Informatividade: o que é, graus e relação com o senso comum
A informatividade é um dos fatores de textualidade e está relacionada à quantidade de informações novas, relevantes ou inesperadas que um texto apresenta ao leitor. Quanto mais previsíveis forem as informações, menor tende a ser seu grau de informatividade.
O senso comum, por sua vez, corresponde a conhecimentos, crenças e ideias compartilhados socialmente, construídos principalmente a partir das experiências cotidianas. Ele ajuda as pessoas a interpretar o mundo, mas nem sempre se baseia em investigação sistemática ou comprovação científica.
Na produção textual, a informatividade está relacionada à capacidade de apresentar conteúdos que acrescentem algo ao conhecimento do leitor. Já o uso exclusivo de ideias do senso comum pode tornar um texto repetitivo e previsível.
Neste conteúdo você encontra:
- Por que o senso comum reduz a informatividade
- Como aumentar a informatividade sem perder clareza
- Informatividade na redação do ENEM
- Perguntas frequentes
- Exercícios
Graus de informatividade
A informatividade pode apresentar diferentes graus, dependendo da novidade, da previsibilidade e da relevância das informações para determinado leitor.
Observe os exemplos:
- Baixa informatividade: “A educação é muito importante para a sociedade.”
- Maior informatividade: “A oferta de bibliotecas escolares pode ampliar as oportunidades de leitura, especialmente entre estudantes que têm pouco acesso a livros fora da escola.”
A primeira frase apresenta uma ideia ampla e conhecida. A segunda acrescenta uma relação mais específica entre o acesso a bibliotecas e as oportunidades de leitura. Entretanto, essa relação precisaria ser fundamentada caso fosse utilizada como argumento em uma redação.
Na abordagem da linguística textual, costuma-se distinguir três graus de informatividade.
Baixo grau de informatividade
Ocorre quando o texto apresenta informações muito previsíveis, conhecidas ou repetitivas, acrescentando pouco ao conhecimento do leitor.
Exemplo: “A leitura é importante porque ler faz bem e traz muitos benefícios.”
A frase apresenta uma avaliação genérica, sem explicar quais benefícios a leitura proporciona ou em quais situações eles podem ser observados.
Médio grau de informatividade
Ocorre quando o texto combina informações familiares com elementos novos, oferecendo ao leitor conhecimentos que podem ser compreendidos a partir do contexto.
Exemplo: “A leitura frequente permite o contato com diferentes formas de organização textual, o que pode contribuir para o desenvolvimento da escrita.”
Nesse caso, a informação é mais específica e estabelece uma relação entre a prática da leitura e a produção escrita.
Alto grau de informatividade
Ocorre quando o texto apresenta informações pouco previsíveis, especializadas ou inesperadas, exigindo maior esforço de interpretação.
Exemplo: “Na análise de textos, a progressão temática permite observar como informações já introduzidas se articulam a novos conteúdos ao longo dos enunciados.”
A frase utiliza conceitos mais especializados, que podem ser desconhecidos de leitores sem familiaridade com os estudos linguísticos.
É importante destacar que um texto com alto grau de informatividade não é necessariamente melhor. O excesso de informações desconhecidas, sem explicações suficientes, pode dificultar a compreensão.
|
Grau |
Característica principal |
Efeito possível no leitor |
|---|---|---|
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Baixo |
Predomínio de informações previsíveis. |
Facilidade de compreensão, mas pouca novidade. |
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Médio |
Equilíbrio entre informações conhecidas e novas. |
Favorece a compreensão e a ampliação de conhecimentos. |
|
Alto |
Predomínio de informações inesperadas ou especializadas. |
Pode ampliar conhecimentos, mas exigir maior esforço de interpretação. |
O grau de informatividade também depende do repertório do público. Uma informação considerada nova por um estudante pode ser familiar para um especialista no assunto.
Por que o senso comum reduz a informatividade
O senso comum reúne conhecimentos e interpretações compartilhados pelas pessoas em suas experiências cotidianas.
