Industrialização no Brasil

Juliana Bezerra

A industrialização no Brasil foi historicamente tardia ou retardatária. Enquanto na Europa se desenvolvia a Primeira Revolução Industrial, o Brasil vivia sob o regime de economia colonial.

Resumo

A metrópole portuguesa proibia o desenvolvimento da manufatura e da indústria, especialmente por dois motivos:

  • os produtos iriam concorrer com o comércio do reino;
  • a colônia poderia se tornar independente, o que não interessava à metrópole.

Em 1808, com a vinda da família real para o Brasil, o regente D. João tomou algumas medidas que favoreceram o desenvolvimento industrial, entre elas:

  • a extinção da lei que proibia a instalação de indústrias de tecidos na colônia;
  • liberação da importação de matéria prima para abastecer as fábricas, sem a cobrança da taxa de importação.

Essas medidas não surtiram o efeito esperado, pois o mercado interno ainda era pequeno.

Estados e governos estavam ligados a pessoas que desenvolviam atividades agropecuárias exportadoras e a preocupação era expandir a produção de café, de onde provinha a riqueza e o poder.

Dessa forma o Brasil chegou ao fim do século XIX sem completar sua primeira Revolução Industrial, que só ocorreu em 1930, cem anos depois da que ocorreu na Inglaterra.

Fatores da Industrialização no Brasil

Industrialização no Brasil

Vários fatores contribuíram para o processo de industrialização no Brasil:

  • a exportação de café gerou lucros que permitiram o investimento na indústria;
  • os imigrantes estrangeiros traziam consigo as técnicas de fabricação de diversos produtos;
  • a formação de uma classe média urbana consumidora, estimulou a criação de indústrias;
  • a dificuldade de importação de produtos industrializados durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estimulou a indústria.

A passagem de uma sociedade operária para uma urbano industrial, mudou a paisagem de algumas cidades brasileiras, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro.

A Indústria e Getúlio Vargas

O primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945) foi decisivo para a industrialização brasileira.

Ele conseguiu tecnologia e financiamento dos Estados Unidos para a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, Rio de Janeiro, que só começou a produzir em 1947.

Outras usinas foram implantadas posteriormente, abrindo novos caminhos para a industrialização.

De 1930 a 1955 se desenvolveu setores da indústrias de bens de consumo não duráveis (calçados, roupas, alimentos etc.) e duráveis (móveis, automóveis, etc.).

Entre os anos de 1956 a 1980 ocorreu a implantação de setores mais diversificados de bens intermediários (autopeças para montadoras).

Polos Tecnológicos do Brasil

No Brasil, um dos principais polos tecnológicos começou a se formar no início da década de 50, no município de São José dos Campos, onde foi instalado o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

Na década seguinte, instalou-se o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pela construção de satélites espaciais.

O Porto Digital, criado em 2002, com investimentos do Governo do Estado de Pernambuco, de empresas privadas do setor de TI e de universidades locais, abriga centenas de empresas do ramo de tecnológico. Todas são voltadas para o desenvolvimento de software para gestão empresarial, soluções para o mercado financeiro, para a área de saúde, etc.

No local estão instaladas a Microsoft, IBM, Sansung, Motorola entre outras. Foi reconhecido pela A. T. Kearney como o maior polo tecnológico do Brasil.

Nas universidades brasileiras formaram-se também centros de pesquisa ou polos tecnológicos em vários ramos do conhecimento.

Além desse, vários outros foram sendo criados, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto Adolfo Lutz, A Fundação Oswaldo Cruz etc.

Percebe-se no Brasil uma concentração da atividade industrial na Região Sudeste. Após a Segunda Guerra Mundial, o crescimento industrial de São Paulo ocorreu no chamado ABCD paulista (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema), tendo como base a indústria automobilística estrangeira, durante o governo de Juscelino Kubitschek.

Durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, a existência de programas de industrialização expandiu a industrialização para as regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste.

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Juliana Bezerra
Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.