Orfismo na Literatura Portuguesa

Márcia Fernandes

A Primeira Geração do Modernismo em Portugal, Orfismo, Orfeísmo ou Geração de Orpheu, compreende o período entre 1915 e 1927.

Esse nome resulta da revista Orpheu, cuja publicação em março de 1915, em Lisboa, registra o marco do modernismo português.

Características

Escândalo, provocações, influências das correntes estéticas que se desenvolviam na Europa, especialmente o Futurismo e o Cubismo, motivaram o lançamento da revista, bem como o movimento vanguardista em Portugal. Essas são as marcas da Revista Orpheu.

O nome da revista é uma referência ao mito grego de Orfeu, um poeta que encantava a todos ao tocar sua lira, desde árvores, deuses e monstros. Através da lira, Orfeu conseguia acalmar e promover, nas coisas e pessoas, novas atitudes, motivo pelo qual representa a sua regeneração.

Leia também: Modernismo em Portugal.

Consequências

Alvo de duras críticas, foi dito que a revista de periodicidade trimestral retratava a decadência da literatura. Para alguns, era o próprio simbolismo decadentista.

Embora apenas dois números dessa revista tenham sido publicados, sua repercussão foi tão notável que os manifestos se seguiram por mais uma década nesse período, que se assemelhava a uma revolução modernista.

Outras revistas publicados foram: Exílio e Centauro (1916), Portugal Futurista (1917) e Athena (1924-1925).

Assim, Orpheu influenciou a literatura portuguesa e a revista é recordada até nossos dias. A efemeridade dessa publicação resultou da falta de dinheiro para promover sua manutenção.

Artistas

Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Luís de Montalvor e o brasileiro Ronald de Carvalho foram os membros da Geração de Orpheu.

O primeiro número da revista foi dirigido por Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. O segundo teve como dirigentes Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

Dentre os modernistas portugueses, sem dúvida, Fernando Pessoa se destaca. Tal como Camões, Pessoa é considerado um dos maiores poetas portugueses.

Fernando Pessoa criou mais de setenta heterônimos, sendo os mais conhecidos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. A obra de Álvaro de Campos foi apresentada na revista Orpheu com a publicação do poema Ode Triunfal:

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Leia Heterônimos de Fernando Pessoa.

Presencismo

A Revista Presença marca o início da Segunda Geração do Modernismo em Portugal, em 1927. Cinquenta e quatro números dessa revista foram publicados ao longo do período conhecido como Presencismo, que termina em 1940.

Nesse período, têm destaque: José Régio, José Rodrigues Miguéis e Branquinho da Fonseca.

Depois do Presencismo, tem início o Neorrealismo, que compreende o período de 1940-1947).

Márcia Fernandes
Márcia Fernandes
Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos.