Hino da Proclamação da República


O Hino da Proclamação da República foi uma das iniciativas do novo regime composto para ser o Hino Nacional brasileiro com o intuito de criar símbolos da nova identidade republicana para a nação brasileira. Foi escrito em linguagem rebuscada e ufanista, contudo, caiu no ostracismo e raramente é utilizado nas solenidades oficiais.

Por conseguinte, com a Proclamação da República em 1890, o governo provisório abre um concurso para eleger a versão oficial do Hino Nacional, o qual, por sua vez, é realizado em 20 de janeiro do mesmo ano, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Os vencedores foram José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, autor da letra, e Leopoldo Miguez, compositor dos arranjos musicais. A vitória foi publicada no Diário Oficial de 21 de janeiro de 1890, contudo, para espanto geral, não foi utilizada para representar o hino mor da nação, sendo considerado o Hino da Proclamação da República pelo Decreto n° 171, assinado pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 20 de janeiro de 1890.

Autores do Hino

O autor do hino e principal nome da composição, José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque (1867-1934), teve uma educação muito privilegiada; ainda jovem, foi discípulo de Sílvio Romero e concluiu seus estudos na Escola Acadêmica de Lisboa.

Com efeito, foi professor, jornalista, político, contista, poeta, romancista, dramaturgo, dentre outros. Nasceu em Recife-PE, no dia 4 de setembro de 1867, e morreu no Rio de Janeiro/RJ, em 9 de junho de 1934.

Fez parte do grupo republicano que antecedeu a Proclamação da República e, após a instauração do novo regime, foi indicado a cargos públicos e administrativos do novo governo.

Por sua vez, Leopoldo Miguez (1850-1902) foi um músico renomado em sua época, tendo concluído seus estudos musicais na Europa, o que lhe tornou um artista de formação erudita. Em 1889, foi nomeado diretor e professor do Instituto Nacional de Música.

Para saber mais: Brasil República e Proclamação da República

Letra

Seja um pálio de luz desdobrado.

Sob a larga amplidão destes céus

Este canto rebel que o passado

Vem remir dos mais torpes labéus!

Seja um hino de glória que fale

De esperança, de um novo porvir!

Com visões de triunfos embale

Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País...

Hoje o rubro lampejo da aurora

Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro

Saberemos, unidos, levar

Nosso augusto estandarte que, puro,

Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes

Haja sangue em nosso pendão,

Sangue vivo do herói Tiradentes

Batizou este audaz pavilhão!

Mensageiros de paz, paz queremos,

É de amor nossa força e poder

Mas da guerra nos transes supremos

Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado

Seja um grito soberbo de fé!

O Brasil já surgiu libertado,

Sobre as púrpuras régias de pé.

Eia, pois, brasileiros avante!

Verdes louros colhamos louçãos!

Seja o nosso País triunfante,

Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz!

Curiosidade

  • No ano de 1989, o refrão do Hino da Proclamação da República foi utilizado pela escola de samba Imperatriz Leopoldinense, celebrizando o verso “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.