Revolta dos Cipaios


A Revolta dos Cipaios, Sipaios ou Sipais (do híndi shipahi, que significa “soldado”), também conhecida como “Revolta Indiana de 1857”, foi uma insurreição popular armada que se sucedeu na Índia entre os anos de 1857 e 1859.

Com efeito, foi realizada por soldados hindus e muçulmanos, contra a dominação e exploração britânica, e pode ser considerado o primeiro movimento de Independência da Índia.

Contexto Histórico

De partida, devemos destacar que durante todo o século XIX, a Inglaterra imperialista deteve a hegemonia mundial e explorava os recursos, a mão-de-obra e o mercado consumidor de suas colônias, dentre elas a Índia. Por conseguinte, vale salientar que este levante ficou circunscrito às províncias da região central e do norte, enquanto o sul da Índia não se envolveu no conflito.

Assim, no dia 19 de março de 1857, Mangal Panday (1827-1857) liderou os Sipaios, matando diversos oficiais ingleses, mas capturado e executado, tornou-se mártir da “Primeira Guerra de Independência da Índia”.

Na sequência, em 10 de maio de 1857, o “11° Regimento de Cavalaria de Bengala”, se amotinou em Meerut e seguiu para Déli, conquistando a cidade e matando muitos europeus. Em julho, os reforços britânicos começam a chegar e, após algumas semanas de combates, derrotam o exército sipai. Em 1859, o contingente de soldados britânicos aumentou significativamente e o movimento foi finalmente controlado.

Principais Causas

Uma das grandes causas da revolta foi o alistamento obrigatório de jovens indianos no exército da "Companhia Britânica das Índias Orientais", a qual representava a Coroa Inglesa na Índia. Estes soldados deveriam garantir toda segurança do transporte e comercialização dos produtos que circulavam na colônia.

Ademais, o recrutamento misturava membros de várias castas e causava insatisfação entre os brâmanes e xátrias. Para completar, estes cerca de 200 mil sipais (para 40 mil soldados britânicos) estavam insatisfeitos com as péssimas condições de trabalho e a baixa remuneração.

Outra coisa mal vista pela população eram as missões que pregavam o Cristianismo, bem como a política de anexação de territórios, a morte do dirigente sem herdeiros, empreendida pelos britânicos.

Por fim, vale ressaltar o grande estopim, que foi a utilização de gordura animal de vaca e porco para impermeabilizar as munições dos fuzis utilizadas pelos soldados indianos.

Como eles tinham de rasgar as cápsulas com a boca, acabavam ingerindo aquela gordura, o que era considerado intolerável uma vez que era sagrado, tanto pelos hindus (vaca) como pelos muçulmanos (porco).

Principais Consequências

Quando terminaram os levantes, os insurgentes foram executados e a Companhia Britânica das Índias Orientais foi extinta, dando início à administração direta da Coroa britânica em agosto de 1858, quando a Inglaterra passou a ter um vice-rei da Índia e britânicos integraram os postos governamentais na administração colonial.

Ademais, o vice-rei pôs fim à política de anexações, estabeleceu a tolerância religiosa e admissão de indianos no serviço público. Por fim, a Rainha Vitória tornou-se a Imperatriz da Índia em 1877.

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