê-los a exame.

d) ao lucro, subordinando a interação às regras de funcionamento do mercado.

e) à obediência, garantindo a estabilidade social pela aceitação da autoridade.

Gabarito explicado

Alternativa correta: b) ao entendimento, buscando um acordo sustentado por argumentos que todos os participantes possam aceitar.

Habermas separa a ação em dois tipos conforme a sua orientação. A ação instrumental ou estratégica é orientada ao êxito: o outro entra na relação como meio para que eu obtenha o resultado que já quero. A ação comunicativa é orientada ao entendimento: os participantes apresentam razões e se dispõem a rever a própria posição diante de um argumento melhor. O critério de sucesso, aqui, não é conseguir o que se queria, mas alcançar um acordo que se sustente pela força do melhor argumento.

O distrator mais tentador é a alternativa "a", que descreve corretamente um tipo de ação em Habermas — só que o tipo errado. Quem confunde as duas orientações troca exatamente essas duas alternativas.

2. Um sistema de recomendação de uma rede social identifica que publicações capazes de provocar indignação retêm os usuários por mais tempo na plataforma e passa a priorizá-las na exibição. Nenhuma avaliação é feita sobre a qualidade ou a relevância desses conteúdos: a única variável considerada é o tempo de permanência.

O funcionamento descrito ilustra o conceito de:

a) razão comunicativa, pois amplia a circulação de conteúdos entre os usuários.

b) esfera pública burguesa, pois permite que qualquer pessoa se manifeste publicamente.

c) razão instrumental, pois calcula com eficiência os meios para atingir um fim sem questionar esse fim.

d) situação ideal de fala, pois todos os usuários têm acesso ao mesmo espaço de publicação.

e) solidariedade orgânica, pois articula funções especializadas em um mesmo sistema.

Gabarito explicado

Alternativa correta: c) razão instrumental, pois calcula com eficiência os meios para atingir um fim sem questionar esse fim.

A razão instrumental, tal como Adorno e Horkheimer a definem e Habermas a reconhece como uma das dimensões da racionalidade, é o pensamento que se ocupa apenas dos meios. O algoritmo do enunciado é um exemplo exato: ele resolve com grande eficiência o problema "como manter o usuário na tela" e em nenhum momento formula a pergunta "vale a pena manter o usuário na tela dessa maneira?". A finalidade está dada de antemão e fica fora de discussão — é isso que caracteriza a razão instrumental, e não a mera existência de um cálculo.

O erro que leva à alternativa "d" é supor que acesso igual à publicação equivale à situação ideal de fala. Para Habermas, ela exige também ausência de coação e visibilidade em condições de igualdade — o que um algoritmo que hierarquiza conteúdos justamente impede.

3. Ao afirmar que a modernidade é um "projeto inacabado", Habermas se distancia de Adorno porque sustenta que:

a) o Iluminismo nunca chegou a produzir efeitos concretos sobre as sociedades europeias.

b) a crítica à sociedade moderna deve ser abandonada em favor da descrição neutra dos fatos.

c) a razão foi integralmente convertida em instrumento de dominação, restando apenas a arte como resistência.

d) além da razão instrumental, a modernidade produziu instituições de diálogo cujo potencial ainda não se realizou.

e) o progresso técnico é suficiente para garantir a emancipação social ao longo do tempo.

Gabarito explicado

Alternativa correta: d) além da razão instrumental, a modernidade produziu instituições de diálogo cujo potencial ainda não se realizou.

A expressão "projeto inacabado" resume a correção que Habermas faz ao diagnóstico da primeira geração de Frankfurt. Ele não nega que a modernidade tenha produzido a razão instrumental e as catástrofes do século XX. O que acrescenta é que ela produziu simultaneamente o direito, a democracia e a esfera pública — arranjos que funcionam pela argumentação e cujas promessas não foram cumpridas. Por isso o problema não é abandonar a modernidade, mas cobrar dela o que ela mesma prometeu. É uma crítica feita de dentro, com os critérios que a própria modernidade forneceu.

A alternativa "c" descreve a posição de Adorno, e não a de Habermas — é o distrator que mais captura quem estudou os dois autores sem separar as teses.

Para treinar o tema no contexto de toda a Teoria Crítica, resolva a lista de exercícios sobre a Escola de Frankfurt. E se você está montando a revisão de filosofia para o ENEM, comece pelo panorama do período em que Habermas se insere no artigo sobre filosofia contemporânea.

Referências Bibliográficas

ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. São Paulo: Editora UNESP, 2014.

HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo: racionalidade da ação e racionalização social. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. v. 1.

HABERMAS, Jürgen. Teoria do agir comunicativo: sobre a crítica da razão funcionalista. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. v. 2.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da modernidade: doze lições. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

REPA, Luiz. Jürgen Habermas e o modelo reconstrutivo de teoria crítica. São Paulo: Editora UNESP, 2020.

Érika Rodrigues
Érika Rodrigues
Professora de Filosofia, licenciada e com experiência na rede pública do Estado de São Paulo. Atua na educação básica há mais de 5 anos, com foco em práticas críticas e formação cidadã.

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