Por serem amplamente conhecidos, esses conhecimentos podem contribuir para a compreensão de um texto. Entretanto, quando uma redação se limita a repetir afirmações genéricas do senso comum, tende a apresentar baixo grau de informatividade.
Considere a frase:
“A tecnologia está presente na vida de todos e pode ser boa ou ruim.”
Embora seja compreensível, a afirmação apresenta uma ideia ampla, sem desenvolver aspectos específicos do tema.
Uma abordagem mais informativa seria:
“O uso de plataformas digitais na educação amplia as possibilidades de acesso a materiais de estudo, mas também exige atenção às desigualdades de acesso à internet e aos equipamentos.”
A segunda formulação delimita o assunto e apresenta duas dimensões que podem ser desenvolvidas por meio de argumentos e evidências.
Isso não significa que o senso comum seja sempre incorreto ou que deva ser eliminado da escrita. Conhecimentos compartilhados podem servir como ponto de partida para uma discussão. O problema surge quando substituem a análise e a fundamentação.
Expressões como “todos sabem que”, “desde os tempos antigos” e “a sociedade precisa se conscientizar” podem indicar generalizações, especialmente quando aparecem sem explicações ou exemplos concretos.
Para desenvolver uma argumentação consistente, é necessário ultrapassar essas afirmações e demonstrar como, por que e em quais circunstâncias determinado problema ocorre.
Como aumentar a informatividade sem perder clareza
Aumentar a informatividade não significa escrever frases difíceis nem acumular dados. O objetivo é oferecer informações relevantes, organizadas e compreensíveis.
Algumas estratégias ajudam nesse processo:
- Delimitar o assunto: substituir afirmações muito amplas por aspectos específicos do tema.
- Explicar relações de causa e consequência: demonstrar por que uma situação acontece e quais efeitos pode produzir.
- Utilizar exemplos pertinentes: apresentar situações concretas que esclareçam a ideia desenvolvida.
- Incorporar informações verificáveis: recorrer a dados, pesquisas, documentos e outras fontes confiáveis, quando necessário.
- Contextualizar conceitos: explicar termos técnicos ou informações que o leitor talvez desconheça.
- Evitar repetições desnecessárias: fazer com que cada período contribua para o desenvolvimento do assunto.
Veja uma comparação:
Texto pouco informativo:
“A alimentação saudável é importante para as pessoas. Todos precisam comer bem para ter uma vida melhor.”
Texto mais informativo:
“Uma alimentação equilibrada envolve variedade de alimentos e adequação às necessidades nutricionais de cada pessoa. Por isso, a qualidade da alimentação não depende apenas da quantidade consumida, mas também da composição das refeições.”
A segunda versão apresenta informações mais específicas e desenvolve o tema com maior precisão.
A clareza, porém, continua sendo essencial. Um texto informativo precisa estabelecer relações compreensíveis entre as ideias, evitando termos técnicos desnecessários e informações desconectadas.
Informatividade na redação do ENEM
Na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a informatividade contribui para o desenvolvimento de argumentos e para a construção de uma discussão consistente sobre o tema proposto.
Embora a informatividade não constitua uma competência independente da matriz de avaliação, ela se relaciona especialmente com a Competência II, que considera a compreensão da proposta e a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento, e com a Competência III, relacionada à seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Por exemplo, diante de um tema relacionado à mobilidade urbana, o estudante poderia escrever:
Argumentação genérica:
“O trânsito é um problema muito grande e as autoridades precisam fazer alguma coisa.”
Argumentação mais informativa:
“A dificuldade de deslocamento nas cidades não se limita aos congestionamentos. A distribuição desigual das opções de transporte também pode comprometer o acesso da população ao trabalho, à educação e aos serviços públicos.”
A segunda formulação delimita melhor o problema e apresenta relações que podem ser desenvolvidas ao longo da argumentação.
Para aumentar a informatividade na redação do ENEM, o participante pode utilizar conhecimentos históricos, conceitos sociológicos, informações científicas, referências culturais e exemplos pertinentes ao tema.
Entretanto, não basta mencionar uma obra, um pensador ou uma pesquisa. É necessário explicar a relação dessa referência com o argumento defendido.
