O Alienista


O Alienista é uma obra do escritor brasileiro Machado de Assis que foi publicada em 1882.

Dividida em 13 capítulos com títulos, ela está inserida no movimento do Realismo no Brasil.

Você sabia?

Alienista é um médico especializado em doenças mentais, ou seja, um psiquiatra.

Personagens

Os principais personagens da obra são:

  • Simão Bacamarte: médico renomado e protagonista da obra.
  • D. Evarista: viúva e mulher de Simão.
  • Galvão: vereador da cidade.
  • Costa: homem considerado louco pelo alienista.
  • Porfírio: barbeiro da cidade, interessado na carreira política.
  • João Pina: outro barbeiro da cidade.
  • Crispim Soares: amigo de Simão e boticário da cidade.
  • Padre Lopes: Vigário da cidade.

Resumo da Obra

A obra gira em torno da história de Simão Bacamarte, médico respeitado e que viajou pela Europa e Brasil.

Quando criou um consultório na cidade brasileira de Itaguaí, resolve se casar com uma viúva: Dona Evarista.

A relação não era baseada no amor, e sim na possibilidade de ter filhos com ela. Evarista não era uma mulher muito bonita, no entanto, quando o médico vai para Itaguaí, surge a ideia de ter filhos e resolve se casar com ela.

Simão acreditava que Evarista seria uma boa parceira para o intuito dele. No entanto, eles não chegam a ter filhos.

Mais tarde, ele resolve criar um manicômio na cidade que foi chamado de Casa Verde. Empenhado em seus estudos voltados para a psiquiatria, Simão começa a ter muitos internos que viviam na cidade e nos arredores.

Isso porque ele começa a enxergar loucura em muitas pessoas. Mesmo Costa, um homem que perdeu toda sua herança foi considerado louco pelo alienista. Esses atos começam a deixar apreensivos os cidadãos da cidade.

Isso gera um movimento na cidade que foi liderado pelo barbeiro, Porfírio, mais conhecido por Canjica. Por isso, a revolta dos cidadãos foi chamada de “Revolta do Canjica”.

No entanto, ao protestar na frente da casa do alienista, o doutor recebe a massa com indiferença e logo retorna aos seus afazeres.

Interessante notar que Porfírio tinha o intuito de seguir carreira política e ao chamar Simão para uma reunião, acaba se aliando à ele. Sendo assim, as internações continuam na cidade.

Devido as internações dos 50 membros que estavam apoiando a revolução de Porfírio, outro barbeiro da cidade, João Pina, consegue auxiliar na deposição de Canjica.

Ainda que todos tentassem lutar para acabar com a Casa Verde, o local se fortalecia com o passar do tempo.

Numa passagem da obra, até mesmo Dona Evarista, mulher do Alienista, é internada. Isso porque teve uma noite mal dormida.

Quando 75% da cidade estava internada, Simão resolve voltar atrás e liberar todos os internos, certo de que sua teoria estava errada.

Assim, o alienista recomeça a internar as pessoas, sendo que Galvão, o vereador da cidade, foi um dos primeiros a chegar na Casa Verde.

Por fim, o alienista libera todos novamente e conclui que o louco era ele. Assim, resolve se trancar na Casa Verde.

Confira a obra na íntegra, fazendo o download do PDF aqui: O Alienista.

Análise da Obra

Repleta de um tom humorístico e irônico, a obra de Machado de Assis possui um narrador onisciente.

Narrada em terceira pessoa, o livro revela a dedicação do Doutor Simão, que na verdade, fica obcecado com seus estudos na área de psiquiatria.

Além disso, ele aborda os temas dos interesses políticos, da ambição e do poder na figura de Porfírio. Para atingir seu objetivo, esse personagem acaba por ceder e se juntar ao alienista.

A crítica social e a análise psicológica das personagens revelam a fase realista de Machado de Assis.

O comportamento, as atitudes, os interesses, as relações sociais e o egoísmo humano são colocados em pauta. A loucura e a sanidade apresentam uma linha tênue na visão do autor.

