Hino da Proclamação da República

Juliana Bezerra

O Hino da Proclamação da República tem letra de José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque e música do maestro Leopoldo Miguez.

Letra do Hino da Proclamação da República

Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Vídeo do Hino de Proclamação da República

Origem do Hino da Proclamação da República

Após a proclamação da República, o governo queria mudar vários símbolos e propôs um concurso para escolher o novo hino nacional. No entanto, diante das resistências, Marechal Deodoro optou por adotar o novo hino como da República e manter o antigo como hino nacional.

A fim de criar símbolos da nova identidade republicana, o governo provisório abre um concurso para eleger a versão oficial do Hino Nacional. Este é realizado em 20 de janeiro do mesmo ano, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Os vencedores foram José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, autor da letra, e Leopoldo Miguez, compositor. Esta foi escrita em linguagem rebuscada e ufanista e nem a letra, nem a melodia, conquistaram os militares e a população.

Hino da Proclamação da  República

Apesar de terem ganho o concurso, a música de Leopoldo Miguez e a letra de Medeiros e Albuquerque, não foi utilizada para representar a nação. Os militares e a população sentiam-se identificados pela melodia do antigo hino nacional, que era entoada desde 1822.

Sendo assim, a música e a poesia foram aproveitadas para ser o Hino da Proclamação da República, através do Decreto n° 171, assinado pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 20 de janeiro de 1890.

Contudo, caiu no esquecimento e raramente é utilizado nas solenidades oficiais.

Autores do Hino da Proclamação da República

O autor da letra do hino foi José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque (1867-1934). Ele nasceu em Recife (PE), no dia 4 de setembro de 1867.

José Joaquim teve uma educação privilegiada, sendo aluno do historiador Sílvio Romero, e concluiu seus estudos na Escola Acadêmica de Lisboa.

Foi professor, jornalista, político, contista, poeta, romancista, dramaturgo, dentre outros. Fez parte do grupo republicano que antecedeu a Proclamação da República e, após a instauração do novo regime, foi indicado a cargos públicos e administrativos do novo governo.

José Joaquim de Campos faleceu no Rio de Janeiro/RJ, em 9 de junho de 1934.

Por sua vez, Leopoldo Miguez (1850-1902) foi um músico renomado em sua época, tendo concluído seus estudos musicais na Europa.

Natural de Niterói (RJ), compôs sinfonias, música de câmara e vocal. Em 1889, foi nomeado diretor e professor do Instituto Nacional de Música.

Curiosidade sobre o Hino da Proclamação da República

No ano de 1989, o refrão do Hino da Proclamação da República foi utilizado pela escola de samba Imperatriz Leopoldinense, no seu samba-enredo. A partir daí, os versos “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós” ficaram célebres.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.