Além disso, informações específicas, como percentuais, datas e resultados de pesquisas, não devem ser inventadas. Quando o estudante não tem segurança sobre um dado, é preferível construir a argumentação com conhecimentos que consiga apresentar corretamente.
Uma redação informativa é aquela em que os argumentos avançam, acrescentam elementos relevantes e contribuem para sustentar o ponto de vista defendido.
Perguntas frequentes
1. O que é informatividade em um texto?
É o fator de textualidade relacionado ao grau de novidade e previsibilidade das informações apresentadas. A informatividade depende também dos conhecimentos prévios do leitor e do contexto de leitura.
2. Um texto com muitas informações tem alta informatividade?
Não necessariamente. Um texto pode apresentar muitas informações repetidas ou já conhecidas. O grau de informatividade depende da novidade e da relevância do conteúdo, não apenas de sua quantidade.
3. Qual é a relação entre informatividade e senso comum?
Ideias do senso comum podem apresentar baixo grau de informatividade quando apenas repetem conhecimentos amplamente compartilhados. Entretanto, podem servir como ponto de partida para reflexões mais aprofundadas.
4. Informatividade é a mesma coisa que argumentação?
Não. A informatividade está relacionada às informações apresentadas e ao seu grau de previsibilidade. A argumentação envolve a defesa de um ponto de vista por meio de justificativas. Os dois aspectos podem se complementar em um texto.
5. O ENEM avalia a informatividade?
Não existe uma competência específica denominada informatividade. Contudo, a seleção e a utilização produtiva de conhecimentos, informações e argumentos são consideradas na avaliação da redação, especialmente nas Competências II e III.
Exercícios
Questão 1. Leia os dois trechos sobre o desperdício de alimentos.
Texto I
“Desperdiçar alimentos é um problema que precisa ser resolvido, pois a comida é muito importante para todas as pessoas.”
Texto II
“O desperdício de alimentos pode ocorrer em diferentes etapas, desde o armazenamento e o transporte até o consumo doméstico. Por isso, seu enfrentamento envolve ações que vão além dos hábitos individuais.”
Comparando os dois textos, é correto afirmar que:
A) O Texto I apresenta maior informatividade porque utiliza uma linguagem mais simples.
B) O Texto II apresenta menor informatividade porque não utiliza dados estatísticos.
C) Os dois textos apresentam o mesmo grau de informatividade porque abordam o mesmo assunto.
D) O Texto II apresenta maior informatividade porque identifica diferentes etapas do problema e amplia a discussão.
E) O Texto I apresenta maior informatividade porque utiliza uma afirmação conhecida pela maioria das pessoas.
Gabarito: D.
Explicação: O Texto II acrescenta informações específicas sobre as etapas em que ocorre o desperdício de alimentos. O Texto I limita-se a uma afirmação genérica, sem aprofundar o problema. A presença de dados estatísticos não é obrigatória para que um texto apresente maior informatividade.
Questão 2. Leia o parágrafo produzido por um estudante.
“A preservação do patrimônio histórico é muito importante. Todos sabem que precisamos cuidar da nossa história. O patrimônio histórico é algo que deve ser valorizado por toda a sociedade.”
Para aumentar a informatividade desse parágrafo, mantendo o tema e a clareza, qual das alternativas apresenta a melhor reformulação?
A) “O patrimônio histórico é extremamente importante, fundamental e indispensável para todos os cidadãos.”
B) “A preservação do patrimônio histórico envolve a conservação de construções, documentos e outros bens culturais que contribuem para a compreensão da memória de diferentes grupos sociais.”
C) “Desde sempre, a humanidade sabe que preservar a história é uma das coisas mais importantes do mundo.”
D) “O patrimônio histórico deve ser preservado porque é necessário preservar tudo aquilo que pertence à história.”
E) “A valorização do patrimônio histórico é importante, e essa importância precisa ser reconhecida por todos.”
Gabarito: B.
Explicação: A alternativa B amplia a informação ao apresentar exemplos de bens culturais e explicar sua relação com a memória social. As demais alternativas repetem a ideia de importância da preservação, sem acrescentar informações que desenvolvam o assunto.