Para alguns, essa obra é considerada um conto, para outros, ela contém a estrutura narrativa e as características de uma novela.

Trechos da Obra

Segue abaixo alguns trechos da obra O Alienista:

Capítulo I - De Como Itaguaí Ganhou Uma Casa De Orates

A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira vez apareciam verdes em Itaguaí. Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente para assistir às cerimônias, que duraram sete dias. Muitos dementes já estavam recolhidos; e os parentes tiveram ocasião de ver o carinho paternal e a caridade cristã com que eles iam ser tratados. D. Evarista, contentíssima com a glória do marido, vestira-se luxuosamente, cobriu-se de jóias, flores e sedas. Ela foi uma verdadeira rainha naqueles dias memoráveis; ninguém deixou de ir visitá-la duas e três vezes, apesar dos costumes caseiros e recatados do século, e não só a cortejavam como a louvavam; porquanto,—e este fato é um documento altamente honroso para a sociedade do tempo, —porquanto viam nela a feliz esposa de um alto espírito, de um varão ilustre, e, se lhe tinham inveja, era a santa e nobre inveja dos admiradores.”

Capítulo V- O Terror

Não eram gritos na rua, eram suspiros em casa, mas não tardava a hora dos gritos. O terror crescia; avizinhava-se a rebelião. A idéia de uma petição ao governo para que Simão Bacamarte fosse capturado e deportado, andou por algumas cabeças, antes que o barbeiro Porfírio a expendesse na loja, com grandes gestos de indignação. Note-se, — e essa é uma das laudas mais puras desta sombrio história — note-se que o Porfírio, desde que a Casa Verde começara a povoar-se tão extraordinariamente, viu crescerem-lhe os lucros pela aplicação assídua de sanguessugas que dali lhe pediam; mas o interesse particular, dizia ele, deve ceder ao interesse público. E acrescentava:—é preciso derrubar o tirano! Note-se mais que ele soltou esse grito justamente no dia em que Simão Bacamarte fizera recolher à Casa Verde um homem que trazia com ele uma demanda, o Coelho.”

Capítulo X -A Restauração

Dentro de cinco dias, o alienista meteu na Casa Verde cerca de cinqüenta aclamadores do novo governo. O povo indignou-se. O governo, atarantado, não sabia reagir. João Pina, outro barbeiro, dizia abertamente nas ruas, que o Porfírio estava "vendido ao ouro de Simão Bacamarte", frase que congregou em torno de João Pina a gente mais resoluta da vila. Porfírio, vendo o antigo rival da navalha à testa da insurreição, compreendeu que a sua perda era irremediável, se não desse um grande golpe; expediu dois 19 decretos, um abolindo a Casa Verde, outro desterrando o alienista. João Pina mostrou claramente, com grandes frases, que o ato de Porfírio era um simples aparato, um engodo, em que o povo não devia crer. Duas horas depois caía Porfírio! ignominiosamente e João Pina assumia a difícil tarefa do governo. Como achasse nas gavetas as minutas da proclamação, da exposição ao vice-rei e de outros atos inaugurais do governo anterior, deu-se pressa em os fazer copiar e expedir; acrescentam os cronistas, e aliás subentende-se, que ele lhes mudou os nomes, e onde o outro barbeiro falara de uma Câmara corrupta, falou este de "um intruso eivado das más doutrinas francesas e contrário aos sacrossantos interesses de Sua Majestade", etc.”

Capítulo XIII - Plus Ultra!

Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí, mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade.”

Filme

A obra de Machado de Assis foi transformada em filme em 1970. Intitulada de “Azyllo Muito Louco” foi dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

Em 1993, a rede globo de televisão cria uma minissérie baseada na obra de Machado chamada “O Alienista e as Aventuras de um Barnabé”.

O Alienista em Quadrinhos

Essa obra também foi transformada em histórias em quadrinhos (HQ). Publicada pela editora Escala Educacional, tem como roteirista e desenhista Francisco F. Vilachã.

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