Questão 3. Considere a situação a seguir.
Uma estudante escreveu uma redação sobre a importância dos espaços públicos de convivência. Para demonstrar conhecimento sobre o tema, utilizou vários termos técnicos e apresentou informações especializadas, mas não explicou os conceitos nem estabeleceu relações claras entre as ideias.
A respeito da informatividade desse texto, assinale a alternativa correta.
A) O texto é necessariamente de alta qualidade porque utiliza termos especializados.
B) A ausência de explicações aumenta a informatividade e garante a compreensão do leitor.
C) A utilização de informações pouco conhecidas pode elevar o grau de informatividade, mas a falta de contextualização pode comprometer a compreensão.
D) O texto apresenta baixo grau de informatividade porque todas as informações especializadas são inadequadas à redação escolar.
E) O texto apresenta informatividade ideal porque a linguagem técnica dispensa exemplos e esclarecimentos.
Gabarito: C.
Explicação: Informações especializadas podem ser pouco previsíveis para o leitor e, portanto, apresentar alto grau de informatividade. Entretanto, a ausência de explicações e de relações claras entre as ideias pode dificultar a interpretação. A qualidade de um texto depende também da coerência, da organização e da adequação ao público.
Questão 4. Informatividade e senso comum
Observe a imagem da campanha publicitária fictícia “Cidades em movimento”.

O anúncio apresenta uma cena de congestionamento, pessoas utilizando o transporte coletivo e as seguintes afirmações:
“Mobilidade urbana é mais do que trânsito.”
“Transportar pessoas também é garantir direitos.”
“Mais inclusão.”
“Menos poluição.”
“Cidades mais justas.”
“Mais qualidade de vida.”
Considerando o conceito de informatividade e a relação entre senso comum, linguagem verbal e elementos visuais, assinale a alternativa que apresenta a análise mais adequada da campanha.
A) O anúncio apresenta alto grau de informatividade porque utiliza imagens realistas, o que comprova as afirmações sobre os benefícios do transporte coletivo.
B) A campanha apresenta baixo grau de informatividade porque utiliza frases curtas e expressões conhecidas, características que impedem a construção de argumentos.
C) A campanha amplia a discussão sobre mobilidade urbana ao relacioná-la à inclusão social e ao acesso a direitos, mas suas afirmações permanecem gerais e poderiam ser aprofundadas com informações específicas e verificáveis.
D) A expressão “Transportar pessoas também é garantir direitos” constitui um dado científico, pois estabelece uma relação direta entre transporte público e cidadania.
E) O anúncio apresenta informações suficientes para demonstrar que o transporte coletivo reduz a poluição em qualquer cidade, independentemente das condições de funcionamento desse serviço.
Gabarito: C.
Comentário: A campanha ultrapassa a associação mais imediata entre mobilidade urbana e congestionamentos ao relacionar o transporte coletivo à inclusão social, aos direitos e à qualidade de vida.
Essa ampliação temática contribui para a informatividade do anúncio. Entretanto, as afirmações continuam gerais, pois não apresentam dados, exemplos concretos ou explicações sobre como essas relações se estabelecem.
As demais alternativas estão incorretas porque confundem recursos visuais com comprovação factual, associam indevidamente frases curtas à baixa informatividade ou tratam afirmações persuasivas como evidências científicas.
Veja também: Textualidade: entenda o que é, seus fatores e elementos (com exemplos)
Referências Bibliográficas
BEAUGRANDE, Robert-Alain de; DRESSLER, Wolfgang Ulrich. Introduction to text linguistics. London: Longman, 1981.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A redação do Enem 2026: cartilha do(a) participante. Brasília, DF: Inep, 2026. Disponível em: Cartilha oficial do ENEM 2026. Acesso em: 14 out. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://downloadbncc.mec.gov.br/. Acesso em: 14 out. 2026.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
JULIDORI, Luzia. Informatividade: o que é, graus e relação com o senso comum. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/informatividade-o-que-e-graus-e-relacao-com-o-senso-comum/. Acesso em: